Empresa apresenta bateria para elétricos que promete aposentar o carro a gasolina
Donut Lab revela a primeira bateria de estado sólido "pronta para produção", com recarga em cinco minutos, 400 Wh/kg e durabilidade fora da curva
A bateria de estado sólido é, praticamente, o cálice sagrado dos carros elétricos. Ter uma delas em um veículo de série é sonho coletivo, pois mudaria definitivamente os contornos da história da mobilidade.
Em resumo, uma bateria de estado sólido é mais densa, segura, durável e rápida de recarregar que as tradicionais de íons de lítio. Não à toa, a indústria corre atrás dela como quem busca o pote de ouro ao fim do arco-íris.
E parece que a Donut Lab conseguiu. A empresa divulga na CES 2026 (Consumer Electronics Show) o que afirma ser a primeira bateria de estado sólido de produção do mundo. Projetada especificamente para veículos elétricos, ela pode ser recarregada em apenas cinco minutos graças ao menor estresse químico das células. É isso mesmo: cinco minutos.
A startup quer nada menos do que "aposentar os carros a combustão" ao eliminar o gargalo do tempo de reabastecimento. Vale destacar que a Donut Lab garante que suas células e módulos revolucionários já estão disponíveis para encomenda por empresas interessadas.
Ainda de acordo com a companhia, a Verge — focada em motocicletas elétricas — utilizará a tecnologia em uma nova versão da sua TS Pro. A previsão é para este primeiro trimestre de 2026. Para nosso espanto, caso a promessa se cumpra, este será o primeiro veículo de produção em massa alimentado por tal solução.
Bateria de estado sólido promete densidade e segurança
A grande vedete do estado sólido é a densidade energética superior. Pode-se guardar mais energia no mesmo espaço ou a mesma quantidade em um volume reduzido. Na prática, ganha-se autonomia sem o "efeito colateral" do ganho de peso.
Além disso, essas baterias são inerentemente mais seguras. Enquanto as convencionais se valem de eletrólitos líquidos inflamáveis, a solução da Donut Lab dispensa materiais perigosos, reduzindo drasticamente o risco de incêndios.
Mais de 100 mil ciclos: um disparate?
As informações distribuídas pela Donut Lab chega a assustar os mais incautos. A marca diz que a densidade energética da bateria é de 400 Wh/kg (embora em algumas comunicações cite 350 Wh/kg, o que ainda é um patamar altíssimo).
Por degradar de forma muito mais lenta que uma bateria de íons de lítio comum, o produto mantém seu desempenho por mais de 100 mil ciclos. É quase um disparate se considerarmos que as baterias atuais dificilmente chegam a um décimo disso.
A Donut Lab diz ainda que sua bateria mantém quase 100% da capacidade mesmo em temperaturas extremas, permanecendo estável dos -30°C até os 100°C. Para completar, a empresa garante que a solução é "100% verde", feita com materiais amplamente disponíveis e com custo inferior ao das baterias de lítio. Ou seja: o "milagre" da Donut Lab tem tudo para escalar globalmente.
O repórter admite que, mesmo tendo visto a chamada Donut Battery de perto na CES, ainda aguarda uma prova prática. O que é justo. Afinal de contas, uma engenharia tão cara e complexa exigiria ceticismo até mesmo de São Tomé.