Touro brasileiro e americano: veja o mais difícil de montar
A primeira competição nos Estados Unidos deixou Edimundo Gomes, campeão brasileiro de montaria em touros de 2008 pela PBR (Professional Bull Riders), com a pulga atrás da orelha. Em dez montarias, permaneceu os oito segundos em cima do animal em apenas duas. O motivo? Os bois americanos.
"O touro americano é mais pesado, mais forte e mais preparado para o rodeio do que o touro brasileiro", afirma o peão de Atibaia (SP). A explicação, segundo o atleta, está na genética. Nos EUA, são misturadas as raças de animais bons de pulo. "Eles 'cruzam' a raça dos touros pela genética. A probabilidade de dar certo no rodeio é de 90%", conta. No Brasil, o trabalho de laboratório ainda é recente.
A diferença entre as feras da arena não acaba aí. De acordo com o competidor, os animais americanos se movimentam mais com a parte da frente do que com a de trás. "Isso afasta o peão da corda, dificultando o equilíbrio", diz. O boi nacional faz o oposto: "ataca" mais com a anca, o que não deixa de ser um desafio para o competidor.
Além disso, o tipo americano é mais baixo, musculoso e tem o tamanho menor, ou seja, três problemas para quem não está acostumado ao estilo. "A gente tem de apertar a corda o dobro, senão ela gira", explica. "Por ter o tamanho menor, sobra menos espaço para manter o equilíbrio", completa o campeão brasileiro, já adaptado com as mudanças.
Aliás, a adaptação varia para cada atleta. "Tem gente que chega nos EUA e dá certo logo de cara. Tem gente que demora mais de dois meses", afirma. O brasileiro mesmo demorou quase dois meses para se acostumar com as feras americanas. Uma delas, da qual considera o mais difícil desafio no exterior, foi contra Code Blue. "Muito mais rápido e forte que os animais brasileiros, fiquei só seis segundos em cima dele", conta.
Para Gomes, o animal a ser batido no momento no Brasil é o touro Agressivo, do qual enfrentou neste ano e caiu aos seis segundos. "O Agressivo é maior e mais forte que os outros touros brasileiros. Além disso, tem bastante 'explosão'", explica.