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Ghiggia se desculpou pelo gol de 1950 no final da vida de Barbosa

16 jul 2015 - 20h41
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Barbosa costumava dizer que a sua pena era a maior do Brasil, já que passou quase 50 anos sofrendo com as críticas por não ter defendido o chute de Alcides Ghiggia que definiu o título mundial do Uruguai no Maracanã, na Copa do Mundo de 1950. Mas, em seus últimos momentos de vida, recebeu pedidos de desculpas e apoio até de seu algoz, falecido nesta quinta-feira, dia em que o Maracanazo completa 65 anos.

"O Barbosa foi para o Uruguai e virou amigo do Ghiggia", relatou Tereza Borba, "filha de coração" que cuidou do ex-goleiro em Praia Grande (SP) de 1992 até a sua morte (em 7 de abril de 2000), em uma entrevista concedida à Gazeta Esportiva em 2013. Ela própria recebeu um telefonema de um uruguaio disposto a levá-la a Montevidéu e viabilizar um encontro com Ghiggia. "O Ghiggia é uma pessoa extraordinária. O Barbosa dizia que o Ghiggia fez o errado e deu certo, enquanto ele fez o certo e deu errado. Mas o Ghiggia disse a ele: ‘Se eu soubesse que o Maracanã se calaria daquela forma e que você seria culpado, não teria feito aquele gol’. Olha só que pessoa boa!", comentou Tereza.

A bondade de Ghiggia ajudou Barbosa a lidar melhor com o Maracanazo, fardo que o acompanhou durante toda a vida. "Quando ele morava no Rio, a cobrança era maior. Tinha hora em que deitava no travesseiro pensando muito na final, porque pegaram muito pesado", disse. "Por isso, a Praia Grande foi o paraíso para ele. Tanto que escolheu ser enterrado aqui, na mesma ala da Clotilde, sua esposa", completou.

Foi no Rio de Janeiro, no entanto, que Barbosa recebeu um pedido de desculpas ainda mais emocionante do que aquele de Ghiggia. Então vereador, o ator Rogério Cardoso, hoje falecido, pagou a viagem do ex-goleiro para a capital carioca, onde lhe foi entregue o título de cidadão honorário do município fluminense. O político aproveitou a ocasião e ajoelhou-se, emocionado, implorando pelo perdão em nome de todos os brasileiros.

Na homenagem preparada por Rogério Cardoso, Barbosa ainda teve o direito de escolher quem estaria presente. Entre os convidados, constava o nome do humorista Chico Anysio, que não pôde comparecer, mas lhe enviou um e-mail no qual pedia "mil desculpas ao melhor goleiro brasileiro de todos os tempos". O recado foi impresso e é guardado até hoje por Tereza Borba. "O Barbosa começou a ter bons momentos. Ele me falava: ‘Nunca pensei que fosse conseguir viver assim’. Depois de tudo o que passou, teve qualidade de vida e foi feliz. O sorriso dele voltou, e não só nos lábios, mas nos olhos", assegurou a herdeira.

Gazeta Esportiva Gazeta Esportiva
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