Chega de "chutômetro": mecânicos usam IA para garantir o conserto certo do seu carro
Assistentes virtuais passam a sugerir diagnósticos, automatizar tarefas e digitalizar rotinas em um setor ainda pouco tecnológico
A inteligência artificial começa a avançar sobre um dos segmentos mais tradicionais e menos digitalizados do setor automotivo: as oficinas mecânicas. Assistentes virtuais capazes de sugerir diagnósticos, acessar dados de veículos e automatizar tarefas administrativas surgem como aposta para reduzir tempo de serviço, aumentar produtividade e diminuir erros no dia a dia dos reparos.
Nesse cenário, a plataforma de gestão automotiva Pitz lançou o "João", um assistente por voz desenvolvido para apoiar mecânicos na rotina. A ferramenta permite consultar informações por placa ou chassi, verificar estoque, acompanhar ordens de serviço e até sugerir diagnósticos, com interação feita por voz ou texto e uso de modelos de inteligência artificial para interpretar comandos.
A adoção desse tipo de tecnologia acompanha um movimento mais amplo no mercado. Dados citados pela empresa indicam que cerca de 78% das pequenas e médias empresas já utilizam inteligência artificial em ao menos uma função, enquanto as oficinas que passaram a usar plataformas digitais registraram aumento de eficiência e melhor aproveitamento da operação.
Além de reunir informações técnicas dispersas, os sistemas com IA também automatizam tarefas como controle de clientes, faturamento e gestão de peças. Em versões futuras, a tendência é que essas ferramentas avancem para ações mais completas, como envio automático de orçamentos, solicitação de peças e integração direta com os serviços realizados.
O desenvolvimento dessas soluções exige a integração de diferentes bases de dados — como manuais de fabricantes, catálogos de peças e histórico de reparos — além de mecanismos para garantir maior precisão nas respostas. O objetivo é reduzir falhas em um ambiente onde erros podem gerar custos elevados.
A aposta mira um setor que ainda opera majoritariamente de forma manual: cerca de 85% das oficinas na América Latina ainda utilizam papel ou processos pouco digitalizados. Com isso, a expectativa é que a inteligência artificial ajude a profissionalizar a gestão e permita que o mecânico foque no diagnóstico e na execução do serviço.