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Brasileiro precisa de 9 anos de salário mínimo para comprar carro zero

Com ticket médio de R$ 169 mil, compra do carro próprio exige esforço financeiro maior no Brasil do que na maioria dos países emergentes

31 ago 2026 - 18h48
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Resumo
Estudo da Bright Consulting revela que o trabalhador brasileiro precisa de nove anos de salário mínimo (105 meses) para adquirir um carro zero médio, avaliado em R$ 169 mil. O país apresenta um dos piores índices globais de poder de compra automotivo, à frente apenas da Argentina. Esse encarecimento reflete novas exigências de segurança e emissões, maior sofisticação dos veículos e fatores econômicos como impostos elevados e o Custo Brasil.

Quem ganha um salário mínimo no Brasil precisa trabalhar por longos 9 anos — 105 meses de remuneração integral — só para conseguir pagar o ticket médio de um veículo zero-quilômetro. Isso é o que mostra o estudo feito com exclusividade pela consultoria Bright para o Jornal do Carro, considerando R$ 169 mil como valor médio.

Quando comparamos com outros países o abismo fica ainda mais evidente. Para comprar o carro médio, o consumidor precisa desembolsar 18 salários no Japão, 19 na Alemanha, 38 no Paraguai, 40 nos Estados Unidos e 69 na China. Entre os países analisados, a Argentina, com 136 meses, é a única em situação mais desfavorável do que o Brasil.

Mesmo se mudarmos a régua para o rendimento médio da população — de aproximadamente R$ 3.546,50 —, o cenário permanece indigesto: seriam necessários 48 meses de trabalho sem gastar nada. Até para levar o modelo mais barato do mercado hoje (aqui, consideramos o Fiat Mobi, por R$ 77.290), são exigidos 22 meses da renda média ou 48 salários mínimos, quatro anos inteiros dedicados exclusivamente ao carnê do carro.

Carro popular está longe de ter preço acessível

Para que um veículo fosse considerado verdadeiramente acessível no Brasil, o valor teto deveria ser de R$ 60 mil, representando 17 meses da renda média, ainda segundo levantamento da Bright Consulting para o Jornal do Carro. Isso levando em conta o cenário econômico da população.

A discrepância nem sempre foi um abismo tão profundo. Em 2013, o icônico Fiat Uno Mille saía por R$ 23.900. Na época, bastavam 15,2 salários médios para levar o modelo zerinho para casa.

Propaganda do Uno Mille chamava a atenção pelo preço
Propaganda do Uno Mille chamava a atenção pelo preço
Foto: Fiat/Reprodução / Estadão

O encarecimento reflete uma série de mudanças ao longo da última década:

  • Exigência legal de airbags e freios ABS a partir de 2014, sepultando plataformas baratas;
  • Novas regras de emissão de poluentes e maior rigor de segurança;
  • Sofisticação das cabines, com motores turbo e centrais multimídia;
  • Uma complexa cadeia que envolve o chamado "Custo Brasil", impostos, comportamento de consumo e margens de lucro.
Estadão
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