Jogamos: Lugh World mostra o toque brasileiro nos jogos de monstros colecionáveis
Inspirado em Pokémon, jogo aposta em MMO e evolução de criaturas em acesso antecipado
Depois do sucesso de Palworld, ficou cada vez mais comum ver novos jogos apostando na ideia de capturar criaturas e explorar mundos abertos com esse tipo de proposta. O gênero, que sempre teve Pokémon como principal referência, começou a receber releituras que tentam misturar elementos diferentes para se destacar.
Dentro desse movimento, chama a atenção ver um estúdio brasileiro entrando nessa disputa. Lugh World segue essa linha, mas tenta encontrar seu espaço ao combinar estrutura de MMORPG com coleta de criaturas, criando uma experiência que, mesmo familiar, busca seu próprio ritmo.
Hora de pegar os Lughs
Me surpreendi bastante ao ver que, mesmo em acesso antecipado, o jogo já traz uma narrativa por trás de todo o mundo criado. Como o próprio nome sugere, tudo gira em torno dos Lughs e da cidade de Miranda, onde passamos boa parte do tempo. Mesmo sendo uma história mais de pano de fundo, com missões que funcionam quase como um tutorial para apresentar as mecânicas, é interessante ver esse cuidado da desenvolvedora em construir algo, em vez de simplesmente largar o jogador ali sem contexto.
Olhando para a construção do mundo, ele segue uma estrutura bem próxima de muitos MMORPGs atuais, mas com criaturas que lembram animais da vida real. Os Lughs iniciais já mostram isso, com destaque para uma capivara entre as opções, e o mapa mistura vários biomas clássicos. Tem áreas com bastante vegetação, neve, deserto e outros cenários mais chamativos, mesmo com o jogo rodando no motor gráfico Unity.
Por seguir uma linha parecida com Pokémon, o combate lembra bastante os jogos mais recentes da Game Freak. Existem dois modos principais: o PvE, contra a máquina, e o PvP, com batalhas em arenas contra outros jogadores. Durante os confrontos, você pode apenas assistir seu Lugh lutando enquanto escolhe os golpes e faz ajustes no grupo quando necessário. Tudo segue uma lógica parecida com um sistema de vantagens entre elementos, como fogo, água e outros, que definem quem causa mais dano.
Também existe toda a parte de evolução dos Lughs, incluindo um sistema semelhante ao dos Eevee, com variações baseadas em elementos. Além disso, é possível usar as formas evoluídas como montaria, o que ajuda bastante na exploração de áreas mais distantes. O jogo também traz seu próprio equivalente à Pokédex, chamado de Lughpad, que é bem detalhado, mostrando linha evolutiva, fraquezas e vantagens de cada criatura.
Entre os pontos que incomodam, a interface acaba sendo exageradamente espaçosa, até mesmo para o padrão de MMORPG. Jogando em uma tela menor, isso fica ainda mais evidente, já que elementos como comandos, inventário e nível do personagem ocupam mais espaço do que deveriam. Chega a ser curioso ver até um botão de desligar com o símbolo clássico de notebook, tudo em um tamanho maior do que o necessário.
Por ainda estar em acesso antecipado, alguns problemas são compreensíveis. Em certos momentos, a trilha sonora simplesmente desapareceu, sem nem mesmo o som ambiente continuar, o que me obrigou a reiniciar o jogo. Também tive situações em que Lughs que apareciam à distância, sumiam ao me aproximar. São falhas que incomodam, mas que podem ser ajustadas com atualizações futuras.
Considerações
Mesmo em acesso antecipado, Lugh World já mostra uma base interessante, principalmente pelo cuidado em criar um mundo com identidade própria e sistemas que conversam bem entre si. Ainda existem problemas técnicos e escolhas de interface que incomodam, mas nada que fuja do esperado para esse estágio de desenvolvimento.
Se conseguir ajustar esses pontos e continuar expandindo o conteúdo, tem potencial para crescer dentro desse tipo de proposta. Para quem gosta de capturar criaturas, evoluir times e explorar mapas variados, já é uma experiência que vale a curiosidade.
Lugh World está disponível em acesso antecipado para PC.
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