Espanha revive roteiro de 2010 e acumula coincidências que animam sonho do bicampeonato mundial
Atual campeã da Euro, novamente no Grupo H e classificada após eliminar Portugal por 1 a 0: essas são algumas das semelhanças
Quando a Espanha levantou a taça da Copa do Mundo pela primeira — e até agora única — vez, em 2010, poucos imaginavam que, 16 anos depois, a seleção voltaria a trilhar um caminho repleto de semelhanças com aquela campanha histórica. Somadas, elas alimentam a expectativa dos torcedores de que a geração liderada por Lamine Yamal, Pedri, Rodri, Pedro Porro e Mikel Oyarzabal possa repetir o feito da equipe de Iker Casillas, Xavi, Andrés Iniesta e David Villa.
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A primeira delas surgiu antes mesmo de a bola rolar. Assim como em 2010, a Espanha chegou ao Mundial como campeã da Eurocopa — venceu a edição de 2008 antes da Copa da África do Sul e desembarcou em 2026 embalada pelo título europeu conquistado em 2024. Além disso, caiu novamente no Grupo H, exatamente a mesma chave em que iniciou sua caminhada rumo ao título mundial há 16 anos.
O início da campanha também apresentou paralelos. Em 2010, a Espanha estreou com uma derrota por 1 a 0 para a Suíça, resultado que parecia comprometer o favoritismo da equipe. A reação veio com vitórias sobre Honduras, por 2 a 0, e Chile, por 2 a 1, garantindo a liderança do grupo. Em 2026, o tropeço inicial foi diferente, mas igualmente inesperado: empate sem gols contra Cabo Verde. Depois, La Furia embalou, venceu Arábia Saudita por 4 a 0 e Uruguai por 1 a 0 para avançar em primeiro lugar da chave.
Em 2010, a Espanha eliminou Portugal nas oitavas de final graças ao gol de David Villa. Em 2026, o roteiro se repetiu: novo clássico ibérico nas oitavas, nova vitória espanhola por 1 a 0. Desta vez, o herói foi Mikel Merino, que marcou nos acréscimos do segundo tempo e colocou a equipe nas quartas de final pela primeira vez desde a campanha do título.
Há ainda um dado estatístico que aproxima as duas campanhas. A Espanha de Vicente del Bosque venceu todos os quatro jogos de mata-mata de 2010 por 1 a 0 — contra Portugal, Paraguai, Alemanha e Holanda. A defesa sofreu apenas dois gols em toda a competição, ambos ainda na fase de grupos, na derrota por 1 a 0 para a Suíça e na vitória sobre o Chile por 2 a 1. Assim terminou o torneio sem ser vazada nos últimos quatro compromissos.
Em 2026, a consistência defensiva voltou a ser uma marca registrada. Depois da classificação sobre Portugal, a equipe alcançou seis partidas consecutivas sem sofrer gols em Copas do Mundo, entre as oitavas de final do Mundial de 2022 — no empate sem gols com Marrocos — e o deste ano. O goleiro Unai Simón ultrapassou a marca de 600 minutos sem ser vazado, estabelecendo um novo recorde da competição e reforçando o peso do sistema defensivo espanhol.
No ataque, a distribuição de gols é semelhante a da campanha campeã. Em 2010, David Villa foi responsável por cinco dos oito gols espanhóis e terminou como artilheiro da competição. Em 2026, Oyarzabal já acumula quatro gols dos nove marcados.
Naturalmente, coincidências não vencem partidas. A Espanha de 2026 é mais vertical e intensa do que a equipe do "tiki-taka" que encantou o mundo em 2010. Aposta no talento de Lamine Yamal, peça-chave na criação de jogadas e no desequilíbrio ofensivo, mas que ainda não conseguiu repetir, nesta Copa do Mundo, o brilho exibido no Barcelona.
Ainda assim, a repetição de tantos elementos transformou a campanha em um prato cheio para quem gosta das histórias que o futebol costuma produzir. Agora, classificada para as quartas de final, a seleção espanhola segue viva na luta pelo bicampeonato mundial. Se o restante do roteiro continuar copiando o de 2010, apenas os próximos capítulos da Copa poderão responder.
A Espanha enfrenta a Bélgica pelas quartas de final nesta sexta-feira, 10, às 16h (horário de Brasília), no SoFi Stadium, em Los Angeles, nos Estados Unidos.

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