Cayenne Electric é o Porsche mais potente da história com mais de 1.100 cv e recarrega sem fio
SUV na versão topo de linha, Turbo, pode chegar a 1.156 cv e mais de 100 kgfm e mesmo com 2.700 kg é capaz de chegar até os 100 km/h em 2,5 segundos
O ano era 2002, a Porsche enfrentava uma grave crise financeira graças aos altos custos de produção combinados com uma queda expressiva na venda de seus esportivos, em especial o icônico 911, e lançava a sua 'tábua da salvação': o seu primeiro SUV, o Cayenne.
Os mais preciosistas não gostaram da marca com foco em esportivos apostar em um carroceria com um quê de 'familiar', mas o sucesso foi estrondoso, como previa Ferdinand "Ferry" Porsche em 1989: "Se construíssemos um veículo off-road com nossas especificações de qualidade, com o nome Porsche na frente, venderia".
Logo após sua estreia mundial no Salão de Paris em setembro de 2002, o Cayenne excedeu as expectativas de vendas. Em julho de 2020 o SUV atingiu a marca histórica de 1 milhão de unidades vendidas, tornando-se um dos Porsche de maior sucesso.
Em 24 anos de existência o icônico SUV da marca alemã teve uma série de motores de alta performance distribuídos entre as três gerações, como V6 e V8 tanto a gasolina quanto diesel e mais recentemente a adoção de sistemas híbridos plug-in.
Mas a quarta geração, que foi anunciada no fim de 2025, e que chega oficialmente no segundo semestre de 2026 no Brasil (mas já está em pré-venda) é somente elétrica e volta a desafiar os preciosistas. Sabe por quê? Trata-se do Porsche mais potente já produzido pela marca alemã e ele é movido apenas por eletricidade.
Os números da versão topo de linha, Turbo, mostram porque é possível intitulá-lo como o Cayenne mais 'insano de todos os tempos'. Com o overboost no controle de largada, no qual há uma liberação de toda a potência e torque disponível do conjunto de motores, são 1.156 cv e 153 kgfm. Com tanta força e potência o SUV sai da imobilidade e chega aos 100 km/h em 2,5 segundos, vale lembrar que ele tem 2.720 kg e essa é a mesma aceleração divulgada pela marca para o 911 Turbo S, que é 1 tonelada mais leve.
Outro dado que impressiona é a capacidade de regeneração de energia que os dois motores elétricos (um em cada eixo) proporcionam: são pouco mais de 800 cv de potência de regeneração. Sem o launch control os motores tem 857 cv, portanto os motores têm praticamente a mesma potência para a regeneração de energia nas desacelerações e isso contribui de forma extremamente significativa com a redução do sistema de freios, que mesmo sendo de alta performance com disco de cerâmica, são poupados de utilização em boa parte das frenagens. Segundo a Porsche toda essa potência de regeneração só foi possível graças a parceria com a Fórmula E.
Design sem exageros
O design é evidenciado por faróis mais minimalistas com peças que se destacam por abrigarem quatro DRLs em led e quatro faróis principais em full led. A dianteira também se destaca pela inexistência de grade com uma área fechada que mostra que se trata de um modelo elétrico, na parte inferior há aletas aerodinâmicas que são ativas e se acionam automaticamente para reduzir o arrasto aerodinâmico que é de apenas 0.25 Cx.
Na lateral as rodas podem ser de 20 a 22 polegadas e se tornam destaque de perfil com uma carroceria com uma área envidraçada mais reduzida para enobrecer a robustez do modelo. Outro item que contribui para a aerodinâmica é o spoiler traseiro que se abre em acelerações mais bruscas para contribuir com a redução do arrasto.
O desenho das lanternas foi o que mais chamou atenção não pelo fato de serem interligadas e percorrerem toda a extensão da tampa do porta-malas, recurso cada vez mais comum de estilo, mas pelos detalhes evidenciados como o nome Porsche iluminado na parte central e dois andares de iluminação.
Mas é ao entrar que fica evidente que trata-se de uma nova geração do SUV e que nenhuma escolha foi em vão. Diante de interiores tão parecidos dentro dessa categoria, avistar uma central com tela curva, que avança para o console central e que está emoldurada com a tela do passageiro é de encher os olhos. O quadro de instrumentos também rende a curvatura e tem 14,2 polegadas.
O acabamento mistura materiais nobres como couro e alcântara e impressiona pela qualidade do encaixe das peças e pelos detalhes aplicados.
Como anda o Cayenne Electric?
A Porsche levou um seleto grupo de jornalistas para Barcelona (Espanha), no qual o Jornal do Carro estava contemplado. O test-drive longo nas estradas espanholas permitiu impressões mais aprofundadas, a versão escolhida para interação foi a mais potente, Turbo.
Algo que sempre avalio no primeiro contato com um modelo é o ruído a bordo, por ser um modelo elétrico sabia que essa não seria uma questão, mas o isolamento acústico impede até que o barulho do vento ou mesmo da rolagem dos pneus com o asfalto invade a cabine. Porém se o "barulho" do silêncio te incomodar a Porsche desenvolveu um ruído que se assemelha a um motor V6 e é emulado na cabine quando se seleciona o modo de condução Sport ou mesmo Sport Plus.
Confesso que causou estranheza no início, mas ao iniciar uma aceleração de 0 a 100 km/h o ruído embala bem toda a "pancada" que é sentida no kickdown do pedal do acelerador. Divertido é o mínimo que se pode dizer ao acelerar de forma brusca, o suficiente para grudar o corpo no banco e arrancar um sorriso de qualquer motorista que aprecia velocidade e esportividade.
Mas é válido destacar que ele também pode ser "dócil" e no modo de condução normal as acelerações são progressivas e é possível pensar que se trata de um SUV com vocação familiar.
O comportamento dinâmico é exemplar em especial pela suspensão pneumática adaptativa (PASM), que é icônica por adequar a altura e também a carga dos amortecedores conforme a condição do pavimento e também o modo de condução. No vídeo acima é possível conferir o quanto esse sistema é essencial para tornar o Cayenne versátil ao adaptar o SUV para uma encarar uma trilha fora de estrada, por exemplo.
O Porsche Active Ride, está disponível como opcional por R$ 85.780, e torna o comportamento dinâmico ainda mais visceral, isso porque sua função é manter a carroceria sempre a 0°, independente da manobra. Em um contorno de uma curva acentuada, por exemplo, o sistema é capaz de compensar a inclinação e sensação para o motorista é como se estivesse acelerando em uma reta. Experimentei esse sistema na pista com o Panamera e é um recurso que vale o investimento sem sombras de dúvidas. Ainda como opcional há o eixo traseiro direcional, que reduz o diâmetro de giro, facilitando, em especial, as manobras de estacionamento.
Primeiro a carregar sem cabos
A capacidade da bateria é de 113 kWh e isso proporciona um alcance no ciclo europeu (WLTP) de até 642 quilômetros, e ao Turbo, de até 623 quilômetros.
Graças à tecnologia de 800 volts, o Cayenne carrega com até 400 kW, fato que proporciona uma recarga (DC) de 10 a 80% em apenas 16 minutos. Importante destacar que o Cayenne Electric vai ser o primeiro carro elétrico a poder ser carregado por indução e com uma potência de 11 kW, o equivalente a um wallbox doméstico. Exige a instalação de um sistema de indução, mas contribui de forma significativa com a comodidade.
Chega no segundo semestre
Já em dezembro a Porsche abriu a pré-venda para duas versões do Cayenne Electric. No configurador da marca já apareciam o Cayenne Electric e Cayenne Turbo Electric, com preços que partem de R$ 900.000 e chegam a R$ 1.410.000.
Em março a marca alemã trouxe mais uma versão para a pré-venda, a intermediária S. O S traz potência combinada de 536 cv e com o launch control acionado sobe para 658 cv e o preço começa em R$ 1.080.000. Vale lembrar ainda que a versão de entrada traz até 442 cv, mas a capacidade da bateria é a mesma para as três versões. A expectativa é que as primeiras unidades começam a chegar por aqui no segundo semestre.
A quarta geração do Cayenne deixa escancarado que um SUV elétrico pode trazer toda esportividade e condução visceral que um modelo a combustão e os céticos com a eletricidade em carros esportivos vão ter que dar o braço a torcer.