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Futebol

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Você sabe avaliar quem está jogando bem na Copa? Especialistas dão dicas

Treinadores e analistas mostram sinais que o torcedor deve observar para avaliar melhor o desempenho dos atletas

11 jul 2026 - 10h15
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Nem sempre o melhor jogador de uma partida é quem faz o gol ou dá uma assistência. O bom desempenho de atacantes, meias e até defensores numa Copa do Mundo passa pela movimentação sem a bola, posicionamento, pressão na marcação, tomada de decisão e a capacidade de jogar pelo time.

Essa é a avaliação de especialistas ouvidos pelo Estadão sobre dicas para o torcedor entender melhor a influência de cada jogador dentro de uma equipe.

Para Roger Machado, ex-treinador do São Paulo, o futebol de alto nível exige muito mais do que números. "Vale observar o que o atleta faz quando não está com a bola. Como ele ocupa os espaços, se participa da pressão, como reage quando a equipe perde a posse e se ajuda os companheiros defensiva e ofensivamente", afirma.

Segundo o treinador, "um passe simples no momento certo, um bom posicionamento ou uma movimentação para abrir espaço têm tanto impacto quanto um lance decisivo".

Roger foi anunciado pelo São Paulo no dia 10 de março e deixou o clube no dia 13 de maio. Agora, está livre no mercado.

A análise é compartilhada por profissionais de diferentes áreas do futebol. "Para o torcedor comum, é mais a tomada de decisão do jogador quando a bola passa pelo pé dele. Sem a bola, vale observar como ele pressiona, marca e disputa os duelos", diz o analista de desempenho Raony Siqueira, do Corinthians.

William Batista, técnico da equipe sub-20 também do Corinthians, recomenda que o torcedor "tire o olho da emoção". "Quando consegue olhar para as coisas mais simples do jogo, como um passe de primeira ou um bom domínio, ele percebe jogadores que, por vezes, são coadjuvantes, mas tão importantes quanto os protagonistas."

Outro aspecto destacado é a força mental. Para Ademir Fesan, técnico da Portuguesa SAF, a personalidade faz diferença em torneios curtos e de alta pressão. "Conta muito a força mental em uma Copa", resume.

Na avaliação de Henning Hauam Almeida, analista de desempenho do mesmo clube, também merece atenção a reação dos atletas após a perda da posse de bola. "O jogador que reage rápido, cobre espaços vulneráveis ou influencia na recuperação da bola pode ser tão valioso quanto quem participa dos gols".

Para Thiago Freitas, COO da Roc Nation Sports no Brasil, empresa que gerencia a carreira de centenas de atletas, entre eles 10 que estão na Copa do Mundo, os indicadores também variam conforme a posição em campo:

  • zagueiros podem ser avaliados por antecipações e duelos aéreos;
  • laterais, pelas entradas no último terço do campo;
  • meio-campistas, por passes entre linhas e verticais;
  • atacantes, pelo sucesso em dribles seguidos de ações que mantêm a posse de bola, além da intensidade dos deslocamentos durante a partida.

Independentemente da posição, a recomendação dos especialistas é a mesma: olhar além da bola.

"Embora pareça complexo no início, uma dica prática é consultar sites e aplicativos gratuitos que exibem os mapas de calor logo após o apito final. Eles ajudam a compreender visualmente a movimentação coletiva necessária para que um gol aconteça", recomenda Iury Cesar Alves, analista de Desempenho da Portuguesa SAF.

Quais nomes chamam atenção

Se as grandes estrelas monopolizam os holofotes, vários jogadores estão sendo apontados por treinadores e analistas como destaques da Copa pelo impacto coletivo.

Entre eles está o volante marroquino Ayyoub Bouaddi, de apenas 18 anos, citado por vários especialista pela capacidade de controlar o meio-campo, conectar defesa e ataque e manter alta intensidade durante os jogos. Isso ficou claro no empate diante do Brasil logo na estreia.

Alves cita um jogador que não está entre os titulares de sua seleção. "Outro nome de impacto é Johan Manzambi, da Suíça, que se consolidou como a definição perfeita do "12º jogador", sendo decisivo vindo do banco de reservas", diz o especialista.

Na América do Sul, aparecem o colombiano Daniel Muñoz, elogiado pelo equilíbrio entre apoio ofensivo e solidez defensiva, e o atacante marfinense Yan Diomandé, que vem confirmando o bom momento vivido no futebol alemão.

Mesmo entre atletas mais conhecidos, os analistas ressaltam o valor daqueles que acumulam funções em diferentes momentos do jogo. Casos dos brasileiros Lucas Paquetá, Matheus Cunha, e dos argentinos Rodrigo De Paul e Lautaro Martínez, elogiados pela capacidade de contribuir tanto ofensiva quanto defensivamente e de dar equilíbrio às suas seleções.

O goleiro Vozinha, de Cabo Verde, também figura entre os destaques pela regularidade e pelas atuações decisivas, como no empate diante da Espanha.

Também entraram na lista o lateral-esquerdo australiano Jordan Boss, reconhecido pela condução de bola e capacidade ofensiva, e o norte-americano Alex Freeman, que tem se destacado pela força física e pelo jogo associativo.

Estadão
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