Goleiro do Sampaio lembra Juca Baleia e aposta em surpresa
Depois de 22 anos, Palmeiras e Sampaio Corrêa voltam a decidir vaga na Copa do Brasil; Rodrigo Ramos, goleiro do time maranhense, relembra lendário Juca Baleia e promete time aplicado para buscar classificação
Palmeiras e Sampaio Corrêa se enfrentaram pela Copa do Brasil de 1992, ainda pela primeira fase do torneio. O time paulista levou a melhor nos dois jogos, vencendo por 1 a 0 no Maranhão e por 4 a 0 em São Paulo. Mesmo derrotado naquela ocasião, o time de São Luís apresentou ao Brasil um personagem de destaque, figurinha carimbada no folclore do futebol nacional: o goleiro Juca Baleia, célebre por atuar com mais de 100 kg.
Apesar dos quilos a mais, o então goleiro não decepcionou, mostrando elasticidade e bom posicionamento. Agora, passados quase 22 anos daqueles confrontos de julho de 1992, caberá a outro goleiro (em melhor forma física) tentar classificar o Sampaio Corrêa, em confronto nesta quarta-feira pela Copa do Brasil: Rodrigo Ramos, de 1,83 m e 78 kg. É ele que tentará fechar o gol no Estádio do Pacaembu para defender a vaga da equipe maranhense, que levou a melhor no confronto de ida por 2 a 1, em São Luís.
“Eu tenho o Juca como um amigo pessoal aqui. Lembro muito bem quando era criança, ouvia falar no Juca Baleia, até pelo fator do peso. É um grande amigo. Mesmo naquele ano, com o Palmeiras vencendo por 4 a 0, ele teve um destaque na profissão dele”, comentou Rodrigo Ramos, em entrevista por telefone ao Terra, animado com o reencontro com o Palmeiras. “Espero ter esse destaque, atuar da forma brilhante como ele atuou, não tomar os quatro gols, e voltar classificado”, completou o goleiro, brincando com o placar adverso de 1992.
A vitória sobre o Palmeiras no primeiro confronto entre os dois times pela Copa do Brasil de 2014 deu esperanças ao elenco do Sampaio Corrêa. Por isso, para Rodrigo, é importante manter a aplicação tática da partida de ida para tentar buscar um resultado novamente positivo. O Sampaio Corrêa, “a Bolívia querida de maior torcida” do Maranhão, avança com vitória, empate ou perdendo por um gol de diferença, desde que marque pelo menos dois gols – 3 a 2, 4 a 3, 5 a 4 e daí em diante.
“Nesse primeiro jogo, o Sampaio se empenhou bastante na questão tática que o professor Flávio (Araújo) colocou para equipe. Fomos muito felizes, esperando o Palmeiras, esperando os contra-ataques. Essa foi a tônica, principalmente do primeiro tempo. No segundo tempo, o Palmeiras saiu na frente (gol de Henrique), mas tivemos tranquilidade, estávamos bem na partida, e tivemos tranquilidade para conseguir a virada”, analisou, lembrando os gols de Edimar e Edgar que asseguraram a vitória. “O Palmeiras ofereceu perigo, principalmente a partir do primeiro gol. Mas nós soubemos nos defender muito bem.”
As diferenças entre o jogo de 1992 e o de 2014 são muitas, evidentemente, mas a situação do Sampaio Corrêa é a principal delas. Derrotado em casa há 22 anos, o time chega a São Paulo desta vez com um passo à frente na briga pela classificação. Assim, segundo Rodrigo Ramos, os maranhenses viajam “esperançosos” na disputa contra o Palmeiras, acreditando na classificação para a próxima fase da Copa do Brasil.“Eu garanto para você que todos nós vamos sair daqui muito esperançosos. Não só nós, mas toda a torcida. O jogo vai ser mostrado ao vivo para o estado, para o Brasil inteiro. Há um clima muito bom. Temos a esperança de classificar pelo empate, vencendo, até mesmo perdendo. Não tem isso de jogar e perder de pouco em São Paulo”, diz Rodrigo, que aposta no talento de seus companheiros e na velocidade dos contra-ataques para frustrar os palmeirenses.
“Temos jogadores rápidos na frente. Vai ser um jogo do ataque do Palmeiras e nós nos defendendo, no contra-ataque. Temos jogadores rápidos na frente - o Waldir, o Pimentinha, o Edgar (todos atacantes). No contra-ataque, podem decidir o jogo. Além disso, temos as bolas paradas”, completou.
Ainda assim, Rodrigo Ramos faz uma avaliação em tom de alerta para os perigos que o Palmeiras oferecerá nesta quarta-feira, no jogo da volta, às 22h (de Brasília), no Estádio do Pacaembu. Mesmo sem Valdivia, já apresentado à seleção do Chile para a Copa do Mundo, o goleiro do Sampaio Corrêa prevê perigo com jogadores do clube paulista, como o meia Mendieta (candidato a substituir o chileno) e o atacante Leandro.
“O Palmeiras vai vir com tudo para cima. Primeiro, é suportar essa pressão inicial – o Palmeiras vai querer decidir o jogo no primeiro tempo, precisa de 1 a 0 simples apra classificar. Mas temos que ser um time aplicado taticamente, como foi no primeiro jogo. Nossa equipe tem característica pra jogar no contra-ataque”, afirmou, elogiando o rival do meio da semana. “O conjunto do Palmeiras é muito forte”, acrescentou.