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Futebol

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Romário se coloca entre os cinco maiores da história, avalia seleção e aponta favoritas na Copa

Campeão mundial em 1994 falou sobre sua carreira, a fase do Brasil, o trabalho de Guardiola e o impacto que um novo título mundial teria para o país

6 jun 2026 - 12h46
(atualizado às 13h01)
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32 anos depois de liderar o Brasil ao tetracampeonato mundial, Romário segue sendo uma das vozes mais influentes do futebol brasileiro. Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, o ex-atacante abordou diferentes temas, desde sua trajetória nos gramados até as expectativas para a Copa do Mundo de 2026, além de comentar o atual momento da seleção brasileira e o legado deixado por sua geração.

Romário foi campeão do mundo com a seleção brasileira em 1994.
Romário foi campeão do mundo com a seleção brasileira em 1994.
Foto: Fábio M. Salles/ Estadão / Estadão

Atualmente dividido entre a vida política e os projetos em seu canal no YouTube, Romário explicou que as entrevistas com grandes nomes do futebol acabaram funcionando como uma forma de reviver experiências marcantes de sua carreira.

"Essa coisa toda da Romário TV é uma situação totalmente nova na minha vida. Estou muito feliz, curtindo bastante. É muito legal."

"É definitivamente uma forma de me reconectar com o meu passado. Parei de jogar em 2006. Este papel de entrevistador me transporta de volta a momentos que vivi, especialmente quando entrevisto pessoas da minha geração. Talvez essa seja uma das razões mais importantes pelas quais estou gostando do que estou fazendo agora."

Ao relembrar sua trajetória, o ex-camisa 11 não demonstrou qualquer falta de confiança ao se posicionar entre os maiores jogadores da história do esporte. Para ele, apenas alguns nomes alcançaram um patamar semelhante.

O ex-atacante também voltou a falar sobre uma característica que o acompanhou durante toda a carreira: a fama de não gostar dos treinamentos. Sem fugir do tema, ele argumentou que os resultados dentro de campo justificavam sua postura.

"O Romário era preguiçoso. O Romário não treinava da maneira que muita gente achava que eu deveria treinar. Mas eu marcava gols. Eu era uma força a ser reconhecida em campo, e que se dane o resto. Eles tinham que me aturar. Quem não gostasse, tinha que aguentar."

Ao comparar sua época com a realidade atual, Romário afirmou que as redes sociais teriam mudado bastante sua rotina fora dos gramados. Ao mesmo tempo, acredita que sua qualidade técnica teria alcançado ainda mais pessoas.

"Eu teria gostado das redes sociais na minha geração. Tenho certeza de que teria desejado isso na minha época. A internet realmente mostra quem você é de verdade."

"Mas tem o outro lado da moeda. As pessoas não sabiam das besteiras que eu fazia. Isso teria sido um pesadelo, mas faz parte da vida. Se as redes sociais existissem na minha época, eu provavelmente também não teria feito tanta merda. Mas as poucas coisas que eu fazia, as pessoas saberiam", completou.

Seleção brasileira e Copa do Mundo

Durante a conversa, Romário também analisou as chances do Brasil na Copa do Mundo. Apesar de reconhecer a qualidade individual dos atletas convocados por Carlo Ancelotti, ele entende que muitos ainda não conseguiram reproduzir na seleção o desempenho que apresentam em seus clubes.

"O Brasil tem jogadores que se destacam em seus clubes. Jogam muito bem na Premier League e em La Liga. São ídolos em seus times. Mas quando vestem a camisa da seleção brasileira, não conseguem render. Espero que isso tenha ficado para trás e que eles consigam jogar pelo menos a 80% do nível que mostram em seus clubes. Se conseguirem isso, o Brasil terá chances de conquistar o título."

O ex-centroavante também acredita que a ausência de jogadores do mesmo impacto de gerações anteriores ajuda a aumentar o reconhecimento sobre os atletas que marcaram época no futebol brasileiro.

Ao apontar os principais candidatos ao título mundial, Romário colocou o Brasil entre os postulantes à taça, mas citou outras seleções que considera mais fortes no momento.

"Gosto do Harry Kane, do Bellingham e do Saka. São jogadores inteligentes, com ótima técnica, que fazem a diferença. Meus favoritos são França, Espanha, Portugal, Argentina, Alemanha e Brasil."

O tetracampeão ainda fez um paralelo entre o cenário vivido pelo país atualmente e o período que antecedeu a conquista da Copa de 1994. Para ele, uma eventual conquista brasileira poderia representar um momento de união nacional.

"Estamos numa situação muito parecida com a de 1994. Há muitas notícias negativas em todo o país. Digo isso por experiência própria, porque vivi isso: uma vitória do Brasil traria alívio e alegria ao nosso povo que está sofrendo."

Elogios a Guardiola

Outro personagem lembrado por Romário foi Pep Guardiola, com quem dividiu vestiário no Barcelona. O ex-atacante destacou que o atual treinador do Manchester City já demonstrava características diferenciadas quando ainda era jogador.

"Pep sempre foi um homem com um tipo de inteligência muito diferente para um jogador. Ele levou isso para sua carreira como treinador e é por isso que ele é o melhor. Ele está entre os dois ou três melhores de todos os tempos."

Em tom descontraído, Romário encerrou a entrevista reproduzindo um exercício de autoconfiança que marcou toda sua trajetória. Ao ser perguntado como conseguiu alcançar tanto sucesso mesmo contrariando muitos padrões do futebol profissional, respondeu à sua própria maneira:

Estadão
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