Clubes do Brasileirão superam valor bilionário em vendas de jogadores; veja lista
A janela de transferências de janeiro de 2026 expôs um futebol brasileiro cada vez mais forte no papel de exportador. Poucos clubes concentraram as maiores negociações, enquanto outros optaram por segurar seus elencos ou não realizar vendas.
O mercado da bola brasileiro iniciou 2026 em um patamar jamais visto. Em apenas um mês, os clubes do país ultrapassaram a marca de R$ 1 bilhão em arrecadação com vendas de jogadores, consolidando uma força vendedora que historicamente sempre existiu, mas que agora atinge números inéditos. A exportação de jovens talentos e a negociação de ativos valorizados colocaram o Brasil novamente no centro do mercado internacional, especialmente para clubes médios da Europa e gigantes de mercados alternativos.
No topo do ranking de arrecadação aparece o Vasco, que transformou a janela em um respiro financeiro decisivo. A venda de Rayan para o futebol inglês foi responsável pela maior fatia do montante, complementada por outras negociações pontuais. Logo atrás, o Internacional mostrou precisão ao negociar atletas em diferentes estágios de valorização, enquanto clubes como Red Bull Bragantino, Santos e Botafogo confirmaram modelos já conhecidos: vender bem, em volume ou com foco estratégico, para sustentar seus projetos esportivos.
Ao todo, 32 jogadores deixaram clubes brasileiros mediante compensação financeira apenas em janeiro. O dado reforça a vocação exportadora do país, favorecida pela desvalorização do real frente ao euro e ao dólar, que torna o jogador brasileiro atrativo no exterior. Em contrapartida, esse mesmo cenário encarece o mercado interno, criando um ambiente inflacionado para contratações dentro do Brasil.
E é justamente aí que mora o paradoxo da janela. Apesar do recorde de vendas, os clubes brasileiros gastaram ainda mais. As compras realizadas em janeiro de 2026 já ultrapassam R$ 1,8 bilhão, empurradas por contratações de alto impacto e pela repatriação de ídolos. Em alguns casos, uma única negociação superou toda a arrecadação de clubes que lideraram o ranking de vendas, escancarando o descompasso entre entrada e saída de recursos.
Esse comportamento é explicado, em parte, pelo novo perfil financeiro do futebol nacional. SAFs e grupos empresariais passaram a injetar capital externo que não depende diretamente da venda de jogadores. Botafogo, Palmeiras e Bahia são exemplos de clubes que operam com aportes estruturais, permitindo investimentos pesados mesmo com a balança comercial negativa.
O futebol brasileiro está deixamdo de ser apenas um exportador de talentos para se tornar, ao menos nesta janela, um importador de luxo. O mercado movimentou cerca de R$ 2,8 bilhões em compras e vendas, com saldo negativo aproximado de R$ 800 milhões. Um cenário que reforça ambição esportiva e poder de investimento, mas que também acende o alerta sobre sustentabilidade financeira a médio prazo.
Confira a lista de times da Série A que mais venderam na janela (janeiro de 2026)
| Time | Vendas/Empréstimos com compensação financeira | Valores arrecadados (R$ mi) |
| Vasco | 2 | 188,191 |
| Internacional | 3 | 150,316 |
| Bragantino | 2 | 114,529 |
| Santos | 2 | 109,233 |
| Botafogo | 5 | 108,918 |
| Palmeiras | 2 | 88,835 |
| Grêmio | 3 | 69,067 |
| Flamengo | 3 | 48,456 |
| Bahia | 2 | 46,762 |
| Atlético-MG | 2 | 46,613 |
| São Paulo | 1 | 22,826 |
| Athletico-PR | 2 | 17,746 |
| Corinthians | 1 | 9,324 |
| Cruzeiro | 1 | 5,571 |
| Vitória | 1 | 2,718 |
| Chapecoense | 0 | - |
| Coritiba | 0 | - |
| Fluminense | 0 | - |
| Mirassol | 0 | - |
| Remo | 0 | - |
| Total | 32 | 1.029,105 |