Ídolo do Bayern e donos de gigantes europeus aparecem nos arquivos de Epstein
Figuras importantes do futebol foram citadas
Os arquivos de Jeffrey Epstein chegaram ao mundo do futebol e algumas figuras importantes do futebol europeu foram citadas. Entre os principais nomes está o ex-meia atacante francês Franck Ribéry, que teve seu nome mencionado por uma vítima que alegou que ele solicitou meninas de 14 anos para uma festa privada.
"Em (sigiloso) por volta das (sigiloso) , Franck Ribéry tentou agredir-me quando eu estava no meu jardim e tinha obtido o meu número e a minha morada. Polícias de [omitido] cercaram-no e levaram-no de volta para o carro. Fiquei surpreendido ao ver a chegada do circuito da prostituição em (sigiloso), dos meus (sigiloso) anos, pois finalmente tinha conseguido libertar-me do meu progenitor predador e tinha finalmente encontrado a minha mãe, após anos de separação. Agora, tinha a impressão de que um braço da prostituição tinha voltado para me levar, como se eu tivesse de pertencer a eles", pode ler-se num primeiro parágrafo, sendo que a vítima junta ainda mais uma personagem do mundo do futebol. "Lembro-me que Sylvain Cormier é o advogado de Karim Benzema.", diz um trecho.
O depoimento continuou e diz que entre os meses de janeiro e fevereiro de 2002, prestou queixa à polícia. Por conta disso, Ribéry foi representado pelo advogado Sylvain Cormier, que a vítima alega ter batido na ex-mulher.
"Por volta de janeiro, fevereiro de 2002, Sylvain Cormier foi contratado na sua qualidade de advogado estagiário. O seu rosto dizia-me algo, mas eu não conseguia lembrar-me do quê. Alguns anos antes, ele tinha agredido a sua ex-companheira à minha frente num local de entretenimento e eu aconselhei-a a apresentar queixa. Então, ele chegou com Franck Ribéry e a Polícia Judiciária de Versalhes apareceu porque ele pediu que lhe trouxessem meninas de 14 anos", disse, acrescentando:
"Vi aproximar-se de mim após a minha maioridade, por volta de (sigiloso) e nos anos seguintes, Franck Ribéry, cuja participação no mundo da prostituição não precisa de ser provada, através do seu advogado criminalista em Lyon, Sylvain Cormier (sigiloso). Fui agredido por este último, que disse: 'É o Franck que me pediu para fazer isto!'", completou.
Não é a primeira vez que Ribéry tem seu nome associado a casos de prostituição. Em 2010, ele e outros quatro jogadores, que ainda tinha Karim Benzema, ex-Real Madrid e hoje no Al-Hilal, da Arábia Saudita, foram acusados de terem solicitado uma prostituta menor de idade. No entanto, em 2014, os tribunais franceses retiraram a acusação.
No entanto, outros nomes do futebol também são citados nos arquivos Epstein que foram liberados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
Boelhy e o dono do Palace são citados
Quem também foi citado foi Todd Boelhy, um donos e presidente do Chelsea, que teve pelo menos duas reuniões com Epstein em 2011. Emails sugerem que Epstein queria ser apresentado a Boelhy que também é dono do time de baseball Los Angeles Dodgers, e também trabalhar para a empresa Guggenheim Partners.
Os arquivos mostram que o investidor do Crystal Palace, Josh Harris, permaneceu em contato com Epstein por e-mail e telefonemas por muitos anos após sua condenação, incluindo uma reunião de café da manhã em 2013.
Na ocasião, Harris agradeceu o convite por meio de um e-mail. Em outra ocasião, o empresário disse para que estaria feliz de conversar no futuro.
"feliz por colocar a conversa em dia", diz um trecho.
Harris é dono da empresa Apollo Global Management que é proprietária da equipe da NBA Philadelphia 76ers, da equipe da NHL New Jersey Devils e da equipe da NFL Washington Commander. Além de ter 18% das ações do Crystal Palace.
Após isso, um porta-voz de Harris disse que o empresário nunca teve uma relação com Epstein e que tentou previnir uma relação corporativa dele com a a Apollo.
"Josh Harris nunca teve uma relação independente com Jeffrey Epstein. Harris procurou impedir as tentativas de Epstein de desenvolver uma relação corporativa com a Apollo. Como indicam estes e-mails, Harris procurou evitar encontrar-se com Epstein, cancelando reuniões e pedindo a outras pessoas que retornassem as suas chamadas.", disse um porta-voz.
Ex-proprietário do Tottenham tem nome citado
Outro nome citado nos arquivos é o dono bilionário inglês Joe Lewis, dono da ENIC, empresa que é acionista majoritária das ações do Tottenham. O empresário teve seu nome citado por e-mail enviados por Jes Stanley, uma pessoa próxima a Epstein.
Staley menciona o nome de Lewis em meio a grandes negociações no mercado de imóveis de luxo e de arte. Ele sugere que o inglês poderia ser o agente econômico por trás da compra e venda da coleção.
Em outro trecho, Staley revela encontros e viagem ao mencionar que estava perto de Salvador, capital da Bahia, após ter passado um dia com Joe Lewis em sua casa em Bariloche. No entanto, não sabia o que pensar do inglês.
"Perto de Salvador, no Brasil. Cheguei essa manhã. Lugar bem legal à beira-mar. Passei um dia com Joe Lewis em Bariloche, na Argentina. Não sei bem o que pensar dele.", diz um trecho.
Joe Lewis é acionista majoritário da ENIC, mas não tem mais muita presença no Tottenham, enquanto seus filhos se tornaram diretores do clube. O empresário tem terras na região de Bariloche, na patagônia argentina, por conta de sua proximidade com Mauricio Macri, ex-presidente da Argentina e do Boca Juniors. No ano passado, Lewis recebeu um indulto de perdão de Donald Trump e se livrou de ser preso por ter passado informações privilegiadas para amigos particulares, namoradas e pilotos.
Acionista majoritário do Celtic é citado
Dermot Desmond, acionista majoritário do Celtic, foi outro nome que foi mencionado duas vezes nos arquivos por pelo desenvolvedor de resorts de Golf, Gerald G Barton. O empresário irlandês tem 35% das ações dos Hoops e ainda é dono do Shamrock Rovers, atual campeão irlandês.
Nas mensagens, Epstein foi informado por alguém que escrevia em nome de Barton que o bilionário irlandês Desmond, proprietário de um resort de golfe, estava disposto a fornecer milhões de dólares para ajudar a financiar empreendimentos de golfe.
Após ser citado nos arquivos, representantes do bilionário irlandês, que além das duas equipes era investidor do Manchester United até a chegada da família Glazer ao clube em 2005, disse que Desmond nunca teve contato direto com Jeffrey Epstein.
"Como fica claramente evidente nos dois e-mails mencionados nos documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, o Sr. Desmond não teve qualquer tipo de contato com o Sr. Epstein.", afirmaram representantes do empresário.