Echoes of the End: uma estreia promissora, mas em busca de identidade
Jogo traz uma aventura linear sólida, ideal para quem busca uma pausa dos mundos abertos e soulslikes
Publicado pela Deep Silver e desenvolvido pelo estreante estúdio islandês Myrkur Games, Echoes of the End chega com a responsabilidade de apresentar ao mundo a identidade criativa do time e, ao mesmo tempo, sustentar-se em um mercado dominado por gigantes.
Em produção desde 2016, o título não só marca o primeiro passo do estúdio, como também traz a atriz islandesa Aldís Amah Hamilton no papel principal — conhecida na série O Assassino de Valhalla (Netflix) e no papel de Astrid em Senua’s Saga: Hellblade II. Agora, ela assume a identidade de Ryn, uma guerreira que habita um mundo de fantasia inspirado na Islândia medieval e na atmosfera da era viking.
Logo de cara, é impossível não notar a tentativa do estúdio de dialogar com obras maiores do gênero, como God of War. A inspiração está presente, mas o jogo trilha um caminho mais contido e intimista, resultando em uma aventura sólida, embora sem o mesmo brilho cinematográfico de seus “irmãos mais velhos”.
Confira a seguir aqui no Game On o que achamos desse nova aventura islandesa.
Jornada linear com toques familiares
A narrativa se desenvolve em torno da jovem Ryn, uma “vestigial” habilidosa (uma espécie de feiticeira) que viaja com o meio-irmão mais novo para conter uma invasão em seu reino, ambientado em um mundo de fantasia medieval bastante clássico.
O enredo rapidamente toma rumo quando surge o vilão Aurick e sua poderosa (e bela) aliada vestigial Zara, que sequestram o irmão da protagonista. A partir daí, entra em cena Abram Finlay, um estudioso mais velho que se une a Ryn em sua busca de resgate.
Ainda que o enredo siga a cartilha de clássicos da fantasia — heroína durona, mentor sábio, vilã instável —, a progressão da história é relativamente previsível e carece de momentos de impacto.
A dinâmica entre Ryn e Abram lembra a de Kratos e Atreus em God of War, mas aqui sem o mesmo peso dramático ou a riqueza cinematográfica — e reforçam a sensação de que já vimos tudo isso antes.
Magia e quebra-cabeças bem bolados
O ponto mais interessante da experiência está no equilíbrio entre combates simples e quebra-cabeças ambientais criativos. A linearidade, que poderia ser um problema, acaba funcionando como um diferencial em tempos de mundos abertos intermináveis ou complexos souslikes - que parecem ser os gêneros dominantes atualmente. Echoes of the End é direto, objetivo e não exige centenas de horas para ser apreciado, apresentando uma jornada com 10 capítulos e com cerca de 15 horas de duração.
Os desafios de lógica são variados, e a presença de ilusões, manipulação de cenários e até a possibilidade de caminhar em paredes e tetos trazem frescor ao design de fases. O parceiro de viagem não é apenas figurativo: ele auxilia nas soluções dos enigmas e também em combate, com comandos dedicados que remetem novamente à fórmula de God of War com Kratos e Atreus.
O sistema de magia se destaca ao oferecer poderes que lembram habilidades da franquia Star Wars Jedi, como empurrar inimigos, arremessar a espada como um bumerangue ou manipular objetos com força cinética, ao melhor estilo Darth Vader.
O gerenciamento de vigor limita o abuso desses recursos, mas a combinação entre ataques físicos e mágicos resulta em batalhas dinâmicas o suficiente para manter o jogador engajado.
Os combates começam básicos, mas ganham profundidade com a progressão da árvore de habilidades, trazendo uma mistura de ataques com espada e magias que geram bons momentos, especialmente com a possibilidade de coordenar ataques com o companheiro de jornada.
Beleza visual sem assinatura própria
No campo técnico, o jogo impressiona pelo uso da Unreal Engine 5. As paisagens são belíssimas, os modelos dos personagens têm boa qualidade e a dublagem entrega sotaques que reforçam a ambientação nórdica. Porém, a falta de identidade pesa. Apesar do capricho gráfico, Echoes of the End parece genérico: os cenários poderiam pertencer a qualquer outra obra do gênero sem causar estranhamento.
Além disso, problemas técnicos se fazem presentes. Há animações rígidas, texturas que demoram a carregar, falhas de sincronização labial e comandos que ocasionalmente não respondem com precisão. São detalhes que não comprometem totalmente a experiência, mas reforçam a sensação de um título “AA”: bem-intencionado, mas limitado.
Um ponto positivo para o público brasileiro é a localização para o português (textos, menus e legendas). No entanto, faltou uma opção simples, mas importante: aumentar o tamanho das legendas, pois achei elas muito pequenas. Para um jogo que depende bastante de diálogos, isso pode incomodar jogadores que preferem acompanhar o texto.
Considerações
Echoes of the End é uma estreia sólida, ainda que longe da excelência. Cumpre seu papel de apresentar a Myrkur Games ao mundo, entrega visuais impactantes, quebra-cabeças envolventes e uma campanha direta, ideal para quem busca uma pausa de experiências com mais de 100 horas de duração. Por outro lado, tropeça na previsibilidade da narrativa, na falta de identidade artística e em alguns problemas técnicos.
É o típico caso de um título AA que mostra o potencial de um estúdio em ascensão. Se este é apenas o primeiro passo da Myrkur Games, vale a pena ficar de olho nos próximos capítulos dessa nova e promissora voz que surge no cenário dos games.
Echoes of the End está disponível para PC, PlayStation 5 e Xbox Series X|S.
Esta análise foi feita no PlayStation 5, com uma cópia gentilmente cedida pela Deep Silver.