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Futebol

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"Jovem da base é visto como mercadoria", diz especialista

Mestre em Ciências da Motricidade pela Unesp, Arthur Sales, desenvolve há anos pesquisa sobre as categorias de base do futebol brasileiro

14 fev 2019 - 12h34
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Mestre em Ciências da Motricidade, pela Universidade Estadual de São Paulo (UNESP), o jornalista Arthur Sales desenvolve há vários anos trabalho de pesquisa sobre o universo das categorias de base do futebol brasileiro. Seu aprendizado o credencia a falar com autoridade sobre o tema. Nesta entrevista ao Terra, mesmo sem citar diretamente o Flamengo no caso da tragédia do Ninho do Urubu, ele afirma que há um “descuido nítido” dos clubes e entidades com a rotina desses jovens.

“Eles são tratados como mercadoria e isso os desumaniza. Basta analisar a linguagem de clubes, e muitas vezes da própria imprensa, para atestar isso. Palavras como ‘joias’, ‘diamantes’, ‘pratas da casa’, ‘garimpar’, ‘lapidar’ e ‘celeiro’, entre outras, compõem esse roteiro. Ou seja, esses jovens são sempre remetidos a objetos de valor monetário, acima de qualquer coisa.”

Vista aérea do local onde um incêndio deixou dez mortos e três pessoas feridas, uma delas em estado grave, no Centro de Treinamento do Flamengo
Vista aérea do local onde um incêndio deixou dez mortos e três pessoas feridas, uma delas em estado grave, no Centro de Treinamento do Flamengo
Foto: Fábio Motta / Estadão Conteúdo

De acordo com Arthur, a consequência disso é o desleixo, que pode levar a situações extremas, em desrespeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente.

“A CBF, os clubes, as federações estaduais e outras entidades fecham os olhos para situações graves que são costumeiras nas categorias de base. São muitos casos de estelionato, pedofilia, abuso e isso não chega ao público.”

Ele explica que alguns desses crimes são cometidos também por gente de fora do futebol. “Se apresentam como empresários, oferecem abrigo aos garotos, não hesitam em extorquir os pais. Brincam com o sonho dessas famílias e, semanas depois, fica claro que tudo não passou de um golpe.”

Quando a situação é interna, com coordenadores, técnicos e dirigentes no protagonismo dos delitos, conta Arthur, a grande maioria dos jogadores se cala, submetendo-se a humilhações.

“Eles pensam assim: ‘estou lutando pelo meu espaço, se eu der algum problema, estou fora’. Preferem, portanto, suportar uma série de abusos em silêncio.”

Arthur mantém o site ‘Indústria de Base’, onde costuma publicar seus textos, ricos em detalhes, e que também se estendem à análise de aspectos da base de grandes clubes de futebol do exterior.

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Fonte: Silvio Alves Barsetti
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