Caoa Changan UNI-T estreia por R$ 169.990 contra Compass e Corolla Cross
Primeiro modelo nacional da Caoa Changan combina design ousado, porte de SUV médio e pacote tecnológico completo para disputar espaço acima dos compactos
O Changan UNI-T não chega ao Brasil como mais um SUV tentando cavar espaço no gridlotado. Ele estreia como símbolo de um movimento maior: é o primeiro modelo montado localmente pela Caoa Changan e já entra em campo com pretensão de gente grande — mirando diretamente nomes estabelecidos como Jeep Compass e Toyota Corolla Cross.
E faz isso jogando em duas frentes. De um lado, o preço de R$ 169.990 o coloca perigosamente próximo de SUVs compactos topo de linha, como o Hyundai Creta. Do outro, o pacote de dimensões e proposta o empurra para cima, para o território dos médios. É aquele clássico movimento de mercado: cobrar como um, entregar como outro.
Visualmente, não há qualquer tentativa de discrição. A dianteira é praticamente um manifesto. Os faróis afilados avançam sobre uma grade paramétrica que dispensa barras horizontais ou soluções convencionais.
Em vez disso, adota um mosaico de elementos em formato de diamante que cria um efeito tridimensional quase hipnótico — mais próximo de um conceito do que de um carro de produção em massa. Para o Brasil, até o logotipo foi alterado, numa tentativa clara de ajustar identidade e percepção.
O perfil mantém a assinatura de SUV-cupê sem cair na caricatura. As rodas de 20 polegadas ocupam bem as caixas, enquanto as maçanetas embutidas na coluna limpam a lateral e reforçam a sensação de objeto tecnológico — solução que flerta com o que já vimos no HR-V, mas aqui aplicada com mais intenção estética.
Com 4,53 metros de comprimento e 2,71 m de entre-eixos, o UNI-T joga no limite superior do que se convencionou chamar de SUV compacto, invadindo com naturalidade o espaço dos médios. O porta-malas tem 425 litros.
Na traseira, o carro abandona qualquer resquício de sobriedade. As lanternas divididas, o spoiler proeminente em formato de "V" e, principalmente, as quatro saídas de escapamento deixam claro que há aqui uma tentativa de comunicar esportividade — ainda que mais visual do que necessariamente dinâmica.
Por dentro, o discurso muda de tom. Sai o espetáculo, entra a funcionalidade bem resolvida. O entre-eixos generoso se traduz em espaço traseiro de verdade, com capacidade para três ocupantes sem o sacrifício habitual — mérito também do assoalho quase plano, que elimina aquele túnel central intrusivo.
Na dianteira, o ambiente aposta na linguagem já consolidada entre os chineses mais recentes: telas integradas e sensação de cockpit digital. O quadro de instrumentos de 10,3 polegadas se conecta à central multimídia de mesmo tamanho, formando um painel contínuo que privilegia leitura rápida e organização. Há ainda banco do motorista com ajuste elétrico e teto panorâmico, elementos que reforçam a percepção de refinamento.
A lista de equipamentos segue a mesma lógica de entrega acima da média: seis airbags, controle de cruzeiro adaptativo, câmeras 360°, alerta de saída de faixa e sistema de estacionamento autônomo. Um pacote que, na prática, posiciona o UNI-T não como uma promessa, mas como um produto pronto para disputar clientes com os principais players do segmento.
O Changan Uni-T vem equipado com motor 1.5 turbo flex que entrega 180 cv de potência e 29,2 kgfm de torque. O câmbio é automatizado de dupla embreagem, sete marchas, e tração dianteira. O 0 a 100 km/h prometido pela fábrica é de 7,4 segundos. Além disso a garantia é de sete anos ou 150.000 km, o que ocorrer primeiro.
Segundo dados do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular do Inmetro, o modelo faz 10,5 km/l na cidade e 12,4 km/l na estrada com gasolina. A marca garante que haverá mais de 60 pontos de atendimento no Brasil até o final de 2026.