Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Colômbia rompe acordo e carros brasileiros perdem vantagem competitiva

Fim do tratado retira cota de 50 mil veículos com tarifa reduzida e abre espaço para concorrência chinesa (veja opinião do Guia do Carro)

2 out 2025 - 17h17
(atualizado às 17h21)
Compartilhar
Chevrolet Spark EUV: este não será impactado pela tarifa colombiana
Chevrolet Spark EUV: este não será impactado pela tarifa colombiana
Foto: GM / Fabio Gonzalez / Guia do Carro

Na última terça-feira (30), a Colômbia encerrou unilateralmente o tratado de comércio automotivo com o Brasil, que previa uma cota de 50 mil veículos com alíquota reduzida. Agora, os carros brasileiros passam a pagar tarifa de importação de 16%, encarecendo os produtos no mercado colombiano. Isso provocou uma reação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que pediu ao Itamaraty para elevar o tom com a Colômbia.

Importância do mercado colombiano e reação diplomática

A Colômbia é hoje o terceiro destino das exportações automotivas brasileiras. O país representa uma fatia relevante para montadoras instaladas no Brasil, atrás apenas da Argentina e do Chile. A perda da vantagem tarifária abre espaço para concorrentes estrangeiros, principalmente fabricantes chineses, que vêm ganhando participação agressiva em toda a América Latina.

Segundo a jornalista Daniela Lima, do UOL, o presidente Lula determinou que o Itamaraty eleve o tom nas negociações com o governo de Gustavo Petro. O Palácio do Planalto avalia que a decisão colombiana prejudica diretamente a indústria instalada no Brasil, em um momento em que o setor busca ampliar exportações para compensar a estagnação do mercado interno.

Opinião do Guia do Carro: Brasil paga o preço por desprezar elétricos

O movimento da Colômbia pode ter irritado Lula e o governo brasileiro, mas é o preço que o país começa a pagar por desprezar os carros elétricos. Há cerca de dois anos as montadoras tradicionais, por meio da Anfavea, conseguiram impor uma série de limitações aos carros elétricos no Brasil. Impostos de importação foram antecipados, enquanto investimentos em sistemas híbridos com pouco impacto na descarbonização ganharam incentivos.

Sem o acordo, carros produzidos no Brasil chegam ao consumidor colombiano com custo maior. Isso compromete a competitividade frente a modelos vindos da Ásia, especialmente da China, que já oferecem preços mais baixos e ampla gama de SUVs híbridos plug-in e elétricos. Para as montadoras, a medida pode significar queda nas vendas externas e redução do fluxo produtivo nas fábricas brasileiras.

Mas a Colômbia não tem nada com isso. O país vizinho optou por dar grande incentivo aos carros elétricos para descarbonizar a sua frota. Se a China oferece veículos mais avançados na tecnologia elétrica e mais atraentes do que os veículos oferecidos pelo Brasil, este é um movimento que já havia sido previsto pelo próprio Guia do Carro.

Agora a diplomacia brasileira tenta reabrir as negociações, mas ainda não há perspectiva de um novo acordo. Enquanto isso, as montadoras tradicionais podem redirecionar parte da produção para outros mercados ou absorver perdas para manter presença na Colômbia. A disputa reforça a necessidade de o Brasil diversificar destinos de exportação e negociar melhores condições no comércio automotivo internacional.

Um detalhe: ainda em outubro finalmente a BYD começa a montar o Dolphin Mini elétrico na Bahia. Também este ano, se o prazo for cumprido, a GM começa a montar o Chevrolet Spark EUV no Ceará. Ambos serão feitos inicialmente em regime SKD (veículo importado semidesmontado). Com as regras da Colômbia, eles não pagarão tarifas, se forem exportados. 

Guia do Carro
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra