Como o técnico da França maneja egos de 5 dos maiores craques do mundo para buscar o tricampeonato da Copa
Didier Deschamps tenta equilibrar protagonismo de Mbappé e Dembelé, minimiza concorrência entre Barcola e Doué e exalta Olise
Uma constelação de craques pode dar muito certo em campo, como a Seleção Brasileira de 1970, ou muito errado, como os galácticos do Real Madrid nos anos 2000. A França é vista como o grande time a ser batido na Copa do Mundo de 2026, mas o técnico Didier Deschamps, que acaba de chegar a sua terceira semifinal consecutiva, sabe que precisa manejar egos e expectativas em um elenco tão estrelado.
O treinador vem tentando derrubar qualquer rivalidade interna que possa minar por dentro seu time, favorito para o tricampeonato mundial. Deschamps tem a sua disposição provavelmente o ataque mais estrelado das últimas décadas, com os campeões mundiais Kylian Mbappé e Ousmane Dembelé – um lutando para ser recordista de gols em Copas e o outro com uma Bola de Ouro na mala – e a grande joia da temporada, Michael Olise. Como se não bastasse o trio de ouro, ainda maneja a disputa pela quarta vaga no ataque entre Désiré Doué e Bradley Barcola.
“Todos eles têm qualidades, são grandes jogadores, estão entre os melhores, mas não estão um contra o outro. Eles têm uma boa relação entre eles”, disse o técnico após a vitória sobre o Marrocos nesta quinta-feira, 9, em Boston. “Désiré ou Barcola não é um contra o outro, não é uma disputa individual. Quando Ousmane fez um hat-trick, Kylian ficou feliz porque ele também já tinha feito.”
"Eles se apoiam, mesmo quando não jogam, apoiam o time, eles colecionam experiência e força. Os jogadores entendem que fazer parte do time da França é uma responsabilidade com os fãs, com os franceses e com as novas gerações. Esse aspecto foi extremamente importante na minha vida, como jogador e depois como técnico, e eu vejo o quão orgulhosos esses jogadores são de usar essa camisa."
A disputa entre Barcola e Doué é a mais emblemática, e sempre citada por Deschamps. Mas ele também faz questão de reforçar o relacionamento entre Dembelé e Mbappé e não tem poupado elogios a Olise, que ainda não fez nenhum gol nesta Copa, mas soma cinco assistências e é tido como um dos três melhores da Copa, ao lado do camisa 10 francês e de Lionel Messi.
“Estou orgulhoso de ter esse time comigo. Eles todos estão motivados quando estão dentro ou fora do gramado, isso é algo que eu aprecio, todos estão focados no grupo e em ganhar experiência”, disse o técnico, depois mencionando indiretamente um dos principais memes desta Copa, o do ‘Mbappé ditador’, pejorativo para alguns, que o veem como manda-chuva do time, elogioso para outros, que o apontam como o líder que aponta a direção para mais uma estrela.
“Não tem ditadores pensando em si. Kylian é capitão, é ótimo fora de campo, um modelo, e ele bateu meu recorde de jogos como capitão”, citou Deschamps, que foi campeão em campo em 1998 e tenta agora o bicampeonato como treinador. “Ousmane e Kylian agora são complementares, têm liberdade. Michael pode estar em todos os lados do campo. Então o oponente não tem sempre os mesmo jogadores à frente deles.”
Sobre a briga por mais uma final, o técnico usa o discurso protocolar de controle de expectativas.
“Hoje passamos para a semifinal. Amanhã saberemos quem será o adversário do próximo jogo. É Copa do Mundo, e estar na semifinal significa que você está entre os quatro melhores times do mundo. Temos que esperar quem teremos pela frente. O objetivo é chegar à final, mas passo a passo, como na fase de grupos”, disse. “Nós estamos na semifinal, vencemos outro adversário, mas vamos ver o que podemos fazer. Claro que os rivais sabem os jogadores que temos e o quão perigosos nós somos em vários níveis.”
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