Chuva muda comportamento da moto e exige mais cuidado na frenagem e nas curvas
Especialistas explicam como pilotar moto na chuva com mais segurança e reduzir riscos de quedas e acidentes
Pilotar na chuva exige mudança imediata de comportamento. Com o asfalto molhado, a aderência dos pneus cai, o espaço de frenagem aumenta e erros pequenos podem terminar em queda. Segundo especialistas em pilotagem, reduzir velocidade e suavizar comandos deixa de ser apenas recomendação e passa a ser questão de segurança.
Durante uma ação de formação de instrutores promovida pela Yamaha em parceria com a Prefeitura de São José dos Campos, o instrutor do Yamaha Riding Academy (YRA), Helio Mazzarella, compartilhou com o Jornal do Carro orientações voltadas à prevenção de acidentes em situações de baixa aderência.
Segundo ele, muitos motociclistas mantêm na chuva o mesmo comportamento adotado em piso seco — e é justamente aí que mora o perigo.
Direção defensiva ajuda a evitar acidentes
Além da adaptação ao clima, a direção defensiva continua sendo um dos principais recursos para evitar acidentes no trânsito.
Segundo Mazzarella, o condutor precisa antecipar situações de risco antes que elas aconteçam.
Um exemplo citado é a aproximação de semáforos amarelos ou cruzamentos movimentados. Em vez de acelerar, o comportamento mais seguro é reduzir a velocidade e prever possíveis frenagens bruscas ou movimentos inesperados de pedestres e outros veículos.
O mesmo vale para regiões próximas de escolas, rotatórias e ruas com grande fluxo.
Outro ponto importante é evitar trafegar nos pontos cegos dos carros ao redor. "Ser visto pelos outros motoristas pode evitar acidentes", resume.
O especialista também orienta motociclistas a ocuparem corretamente a faixa de rolamento, preferindo trafegar nas linhas onde passam os pneus dos carros, o que amplia o campo de visão e aumenta o tempo de reação.
Além disso, ele recomenda atenção constante ao entorno do veículo. "O condutor precisa pilotar olhando 360 graus, observando não só o que está à frente, mas também atrás, usando os retrovisores."
Equipamentos de proteção fazem diferença
Mesmo com pilotagem preventiva, equipamentos de proteção continuam sendo fundamentais para reduzir lesões em acidentes.
Segundo Mazzarella, o principal deles ainda é o capacete. Mas o uso correto faz diferença.
"Não basta apenas colocar o capacete. Ele precisa ser homologado, estar corretamente ajustado e com a cinta jugular presa", afirma.
A viseira fechada também é importante para proteger os olhos contra chuva, sujeira e pequenos impactos.
Jaquetas específicas para motociclistas ajudam a reduzir lesões por abrasão e impacto. O mesmo vale para luvas, botas e protetores de coluna.
"As mãos normalmente são os primeiros pontos de contato com o solo em uma queda. Por isso, as luvas são essenciais", explica.
O instrutor também reforça que o passageiro deve utilizar equipamentos completos de proteção, e não apenas o condutor.
Principais erros no trânsito
Além das condições climáticas, distrações e excesso de confiança seguem entre os fatores mais comuns em acidentes.
Para Mazzarella, a displicência ainda é um dos maiores problemas no trânsito atual.
O uso do celular ao pilotar ou dirigir, mesmo por poucos segundos, compromete o tempo de reação e reduz drasticamente a atenção ao ambiente ao redor.
Excesso de velocidade e avanço de sinal vermelho também aparecem entre as infrações mais frequentes.
"São situações totalmente evitáveis, mas que continuam acontecendo o tempo todo", afirma.
No caso específico das motocicletas, a falta de manutenção também contribui para aumentar os riscos.
Maio Amarelo reforça ações de conscientização
As orientações fazem parte das ações ligadas ao Maio Amarelo, movimento internacional de conscientização sobre segurança viária.
Criada a partir de uma iniciativa da ONU em 2011, a campanha transformou o mês de maio em referência mundial para debates e ações educativas voltadas à redução de acidentes de trânsito.
Entre as empresas que participam das ações está a Yamaha Motor do Brasil, responsável pelo Yamaha Riding Academy, programa de formação de instrutores e disseminação de técnicas de pilotagem segura criado no País ainda na década de 1990.
Segundo Rafael Lourenço, gerente de Relações Institucionais da Yamaha, a empresa mantém atualmente mais de 120 instrutores ativos em concessionárias e municípios brasileiros.
"Na Yamaha, entendemos a segurança viária como uma responsabilidade compartilhada entre iniciativa privada, poder público e sociedade", afirma.
De acordo com a fabricante, o programa impacta cerca de 20 mil motociclistas por ano por meio de treinamentos, palestras e atividades práticas. Em 2025, as ações já ultrapassaram 35 mil pessoas alcançadas.
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