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Opinião: discurso de Neymar faz sentido, mas atos do craque contradizem "psicológico forte"

Craque tem um sucesso inegável, mas ainda sucumbe a provocações bobas e deixa a desejar em posicionamentos contundentes

5 ago 2026 - 12h15
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Neymar comemora gol do Santos
Neymar comemora gol do Santos
Foto: Neymar comemora gol do Santos ( Raul Baretta/ Santos FC) / Gávea News

Na chegada ao seu leilão beneficente, Neymar disse que a imprensa ainda adoeceria algum atleta, por promover críticas duras e, algumas vezes, infundadas. Ele tem razão, a saúde mental é um debate fundamental no esporte de alto rendimento. Mas completou o discurso dizendo que ele tem um “psicológico bem forte”. Será?

Neymar é um dos maiores craques do século 21. É fato que só não ganhou uma Bola de Ouro porque teve a “infelicidade” de ser contemporâneo de Lionel Messi e Cristiano Ronaldo. É o maior artilheiro da história da Seleção Brasileira, campeão de Libertadores, Liga dos Campeões, camisa 10 em quatro Copas do Mundo, astro dentro e fora de campo, uma máquina de fazer dinheiro. Ainda assim, deixa-se abalar não só com as críticas da imprensa, mas com as provocações da torcida... do Remo.

Usando aqui a mais desrespeitosa das expressões respeitosas, mas “com todo o respeito ao Remo”, o clube, que está de volta à Série A após três décadas, hoje definitivamente está longe da prateleira dos grandes do futebol nacional.

Neymar argumenta que foi chamado de “vagabundo”. É o tal “não tenho sangue de barata”. Mas ele sabe que não é vagabundo. Ele sabe tudo que conquistou, sabe aonde chegou. Sabe seu tamanho. Então que “psicológico forte” é esse, que o faz sucumbir assim tão facilmente, do alto de 34 anos bem vividos e de sucesso inegável?

Neymar provoca confusão e é chamado de 'vagabundo' por presidente do Remo:

Não é a primeira vez. Em 2025, na mesma Copa do Brasil, Neymar discutiu com torcedores do CRB. Meses antes, provocado pela torcida da Inter de Limeira, retrucou em direção aos torcedores ao fazer um golaço olímpico. Precisava?

Neymar tem muita razão quando compartilha um texto que diz que “existe uma facilidade enorme em criticar quem ou que está em evidência” e que “há uma diferença enorme entre crítica e perseguição”. É fato que o posicionamento político de Neymar e seu não alinhamento a pautas ou bandeiras – um pouco de covardia, é verdade – lhe trazem muito menos condescendência da imprensa do que a Vini Jr, por exemplo. Ambos fazem propagandas de casas de apostas. Ambos se mandaram da Copa do Mundo para férias glamurosas. Mas há duas medidas no tratamento para a dupla.

Mas Neymar tem todo um discurso preparado e ainda não consegue reverter em gestos. Seu leilão, por exemplo, teve mais repercussão por ser na véspera de um jogo decisivo do Santos do que pela importância social que tem. Seu profissionalismo durante a Copa, tão elogiado por Carlo Ancelotti, deixou a desejar quando ele passou 40 dias com a Seleção sem falar nenhuma vez em entrevista coletiva, sobretudo no fatídico dia da eliminação precoce para a Noruega. Seu posicionamento nas redes sociais também poderia ser mais discreto do que provocações ou reações infantis às que ele sofre.

Talvez falte a Neymar, um homem de 34 anos, ter pessoas que lhe digam verdades. Que o ajudem a se poupar de polêmicas tão desnecessárias. Sabe aquela pessoa para dizer “amigo, não vai por esse caminho”? Essa mesmo que falta.

Neymar desabafa após polêmica em campo: 'Existe diferença entre crítica e perseguição':
Fonte: Portal Terra
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