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Caoa anuncia investimento de R$ 5 bilhões nos próximos três anos

Empresa sela início da produção nacional em Anápolis (GO) em parceria com a Changan, mirando crescimento no mercado brasileiro

28 mar 2026 - 10h58
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A ofensiva das montadoras chinesas no Brasil ganha um novo capítulo — e, desta vez, com sotaque goiano. A Caoa Changan confirmou um investimento de R$ 5 bilhões para viabilizar a produção local de veículos em Anápolis (GO), em movimento que reforça a estratégia de nacionalização para ganhar escala e competitividade no maior mercado da América Latina.

O primeiro fruto dessa operação já tem nome, sobrenome e já é montado no país: o Changan Uni-T. O SUV médio inaugura a linha de montagem brasileira, marcando não apenas a estreia industrial da marca no Brasil, mas também sua entrada direta em um dos segmentos mais disputados — aquele dominado por nomes como Jeep Compass e Toyota Corolla Cross.

A escolha de Anápolis não é casual. A cidade abriga o complexo industrial da Caoa, que já produziu modelos da Hyundai e foi responsável por operações da própria Chery no passado. Agora, passa a ser peça-chave na estratégia da Changan de reduzir custos logísticos, driblar o chamado "Custo Brasil" e, sobretudo, ganhar fôlego diante da concorrência cada vez mais acirrada.

Mais do que uma simples montagem local, o investimento sinaliza a ambição de consolidar presença. Em vez de depender exclusivamente de importações, a Caoa Changan segue o caminho já trilhado por outras chinesas, o de produzir aqui para vender aqui, com preços mais competitivos e maior previsibilidade de oferta.

O Uni-T, escolhido como ponta de lança, é um SUV que aposta no design como diferencial. Com linhas marcadas por uma grade paramétrica e faróis afilados, o modelo busca se distanciar do conservadorismo típico do segmento. Por dentro, a promessa é de um pacote tecnológico robusto e acabamento mais refinado, alinhado ao posicionamento que a marca pretende adotar no Brasil.

Nos bastidores, o movimento também dialoga com o avanço acelerado das marcas chinesas no país.

Nos últimos anos, essas fabricantes deixaram de ser coadjuvantes para disputar fatias relevantes de mercado, pressionando tanto generalistas quanto marcas tradicionais.

Ao anunciar o investimento, a Caoa Changan entra de vez nesse jogo — não mais como uma promessa distante, mas como um player disposto a disputar espaço com produção local, portfólio crescente e uma estratégia que combina volume com posicionamento.

"Essa aliança estratégica e simboliza a união de duas forcas industriais. Estamos dobrando nossa aposta no Brasil, aquela fábrica que o presidente ajudou a inaugurar há duas décadas ganha uma irmã de mesmo tamanho", diz Carlos Alberto Junior, CEO da Caoa.

O Jornal do Carro está presente na coletiva de imprensa da Caoa realizada em Anápolis com a presença dos principais executivos da marca Caoa Changan e também com o comparecimento do presidente Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin.

"Para Changan, o Brasil não será apenas um país para investir a curto prazo, estamos comprometidos com o futuro", disse Zhu Huarong, Chairman da Changan.

A marca chinesa opera 76 fábricas ao redor do mundo e presença em 118 países com quase 3 milhões de carros vendidos globalmente.

"Quando vejo a Caoa Changan investindo R$ 5 bilhões até 2028 noto que os chineses e os meninos acreditam no brasil", disse o presidente Lula, que ainda complementou: "Quando os chineses vieram para o Brasil a indústria local acordou e anunciou um grande pacote de investimentos, precisou de um grande susto para que a indústria brasileira acordasse", conclui.

Estadão
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