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Mestre do xadrez vê Brasil 'estagnado' e internet como aliada para popularizar esporte

Krikor Sevag Mekhitarian representou o Brasil na Copa do Mundo do jogo de tabuleiro

7 nov 2025 - 04h59
(atualizado em 7/11/2025 às 10h11)
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Krikor Mekhitarian ao Terra: a Copa do Mundo de xadrez, cenário do esporte no Brasil e os treinos:

Os brasileiros já contam os dias para a Copa do Mundo de 2026 nos Estados Unidos, Canadá e México, mas poucos sabem que uma outra Copa, muito grande, começa já neste sábado, 1º: a de xadrez. O país tem três representantes em um dos maiores torneios do esporte, e um deles, Krikor Sevag Mekhitarian, contou ao Terra sobre a preparação para a competição e o que ela representa no circuito.

O título mundial do xadrez é uma espécie de “cinturão”. O vencedor da Copa do Mundo não é o campeão oficial, mas sim se classifica a um campeonato chamado “Torneio de Candidatos”, o qual seu ganhador qualifica-se para desafiar o soberano no esporte, que atualmente é o indiano Dommaraju Gukesh (que também participa da Copa), mas que foi por dez anos o famoso norueguês Magnus Carlsen.

Krikor Sevag Mekhitarian vai representar o Brasil na Copa do Mundo de xadrez
Krikor Sevag Mekhitarian vai representar o Brasil na Copa do Mundo de xadrez
Foto: Arquivo pessoal

Apesar de ser referência na América do Sul, o Brasil ainda não está entre as melhores nações do xadrez mundial, mas vive um aumento de popularidade especialmente pelos vídeos sobre o esporte no YouTube. Um deles é o de Krikor, que além de ser o quinto do ranking brasileiro, com 2545 de rating, é talvez o atleta nacional mais famoso na rede social, com mais de 300 mil inscritos.

“O xadrez profissional mudou muito desde que eu comecei a jogar. A internet mudou muito a situação, para melhor”, conta ele ao Terra, apontando que o nível técnico, porém, estaria ‘estagnado’. “A gente não tem visto muita evolução”. Questionado sobre o que falta para uma mudança nesse sentido, ele cita a Índia, país do atual melhor do mundo.

“Por lá, eles tiveram campeão de sucesso nos anos 1990 e, aos poucos, começou a levantar recursos. Esse cara virou ídolo na Índia”, disse. Krikor refere-se a Viswanathan Anand, pentacampeão mundial que só perdeu o reinado para Carlsen, em 2013, considerado por muitos o maior da história do esporte.

O problema que o xadrez enfrenta no Brasil é o mesmo de várias modalidades que não sejam futebol ou outra de muito apelo popular. “Ainda não é muito cultural, por mais que esteja mais popular”, pontua o profissional, sem deixar de ver um cenário de esperança. “Tem muito projeto em escolas públicas e particulares e tem evoluído bastante”.

Krikor Sevag Mekhitarian é popular nas redes sociais
Krikor Sevag Mekhitarian é popular nas redes sociais
Foto: Arquivo pessoal

Investimento no xadrez e como custear o esporte

O xadrez é um esporte de equipamento simples: basta ter um tabuleiro e as peças, e não precisa ser nada muito refinado; então, jogar sem compromisso não é caro, mas a história muda quando trilha-se o caminho competitivo.

Ao registrar-se como profissional, o enxadrista pode credenciar-se a títulos, que são: Candidato a Mestre (CM), Mestre Fide (FM), Mestre Internacional (IM) e Grande Mestre (GM). Todos eles dependem do chamado ‘rating’, que é a pontuação acumulada de desempenho do jogador e de cumprir normas.

Para se ter uma ideia da dificuldade, os requisitos para se tornar GM são: ter um rating de, no mínimo, 2500 e três normas em torneios da Federação Internacional de Xadrez (FIDE), que correspondem a ter performance de nível 2600 em torneios com no mínimo nove rodadas e com outros grandes mestres na disputa. Atualmente, há cerca de somente 2000 grandes mestres no mundo todo - e no Brasil, só 15, incluindo Krikor, que conquistou o título em 2010, quando tinha 24 anos. E para disputar esses torneios, você mesmo tem que custear suas passagens, hospedagens e outros gastos.

Krikor Sevag Mekhitarian posa com título
Krikor Sevag Mekhitarian posa com título
Foto: Arquivo pessoal

Muitos passam a vida inteira competindo profissionalmente e não conseguem nem mesmo virar Mestre Internacional, que é quando o xadrez passa a dar um bom retorno financeiro, segundo o entrevistado. “Ali, você já consegue ser chamado para eventos, com facilitadores e condições oferecidas pelos organizadores”, conta.

“Quando você pega essa primeira credencial, começa já a premiar bem nas competições e a receber convites melhores. Pode representar uma cidade nos jogos abertos de São Paulo, de Santa Catarina, por exemplo, e a fazer alguns contratos em que recebe salário”, segue Krikor.

No Brasil, há o título não oficial de Mestre Nacional (MN), que não tem um requisito mínimo como os outros, já que fica ao critério das competições e da própria organização do xadrez nacional. Um jogador de 1500 de rating, por exemplo, já poderia ser entitulado dependendo da situação.

As características dos melhores do mundo

Com a tecnologia de hoje em dia, é possível saber a precisão dos jogadores ao final de uma partida de xadrez, que é simplesmente a contagem de quantas vezes eles acertaram os melhores lances ou mesmo jogadas que, ainda que não fossem as melhores, os deram alguma vantagem. Em jogos de grandes mestres, essa precisão muitas vezes beira os 99% ou 98%.

Krikor está incluso nisso. Em fevereiro deste ano, quando disputava o Zonal 2.4, torneio classificatório à Copa do Mundo, fez uma partida em que encontrou quatro lances brilhantes - como denominado pelas máquinas - contra o GM Everaldo Matsuura. Para efeito de comparação, já é raro ter um brilhante mesmo no xadrez profissional.

E quem acompanha o jogador nas redes sociais sabe que é comum mais de 90% de precisão em seus jogos - não somente ele, os GMs e mesmo IMs de modo geral conseguem manter essa média. Então, por que o Brasil nunca teve um campeão mundial se alcança performances do tipo?

A chave é a consistência, diz Krikor. Os melhores do planeta, que tem rating de 2700 para cima, ‘beiram a perfeição’ com muito mais frequência do que os outros. E isso pode ser visto na própria classificação mundial até novembro deste ano: entre os brasileiros na Copa do Mundo, Luis Paulo Supi é o que tem maior rating, com 2575, enquanto Carlsen, o número um, tem 2839 e o vice-líder, Hikaru Nakamura, marca 2813.

Fonte: Portal Terra
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