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Um erro assumido, duas correções de rota e um recado para Vini: o que podemos tirar das entrevistas de Ancelotti

Técnico apontou a necessidade de renovação da Seleção, mas poderia ter colocado em prática já em 2026

31 jul 2026 - 11h59
(atualizado às 12h10)
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Carlo Ancelotti concede entrevista para a CBF TV
Carlo Ancelotti concede entrevista para a CBF TV
Foto: Divulgação/Fabio Souza/CBF

Depois de ser eliminado da Copa do Mundo no dia 5 de julho e se mandar para o Canadá, Carlo Ancelotti voltou ao Brasil nesta semana e, na quarta-feira, 29, concedeu entrevistas para quatro veículos de imprensa: ESPN Brasil, Globo, Metrópoles e Associated Press. Sempre comedido, mas com clareza nas convicções, o técnico italiano mostrou vulnerabilidade ao admitir grande frustração naquela derrota para a Noruega.

Nas entrevistas, Ancelotti verbalizou apenas um erro: mexeu mal na estrutura do time naquele dia que todos queríamos esquecer. Não por colocar Neymar, mas por tirar Rayan e mover Endrick para a ponta direita. “Perdemos o controle do jogo”, reconheceu.

O Brasil perdeu o controle de seu futebol bem antes, e faltou a Ancelotti reconhecer outras falhas no seu primeiro ano frente à Seleção Brasileira, que até ia bem até a Copa. Pedir a cabeça do italiano é simplista demais, ainda mais se pensarmos quem seria um bom técnico para a Seleção neste momento. Aparentemente, agora sim Ancelotti tem um plano, mas ele já poderia ter colocado em prática ainda para a Copa de 2026.

Passagem para os jovens, adeus para os veteranos

Nas entrevistas, Ancelotti agradeceu a jogadores como Casemiro (34 anos) e Danilo (35), mas confirmou que o ciclo deles na Seleção acabou. Faltou reconhecer que eles sequer deveriam ter sido chamados em 2026. Não tanto pela idade, mas pelo que apresentavam em seus clubes.

Casemiro deixou a desejar na Copa do Mundo
Casemiro deixou a desejar na Copa do Mundo
Foto: THIAGO RIBEIRO/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA / Estadão

Casemiro, que foi espetacular nos tempos de Real Madrid, caiu muito de produção nos últimos anos e foi chamado mais pelos tempos áureos que dividiu com Ancelotti no time espanhol do que pelo que realmente vinha fazendo. E Danilo, o primeiro convocado, foi selecionado pela personalidade que tem, e não pelo futebol que ficou no passado.

Quando diz que os jogadores acima dos 30 anos não devem continuar, com exceção de Marquinhos (32) e, talvez, Alisson (33), Ancelotti desvirtua o que ele mesmo fez naquela convocação de 18 de maio, quando chamou 12 jogadores acima dos 30 anos. Ederson (32), Weverton (38) e Alex Sandro (35) nem entraram. Fabinho (32) substituiu bem Casemiro, mas sem causar grandes palpitações. Neymar (34) é um capítulo à parte. Apenas Douglas Santos (32) realmente se salvou, além da dupla que deve continuar.

Por outro lado, Ancelotti diz que já está em contato com os treinadores das categorias de base da Seleção, com vistas para a Olimpíada de 2028 e a Copa de 2030. É verdade, 1 ano era muito pouco para acompanhar de perto jovens jogadores. Mas assim como apostou em Rayan, faltou a Ancelotti testar outros nomes mais novos, ou confiar que poderiam entregar algo a mais do que seus veteranos.

A busca por meias e laterais

Os problemas crônicos de formação de jogadores no Brasil se materializaram na Copa: a falta de camisas 10 armadores e laterais de ofício. Ancelotti reconheceu isso. Mas o Brasil jogou a Copa sem lateral-direito. E com um lateral-esquerdo reserva de 35 anos. O problema está na formação, mas piorou naquela convocação capenga.

Brasil jogou a Copa com dois laterais-direitos que não atuam na posição: Danilo (foto) e Ibañez
Brasil jogou a Copa com dois laterais-direitos que não atuam na posição: Danilo (foto) e Ibañez
Foto: Lucas Figueiredo/CBF/Divulgação / Estadão

Por que esquecemos de Yan Couto, Vanderson, Paulo Henrique, Luciano Juba? Por que Kaiki Bruno só apareceu na última convocação, e não foi pra Copa? Por que Matheuzinho e Matheus Bidu não foram testados? Por que mais de 20 jogadores de lateral foram convocados ao longo de quatro anos, e optamos por levar dois veteranos, um deles que sequer joga na posição? Por que não testamos de verdade Matheus Pereira, Andreas Pereira, Andrey Santos para o meio? Que bom que Ancelotti quer rever isso. Que pena que é só agora.

E não, nenhum deles tem o nível de Cafu nem Roberto Carlos. Mas é melhor um jogador de ofício mediano do que um improvisado.

Ouviu, Vini?

Uma resposta de Ancelotti na entrevista ao Metrópoles tinha um recado. Não foi direto, não foi um chamado, mas ficou ali nas entrelinhas. Quando questionado sobre quem será o líder da nova Seleção, o técnico não citou nomes, além da permanência de Marquinhos. Mas destacou que jogadores que estiveram nas últimas duas Copas precisam chamar a responsabilidade.

Em 2026, ficou claro que faltou isso a Vini Jr. e Raphinha, os dois grandes nomes da seleção quando falamos de clubes. Quando mudou de posição, Vini enfileirou gols na primeira fase da Copa. Mas quando teve que voltar ali para a ponta esquerda, aceitou a ordem. Faltou um pouco de indisciplina tática e liderança de melhor do mundo. E Raphinha, que se machucou logo na segunda partida, já estava devendo.

Não falta garra aos jogadores brasileiros, mas falta coragem e responsabilidade. O episódio das ausências pós-Copa é emblemático. Quem vai colocar a cara a tapa, quem vai cobrar o time dentro de campo, quem vai fazer o Ganso e gritar para o técnico que não vai sair de campo? Ancelotti precisa ser mais certeiro, mas quem ele escolher precisa comprar a briga e assumir o peso da camisa.

Fonte: Portal Terra
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