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Time de Tite troca jeitinho brasileiro por jogo científico

Equipe não confia que os resultados virão só pelo talento dos jogadores na Copa do Mundo

15 jun 2018
05h07
atualizado às 07h43
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Futebol arte, improviso e "jeitinho brasileiro" não terão vez na seleção brasileira de Tite nesta Copa do Mundo. Nem em outras. A equipe não confia que os resultados virão só pelo talento dos jogadores, mas se respalda principalmente em um extenso trabalho científico para se preparar. São relatórios, estatísticas, vídeos, dossiês e um planejamento muito detalhado sobre cada decisão tomada na competição. É o "Big Data" do técnico Tite.

Nos bastidores da seleção, a tecnologia é a maior aliada do time. Após as partidas, os atletas recebem estatísticas variadas, como o número de passes acertados, finalizações e posicionamento. Podem ver vídeos de momentos em que acertaram ou erraram determinada jogada. "O jogador tem de saber por que faz as coisas, por que ganhou, empatou ou o motivo de ter dificuldade. A gente recebe as informações para só se preocupar em entrar e jogar futebol", disse o meia Paulinho.

O técnico Tite em treino da Seleção, na cidade de Sochi
O técnico Tite em treino da Seleção, na cidade de Sochi
Foto: Hannah McKay / Reuters

A comissão técnica de Tite - composta por 41 pessoas - inclui um grupo de profissionais do Centro de Pesquisa e Análise (CPA), departamento encarregado de analisar possíveis convocados e potenciais adversários. Durante as Eliminatórias, por exemplo, auxiliares do treinador faziam relatórios com informações como quais defensores adversários eram lentos ou estavam desgastados pelo excesso de partidas nos respectivos clubes.

Força-terefa

Para a Copa, as seleções rivais foram mapeadas com a ajuda dos departamentos de inteligência de times da Série A do Brasileiro. O Grêmio, por exemplo, emprestou profissionais para analisar a Suíça, oponente na estreia, domingo. As conclusões foram apresentadas em reunião com o estafe de Tite.

O planejamento para a Copa na Rússia incluiu o investimento de R$ 17 milhões da CBF em equipamentos modernos para a nova academia da seleção na Granja Comary. Parte da comissão técnica viajou para a Itália, sede da fabricante dos aparelhos, para escolher as novas aquisições e encomendar a montagem de uma academia para os jogadores dentro do hotel da equipe, em Sochi.

Um dos recursos utilizados por Tite para passar instruções aos atletas é o WhatsApp. Ele faz isso desde a primeira convocação. Na época, em agosto de 2016, enviou recados para se apresentarem, vídeos com jogadas e orientações táticas para serem memorizadas. O técnico explicou que iria treiná-las quando o time se reunisse e, se eles já chegassem com noções do que teriam de fazer, isso representaria ganho de tempo. Na estreia de Tite, em um 3 a 0 sobre o Equador, os jogadores demonstraram surpreendente entrosamento e facilidade para executar jogadas. Depois, alguns deles revelaram que as dicas pelo WhatsApp foram importantes.

Revolução há 60 anos

A primeira preparação minuciosa do Brasil nos bastidores de uma Copa foi em 1958. Para o torneio na Suécia, a novidade comandada pelo chefe da delegação, Paulo Machado de Carvalho, contemplou o cuidado a detalhes como as calorias ingeridas e o planejamento com as viagens. Para a época, foi novidade a presença de um dentista na delegação, além da realização de exames médicos completos. As avaliações mostraram problemas curiosos, como a incidência de cáries e verminoses em alguns jogadores.

Nada de drone

A comissão técnica brasileira teve de abrir mão do drone em seus treinamentos na Rússia. A máquina voadora vinha sendo utilizada na fase de preparação do time em Teresópolis e depois em Londres. Para não entrar em conflito com as leis locais, o equipamento está proibido pela Fifa de sobrevoar os treinos das seleções durante a competição.

A proibição foi uma maneira de atender às normas de segurança do governo russo, que proíbe voos sobre pessoas e aglomerações ou sobre áreas que possam causar preocupação às autoridades.

Nos treinos do Brasil, inclusive, a entidade posiciona funcionários em locais estratégicos. Três deles fizeram a varredura no trabalho de quarta. Além da questão da segurança, a Fifa também trabalhou com a possibilidade de espiões registrarem o segredo de seleções adversárias. O efeito colateral foi impedir o uso de drones "a favor", como no caso da seleção brasileira. A solução foi filmar o treino da arquibancada.

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Estadão Conteúdo

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