Fifa corre para ter Copa com 64 seleções para aprovar projeto com investidores
De acordo com o jornal The Sun, Infantino quer ampliar alcance do torneio para tentar votos favoráveis a projeto polêmico
Gianni Infantino, presidente da Fifa, quer acelerar a discussão sobre o formato da Copa do Mundo com 64 países para a edição de 2030 de olho na aprovação de um projeto polêmico. Segundo o jornal britânico The Sun, o dirigente quer inflar a competição o quanto antes na tentativa de obter apoio político para a criação da Fifa Forward Enterprise, estrutura que poderá receber investimentos privados e administrar os direitos comerciais de grandes competições da entidade.
A Fifa pretende levantar 4,2 bilhões de dólares (R$ 21,4 bilhões) com a entrada de investidores privados. O plano prevê a criação de uma nova empresa responsável por ativos comerciais ligados a torneios como a Copa do Mundo. Para aprovar a operação, Infantino precisa conseguir o apoio da maioria das 211 associações filiadas à Fifa. A votação está prevista para 19 de setembro.
É nesse cenário que surge a proposta de uma Copa com 64 participantes. A Fifa informou que pretende contratar uma agência independente para avaliar os efeitos de uma expansão do Mundial de 48 para 64 seleções a partir da edição de 2030. A entidade quer escolher a agência até 14 de agosto e prevê que o estudo seja concluído em aproximadamente quatro semanas, antes da votação de setembro sobre o projeto comercial.
Expansão pode ajudar Infantino a conquistar apoio
De acordo com o The Sun, a antecipação da discussão sobre o formato da Copa ocorre em um momento decisivo para Infantino. A reportagem relaciona a promessa de benefícios às associações menores à estratégia para conseguir votos favoráveis ao projeto.
O jornal afirma, inclusive, que as 211 associações filiadas poderiam receber até 30 milhões de libras (R$ 204,9 milhões), cada, caso o projeto avance. Dessa forma, países com menor capacidade financeira teriam um incentivo econômico para apoiar a proposta apresentada pela atual administração da entidade.
Fifa enfrenta oposição de grandes confederações
A estratégia ocorre em meio a uma reação de importantes entidades do futebol mundial. Uefa, Concacaf e AFC já manifestaram oposição ao projeto de participação de investidores privados nos ativos relacionados às competições da Fifa.
A Uefa, que reúne 55 associações, aprovou por unanimidade a ameaça de boicotar competições da Fifa caso o projeto avance. A Concacaf também rejeitou a proposta, enquanto a Confederação Asiática demonstrou preocupação com a falta de transparência e de consulta às entidades do futebol.
Porém, mesmo diante da resistência, a proposta será submetida às associações. Infantino precisa de maioria simples — 50% mais um dos 211 membros — para aprovar o projeto em 19 de setembro.
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