Opinião: França ensina ao Brasil que não há pragmatismo tático que supere o talento
Melhor geração francesa de todos os tempos superou o ferrolho marroquino porque tem Mbappé, Dembelé, Doue e Olise
O Brasil travou na Copa do Mundo ao enfrentar os ferrolhos defensivos de Marrocos e Japão e ao abrir mão de suas qualidades ofensivas diante da Noruega. Empatou com um, venceu outro no sufoco e foi eliminado pelo terceiro. Nesta quinta-feira, 9, em Boston, a França mostrou que o talento é o maior aliado contra o pragmatismo tático de um adversário em um momento de pressão.
Quando Mbappé perdeu um pênalti no primeiro tempo do jogo de hoje contra Marrocos, parecia que estava entregando na mão do goleiro Bounou uma chance de exceção. A estatística enganosa de 13 tentativas de gol escamoteava a dificuldade francesa em furar o bem organizado meio-campo marroquino. Os africanos em nenhum momento disfarçaram seu objetivo: jogar por uma bola para, no mínimo, repetir a semifinal de 2022.
Mas Didier Deschamps não tinha um plano, ele tinha uma constelação, a melhor geração francesa de todos os tempos. Mbappé tinha muito mais do que aquele pênalti mal batido e um ataque na lua para mostrar. Mas não só isso: tinha ao seu lado a joia Desire Doue, que deu um daqueles passes que valem o ingresso para o capitão finalizar com capricho e perfeição.
Mbappé, não satisfeito com o golaço, ainda tocou para o Bola de Ouro Dembelé arrancar um contra-ataque e finalizar no cantinho. É o quarto gol do camisa 7 em Boston, depois do hat-trick contra a Noruega.
E o quarteto ofensivo titular da França ainda tinha Michel Olise, desfilando visão de jogo e disciplina tática. O francês que não é francês de nascença, não fala francês, mas é o atual ídolo dos franceses, jogou os mais de 90 minutos como se fosse a primeira partida da Copa, sem sentir pressão, calor, medo. Farmou aura, como os jovens dizem. Ainda não fez seu gol, mas é provavelmente o melhor jogador da Copa depois de Lionel Messi.
Quando se desiste de jogar, como o Marrocos, é necessário aguentar uma pressão constante. Às vezes, dá certo. Mas não diante de um esquadrão. A França de 2026 lembra o Brasil de 1970: tem craques para dar e vender e encanta. Os Bleus seguem firmes na briga pela terceira final consecutiva.
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