Comparações com 2018 e 2022 não entram no vestiário da França: 'Não somos campeões, nem vices'
Futebol apresentado e campanha impecável levantam discussão: seleção francesa de 2026 é melhor que suas memoráveis antecessoras? Segundo os jogadores franceses, não, ao menos por enquanto
SÃO PAULO E BOSTON - A campanha irretocável feita pela França até aqui causa grande furor no mundo do futebol. Não há nenhuma seleção mais temida na Copa, a ponto de a rivalidade do momento ser com as suas próprias versões anteriores: a campeã de 2018 e a vice de 2022, comparação não admitida no vestiário francês.
"Não é a mais forte", assegurou Mbappé, o grande astro do time que tem encantado torcedores de todas as origens, após a vitória por 2 a 0 sobre o Marrocos. "Eu fui campeão do mundo e vice-campeão do mundo. Esta equipe ainda não é nem campeã, nem vice-campeã mundial. Portanto, neste momento, ela não é a mais forte."
A França campeã mundial sobre a Croácia em 2018, na Rússia, consolidou o então jovem Mbappé, com 19 anos e em sua primeira temporada pelo Paris Saint-Germain, como um dos principais jogadores da atualidade. Em 2022, embora o título tenha ficado com a Argentina de Messi, os franceses participaram de uma final memorável, decidida apenas nos pênaltis.
Na atual edição do Mundial, a seleção francesa impressiona em razão do futebol jogado, da consistência e da superioridade escancarada em relação aos adversários.
A partida na qual mais sofreu foi a vitória por 1 a 0 sobre o Paraguai, responsável por uma das mais formidáveis retrancas já vistas em Copas. Mesmo nesse jogo um pouco mais complicado, os franceses mostraram qualidades de campeões, inclusive ao assimilarem a catimba paraguaia e responderem na mesma moeda.
"É a equipe com maior potencial. É aquela com a qual podemos projetar mais coisas para o futuro. Há muita qualidade. Ela faz sonhar, claro", reforçou Mbappé. "Mas sempre disse que equipes fortes são aquelas que vencem. E, até prova em contrário, eu não vejo uma Copa do Mundo ao meu lado agora. Então, não, esta não é a equipe mais forte".
A sensação de que a atual seleção francesa é imbatível foi concebida no imaginário dos torcedores pelo resquício daquilo que foi feito nas duas Copas passadas, aliado ao incontestável desempenho em campo. É projeção dessa imagem que os franceses carregam à terceira semifinal consecutiva. Passar pelo Marrocos parecia natural, mas os jogadores jamais encararam dessa forma.
"Talvez vocês estivessem encarando isso como algo garantido. Nós não encaramos isso como algo garantido no vestiário", disse meio-campista Rabiot. "Posso dizer que estávamos muito felizes. Há muita alegria porque temos nos dedicado ao máximo por várias semanas.
As três campanhas de alto nível da França nas três últimas Copas têm um ponto em comum. Além da presença de Mbappé, o comando em todas elas coube a Didier Deschamps, treinador que mais dirigiu uma seleção em Mundiais, com 25 jogos, que se tornarão 26 assim que a bola rolar na semifinal contra Espanha ou Bélgica. O recordista era Helmut Schon, treinador da Alemanha Ocidental entre 1964 e 1978
"São três semifinais consecutivas, o que é bom. Parece lógico e natural, mas é preciso chegar lá. Tenho jogadores excelentes, é claro", comentou Deschamps após a classificação. "É ótimo, estamos exatamente onde queríamos estar. Vamos nos recuperar bem e ver nosso adversário amanhã."
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