"Todo mundo acha que pode fazer o trabalho que o Neymar 'Pai' faz" - diz Carlos Leite sobre atuação como agente
Carlos Leite revela os bastidores do mundo esportivo
Durante participação no programa "Abre Aspas", do ge, o agente esportivo Carlos Alberto Cardoso Leite, revelou bastidores da profissão. Ele contou como ingressou no mercado que atua hoje e como se deu a relação com os jogadores e outros profissionais do ramo.
Por dez anos, Carlos trabalhou na empresa de seu pai, do Supermercado Mundial. Aos 24, ele decidiu abrir o próprio negócio: lojas de pneus; ele administrou três lojas em um período de cinco a seis anos. Foi nesse ambiente que ele conheceu o Léo Lima.
"E ficou meu amigo. E dali a gente começou uma relação de amizade. E um dia o convidei para almoçar na minha casa - aquela relação de torcedor mesmo. E estamos batendo papo, conversando, jogando conversa fora, fomos pegar uma hora e jogar um totó, quando toca o telefone dele. Ele atende o telefone, começa a conversar com a pessoa, deixo ele falar e daqui a pouco 'Só um minutinho. Fala aqui com meu empresário'. Aí eu falei 'Cara, você tá louco?'. Ele 'fala, fala, fala'. Peguei o telefone, comecei a conversar". Na sequência, veio o convite de Léo Lima para que Carlos Leite o representasse como agente.
Carlos contou que foi fundamental o apoio da esposa na decisão de ingressar de vez no mercado do futebol. A rotina do casal, que já tinha uma filha, foi totalmente modificada. Os amigos e familiares questionaram a decisão dele de fechar as lojas de pneus e embarcar num ramo novo e instável. Mas, uma vez decidido, o primeiro passo do novo agente foi procurar o Cláudio Ibrahim Vaz Leal, mais conhecido como Branco, ex-jogador e tetra Campeão da Copa do Mundo. Os dois passam a trabalhar juntos e fundam uma empresa chamada B&C Consultoria. Mas, na sequência, Branco anuncia que não poderia continuar o trabalho, porque recebeu um convite para atuar na CBF.
Ao longo da entrevista concedida ao Ge, Carlos Leite contou ainda sobre a relação com o Jorge Mendes, agente de Cristiano Ronaldo; a venda do Léo Lima e o ação na Fifa pela falta de pagamento de salário do jogador; a abertura de um escritório junto ao jorge, em 2004, no Brasil; entre outros temas.
Até onde vai o papel do agente
Algumas práticas exercidas por agentes esportivos seguem sendo questionadas: dar presentes, por exemplo. Marcos comenta que isso acontece até hoje, principalmente pela competitividade do mercado. "Eu brinco lá dentro do escritório que se for para ir por esse caminho (de dar dinheiro e/ou presentes) a gente vai ter problema, porque não vamos", disse ele.
Em frente a dificuldade do mercado e a diversidade dos problemas nos campeonatos sul americanos, Leite diz ser papel dos agentes ajudarem os jogadores "Os agentes, eles entram, também fazendo isso (ajudando os jogadores). Agora, se alguns agentes se aproveitam disso para poder fazer um contrato mal feito, enganar…isso tem que ser combatido".
A família na gestão dos atletas
Para Carlos Leite, a entrada dos familiares, dos pais principalmente, na gestão dos jogadores/filhos, se acentuou muito com o Neymar 'Pai'. "Todo mundo acha que pode fazer o trabalho que o Neymar 'Pai' faz. E não vai fazer. (…) O Neymar 'Pai', eu acho que ele foi muito feliz e muito competente em toda a condução da carreira do filho dele, por mais que as pessoas falam 'ah, pô, ele olhou o dinheiro, ele olhou isso, ele brigou', ele tá olhando pelos interesses dele mas ele se cercou de uma equipe muito competente e é inegável, né…você vê toda a trajetória que o Neymar teve E tem até hoje. E agora coroado com essa convocação para a Copa do Mundo, mais uma vez".
A questão, segundo Carlos, é que a gestão de Neymar 'Pai' é considerada um sucesso em grande parte pelo talento do filho, considerado um dos maiores nomes do futebol da atualidade. "Eu vejo que o Neymar 'Pai' é uma grande exceção".
"É muito difícil que eles consigam obter sucesso por uma série de fatores. Acho que um deles, que acaba acontecendo é a questão sentimental; você não consegue lidar com a razão, você vai lidar com a emoção. Então, quando você lida com a emoção, você acaba cometendo muitas falhas durante a condução dessa carreira: vai olhar o lado financeiro primeiro ou vai olhar 'ah, o meu filho tem que ter um contrato melhor agora porque ele é melhor do que o outro'. Eu vejo que esse crescimento (de gestão e familiares), ele vem mesmo muito por ali, mas acaba prejudicando muitos jogadores", conclui Carlos.
Pausa na carreira
Carlos enfrentou uma crise de pânico que se estendeu por três anos. Durante esse período, ele conta que ficou impossibilitado de entrar em um avião. A situação se agravou a ponto de, em pouco tempo, ele não conseguir entrar com o carro em um túnel ou até mesmo utilizar um elevador. Ele percebeu o quanto a crise afetava a sua vida, pessoal e profissional, e buscou ajuda médica.
"E alguns agentes se aproveitaram desse fato, ficaram sabendo, para poder aproveitar muitas vezes colocar com nossos jogadores 'pô, mas você vai trabalhar com um agente que não viaja? Como ele vai te representar?'. Usando esse subterfúgio para tentar que o jogador não ficasse com a gente. Mas, não deu muito certo não, eles continuaram. E eu tenho que agradecer muito a minha equipe, toda ela, porque se supriram muito bem e até hoje, né, trabalham muito bem para que a gente possa manter o nosso nível de relação com os jogadores e de trabalho", conta Carlos
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