Zé Roberto liga vício à dificuldade no Real e cita "trauma" pela Copa de 2002: "Nem vi"
Com carreira com passagens por clubes como Bayern de Munique e Bayer Leverkusen, o ex-jogador relembra principais desafios da trajetória
O início da trajetória de Zé Roberto no Real Madrid trouxe uma experiência que hoje o próprio ex-meia trata como lição de carreira. Aos 21 anos, recém-casado e vivendo na Espanha, ele passou a ter o hábito de virar noites jogando Crash Bandicoot em um PlayStation. Prática que, em sua análise, afetou a forma física e encurtou sua passagem pelo clube merengue.
Antes de chegar à Europa, ele descreve a realidade em um contexto bem distinto. Ele, ainda jovem, trabalhou como office-boy para ajudar a mãe a sustentar os irmãos enquanto tentava manter o sonho de seguir no futebol. O talento abriu caminho para a carreira profissional, e o desempenho na Portuguesa o levou posteriormente ao clube espanhol.
"Muito difícil assimilar tudo. O videogame me atrapalhou muito porque eu era molecão: 21 anos. Minha esposa também muito jovem, de 18 para 19. Um dos meus sonhos, além de me tornar jogador e comprar um carro, era ter um PlayStation. E a gente comprou. Recém-casado, eu parecia um galo. Namorava o dia todo e, à noite, ia jogar videogame", e prosseguiu:
"Perdi toda minha performance. Chegava ao clube para treinar com olheira. Imagina: o cara namora o dia todo e, à noite, perde o sono jogando videogame. Aquela época foi a única em que eu saí da minha forma física, porque o jogo me gerava muito estresse. Eu queria zerar e não conseguia. Aí me dava fome de madrugada e comia muito biscoito".
E completou: "Fui ficando acima do peso sem perceber. E estressado por causa do jogo. Isso é algo que tira a concentração e o foco de muitos atletas hoje".
Saída do Real Madrid
O fim do ciclo aconteceu cedo, mas o episódio marcou uma virada de comportamento. Em 1998, ele retornou ao Brasil por empréstimo e atuou por seis meses no Flamengo. O período serviu para reorganizar hábitos e preparar a volta ao futebol europeu.
"Nesses 14 anos de Europa, pude perceber que a maioria que não teve a família como base acabou batendo e voltando. […] Quando eu voltei ao Brasil, em 1998, por empréstimo, para o Flamengo, e fiquei seis meses, foi quando pude analisar muitos pontos que teria que mudar para voltar", prosseguiu em entrevista ao ge.
Depois disso, de fato, o ex-meia construiu carreira longa no continente europeu. Ele atuou por 14 anos em clubes como Bayer Leverkusen, Bayern de Munique, Hamburgo SV e Al-Gharafa SC.
O ex-meia disputou 1.051 partidas ao longo de sua carreira, com 103 gols e 49 assistências. Pela Seleção Brasileira, ele somou 84 jogos e contribuiu com seis tentos.
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Frustração com a Copa?
A carreira consolidada, porém, não o impediu de lidar com grandes frustrações. Destaque como uma das principais decepções de sua trajetória, Zé Roberto destacou a ausência na lista para a Copa do Mundo de 2002.
"No meu auge, não fui convocado para a Copa de 2002. Fiquei chateado? Claro, eu nem vi a Copa. Então eu vivi o meu luto ali. Só que precisava voltar, porque ia ter quatro anos para buscar meu espaço de novo. E busquei. Uma coisa que é muito difícil, se for analisar, é um jogador que não participou de um grupo campeão, chegar de titular em outra Copa", seguiu.
"Eu chego bem. Se você for apontar dentre as outras seleções, qual a seleção que teria grande chance para ganhar a Copa de 2006? O Brasil! Claro que ninguém chegou ali nas suas melhores condições físicas. Aacho que isso que fez grande diferença. Todos chegaram com o mesmo objetivo, mas a gente pegou já a fase que o futebol não era só nome ou só talento. O futebol passou a ser físico e por nem todos estarem no ápice de sua carreira, de performance, fomos eliminados", avaliou.
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