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Lutas

Faixa-preta de kickboxing supera depressão, volta a dar aulas e faz sucesso na Zona Sul do Rio

4 mar 2022 - 15h42
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A graduação em uma arte marcial vai além de um pano preto amarrado na cintura ou uma cordinha escura no braço: ela dá a oportunidade de ter uma profissão. Na pandemia, muitos faixas e graus pretos tiraram o kimono e as luvas da gaveta para voltarem a dar aula para complementar a renda, já que o número de desemprego atingiu números alarmantes.

Fábio "Fox" entre os filhos - e incentivadores -, Leticia e João Miguel (Foto: Arquivo Pessoal)
Fábio "Fox" entre os filhos - e incentivadores -, Leticia e João Miguel (Foto: Arquivo Pessoal)
Foto: Lance!

Um exemplo disso é o professor de kickboxing Fábio Barbosa, o "Fox", de 43 anos, que estava afastado dos tatames há mais de uma década. Durante esse período, o carioca se especializou em vendas e passou a tirar seu sustento em lojas. Porém, foi um dos milhões de pessoas que ficaram desempregadas na pandemia.

Os primeiros capítulos dessa história foram um verdadeiro terror para o faixa-preta.

"Me vi soterrado de contas, aluguel atrasado, passei a me julgar, entrei num inferno astral, perdi a confiança. Entrei numa depressão profunda. Perdi a fé. Fiquei uma semana dentro do quarto, sem ver ninguém, sem ver nada. Fiquei sem perspectiva de vida", narra.

"Até que a minha filha entrou no quarto, me viu naquela situação, eu desabei em lágrimas, contei para ela o que estava acontecendo, que eu estava sem trabalho, sem dinheiro… o que ela fez: pegou o porquinho dela cheio de moedaS e me deu para 'pagar as contas'."

Fábio "Fox" alega que a atitude da filha soou como um corner gritando para seu lutador levantar após receber um golpe. E, neste caso, ele seguiu a instrução do treinador, ficou de pé, mordeu o protetor e voltou para a luta.

"Ali foi a virada. Eu vi que o que realmente importava estava ali, que eram meus filhos, minha esposa, minha família, todos com saúde. Eu estava preocupado com as contas. Claro que a gente tem que se preocupar, mas não viver exclusivamente para isso", lembra.

Depois desse choque de realidade, o kickboxer pegou sua bicicleta e foi à luta trabalhar como entregador. Durante os momentos livres, voltou a treinar. Até que um amigo, chamado Leo Neves, ao ver um desses treinos, pediu para ter aula com ele.

Curiosamente, Neves é videomaker e o ajudou produzindo um vídeo para o Instagram. Em pouco tempo, "Fox" já estava com cinco alunos. Agora, pouco mais de dois anos depois, ele está com 10, que é o máximo que ele suporta devido à rotina. Tijucano, ele pedala até a Zona Sul do Rio para dar aula.

"Trabalhar e ganhar dinheiro com a coisa que você ama, que você acredita, que muda a vida das pessoas é bom demais. Eu mostro aos meus alunos que a luta vai além das técnicas, ela envolve toda uma filosofia, respiração, autoconhecimento", destaca.

"Fox" ainda não consegue viver exclusivamente das aulas, mas o cenário já é totalmente diferente daquele caos do início da pandemia. Ele concilia a rotina como professor de kickboxing e vigia de um prédio durante a madrugada.

Além disso, ele conseguiu retomar a faculdade de educação física. Segundo ele, o objetivo para os próximos anos é se formar e poder implementar sua metodologia de treinos para mais alunos, inclusive com aulas on-line, setor que cresceu bastante durante a pandemia.

Siga Fábio "Fox" no Instagram: @cla_do_fox.

Lance!
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