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Obcecado por construir um PSG hegemônico, magnata catariano investiu quase R$ 9 bilhões em reforços

Nasser Al-Khelaifi, dono do fundo de investimentos que controla o clube francês, é o responsável por trazer Messi e tantos outros craques para buscar o título da Liga dos Campeões

29 ago 2021 02h06
| atualizado às 02h06
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O desejo de se transformar numa potência esportiva mundial, com planos de dominar o futebol francês e o europeu, fez com que o Paris Saint-Germain, desde que se tornou bilionário ao ser adquirido pela Qatar Sports Investments, investisse uma quantia faraônica em grandes estrelas. Lionel Messi, eleito seis vezes o melhor do mundo, chegou nesta temporada para ser a "cereja do bolo", mudar o patamar da equipe e liderá-la na perseguição a tão sonhada conquista inédita da Liga dos Campeões.

A Qatar Sports Investments tem o controle financeiro do clube e é subsidiária da Qatar Investment Authority, fundo soberano catariano avaliado em US$ 355 bilhões (R$ 1,9 trilhão). O conglomerado também possui a BeIN, emissora que é uma das que detém os direitos de transmissão do Campeonato Francês.

Sob o controle do magnata Nasser Al-Khelaifi, o clube da capital francesa passou de coadjuvante à protagonista em campo, ao menos na França, onde se tornou hegemônico, e nas janelas de transferências, acumulando contratações que mudaram a lógica de mercado na Europa. Messi, Sergio Ramos, o goleiro italiano Gianluigi Donnarumma, o lateral-direito marroquino Achraf Hakimi e o meio-campista holandês Georginio Wijnaldum vieram nesta última janela de transferência e tornaram o PSG o clube com o segundo elenco mais valioso do mundo, atrás somente do também bilionário Manchester City.

Considerado um dos homens mais ricos do mundo, Nasser Al-Khelaifi, de 47 anos, é o homem responsável por trazer Messi e tantos outros craques com o pensamento de transformar o PSG em um clube soberano. Ex-tenista profissional e membro da família real do Catar, o dono da Qatar Sports Investments está à frente da equipe há uma década e não se importa em gastar quantias estratosféricas para fazer com que o clube domine o futebol mundial. Ele confia a missão de garimpar o mercado ao brasileiro Leonardo, diretor de futebol. Desde 2011, foram mais de 50 atletas contratados de diferentes nacionalidades, incluindo oito brasileiros.

Ninguém no mundo do futebol gastou mais do que o PSG nos últimos dez anos. Nesse período, o clube desembolsou quase R$ 9 bilhões para montar um elenco estrelado e capaz de ganhar a Liga dos Campeões. Ainda não conseguiu, mas espera que, com Messi, isso seja possível. Vale lembrar que o clube de Paris não teve que pagar qualquer valor ao Barcelona para ter Messi. No entanto, segundo a imprensa francesa, o astro argentino ganhará 122 milhões de euros (R$ 767 milhões), durante os dois anos de seu contrato. Isto porque vai receber um salário anual de cerca de 35 milhões de euros (R$ 220 milhões) por temporada, além de luvas e outras bonificações.

Embora tenha sido acusado em diversas ocasiões de ter violado as regras do fair-play financeiro, sem nunca ter sido condenado, Al-Khelaifi assegurou na coletiva de imprensa de apresentação de Messi que o clube cumpre as regras da Uefa. "Em relação ao aspecto financeiro, vou deixar claro: conhecemos as regras do fair play financeiro e seguiremos sempre os regulamentos. Antes de fazer alguma coisa, reunimo-nos com os nossos departamentos comercial, jurídico e financeiro. Se contratamos Messi é porque temos capacidade para tal. Caso contrário, não o teríamos feito", afirmou.

As principais contratações da era bilionária do PSG

Messi é o grande nome desse nababesco e ambicioso PSG. Mas, antes dele, vários outros jogadores de renome internacional vieram para mudar o panorama do time francês.

Em 2011, Javier Pastore foi a primeira grande contratação dessa era rica do PSG por 42 milhões de euros, proveniente do Parma. Naquela altura, a transferência do argentino foi a maior da história do Campeonato Francês.

No ano seguinte, Ibrahimovic saiu do Milan para o PSG por 21 milhões de euros e entregou o que dele se esperava: gols em profusão, títulos, prêmios e declarações polêmicas. No mesmo ano e também comprado do Milan, Thiago Silva foi um dos pilares para a consolidação do time parisiense como potência esportiva. Ficou até 2020 e cansou de levantar taças. A da Liga dos Campeões, curiosamente, o zagueiro só ergueu quando se transferiu ao Chelsea.

Na temporada 2012/2013, David Beckham chegou sem custos para atrair mais holofotes. O astro inglês ficou apenas um ano, mas, conhecido mundialmente, ajudou a alavancar a marca do PSG e dar mais visibilidade à equipe.

Um ano depois, foi a vez de Cavani chegar a Paris, vindo do Napoli por 64,5 milhões de euros. Foi um novo recorde para a liga francesa. O uruguaio correspondeu às expectativas e se tornou o maior artilheiro da história do clube francês, com 200 gols. No mesmo ano, 49,5 milhões de euros foi o valor pago ao Chelsea pelo brasileiro David Luiz, que não teve uma passagem de tanto destaque por lá.

Também em 2013, Marquinhos, hoje ídolo, foi anunciado com status de promessa. Pelo ex-jogador do Corinthians, o PSG pagou à Roma à época cerca de R$ 100 milhões. Valeu a grana, já que o hoje titular da seleção brasileira tornou-se um dos zagueiros mais completos do futebol mundial, capaz de jogar no miolo de zaga e até como volante. Pode superar até mesmo Thiago Silva em sua trajetória no clube.

Na temporada seguinte, o dinheiro aparentemente infinito do magnata catariano custeou a vinda de Ángel Di Maria, que juntou-se ao trio de ataque já então constituído por Ibrahimovic e Cavani, comprado do Manchester United por 63 milhões de euros.

O PSG voltou a ser protagonista no mercado de transferências em 2017, com a contratação de Kylian Mbappé, emprestado pelo Monaco, mas com a transferência em definitivo na temporada seguinte por 180 milhões de euros. Valeu a pena o investimento, já que o jovem francês se tornou ídolo e referência do time, tendo que assumir, em alguns momentos, o protagonismo de que se esperava de Neymar. Mas agora, Mbappé pode sair para o Real Madrid.

Mas nenhum daqueles reforços chegou perto da dimensão de Neymar, a contratação mais cara da história do futebol mundial até hoje. Em 2017, o craque brasileiro custou ao PSG 222 milhões de euros (R$ 1,4 bilhão, na cotação atual).

Em 2018, o já veterano Gianluigi Buffon quis se aventurar em Paris depois de 17 anos de serviços prestados à Juventus. O experiente goleiro veio de graça, mas recebia um salário de 5 milhões de euros anuais. Ficou por apenas uma temporada.

E nesta janela de transferências, Achraf Hakimi deixou a Inter Milão e foi comprado por 70 milhões de euros, sendo o defensor mais caro da gestão de Al-Khelaifi. Ele foi o único dos cinco reforços de peso pelo qual o PSG pagou. Os outros - Messi, Sergio Ramos, Donnarumma e Wijnaldum - vieram de graça. Estima-se que a folha salarial do atual elenco chegue a 300 milhões de euros (R$ 1,8 bilhão)

Nos últimos dez anos, sob a presidência de Al-Khelaifi, o PSG já ganhou sete vezes o Campeonato Francês, seis Copas da França, seis Copas da Liga Francesa e oito Supercopas da França.

Estadão
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