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Chanceler da Hungria critica Boris Johnson por fala sobre racismo em jogo da Inglaterra em Budapeste

Péter Szijjártó diz que premiê age com parcialidade ao comentar episódio e recorda conduta da torcida inglesa na final da Eurocopa. Fifa promete 'medidas adequadas' após jogo ser marcado por insultos racistas da torcida húngara

3 set 2021 13h56
| atualizado às 14h26
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O ministro das Relações Exteriores da Hungria, Péter Szijjártó, acusou o primeiro-ministro britânico Boris Johnson de agir com parcialidade ao criticar os insultos racistas recebidos pelos jogadores da seleção inglesa na goleada por 4 a 0 sobre os húngaros nesta quinta, em Budapeste, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo. O chanceler respondeu relembrando a conduta da torcida da Inglaterra na decisão da Eurocopa diante da Itália, em Londres.

"Posso dizer sem exagero que Boris Johnson e eu temos uma relação amistosa, mas com todo o respeito que o primeiro-ministro merece, digo que em um assunto tão sério deve-se abandonar os dois pesos e as duas medidas", declarou Szijjártó em um pequeno vídeo postado na rede social Facebook. "O hino italiano era quase inaudível, porque os fãs ingleses assobiavam muito alto", concluiu, sem mencionar os insultos racistas na Eurocopa.

Jogando fora de casa, a seleção inglesa foi alvo de vaias da torcida húngara já no início da partida, quando os jogadores fizeram o habitual gesto de protesto contra o racismo, ajoelhando-se no gramado. Com a bola rolando, parte do público insultou vários jogadores ingleses, principalmente o autor do primeiro gol, Sterling, em direção a quem atiraram diversos objetos, como copos de plástico, enquanto outros imitavam sons de macacos para o jogador.

"É completamente inaceitável que jogadores da Inglaterra tenham sofrido abusos racistas na Hungria na noite passada. Convoco a Fifa a agir vigorosamente contra os responsáveis ??para garantir que esse tipo de comportamento vergonhoso seja erradicado do jogo para sempre", escreveu Johnson em sua conta nas redes sociais.

Em um comunicado, a Federação Húngara de Futebol (MLSZ) prometeu punir aqueles "que perturbaram a ordem", e afirmou que os torcedores "que entraram em campo e jogaram granadas leves e óculos" estão sendo identificados, para denunciá-los à polícia e eles serem proibidos de comparecer a eventos esportivos por dois anos.

"A grande maioria dos 60 mil torcedores que estavam no Puskás Aréna encorajou a seleção húngara seguindo as regras do 'jogo limpo' (fair play), mesmo quando a equipe estava perdendo", disse MLSZ.

Fifa promete 'medidas adequadas'

Após o assunto virar notícias nos principais jornais esportivos do mundo, a Fifa prometeu tomar as 'medidas adequadas' sobre o caso. A entidade relembrou sua política de "tolerância zero" em episódios deste tipo e não descarta sanções à Federação Húngara de Futebol. Anteriormente, a Uefa puniu a Hungria com dois jogos sem a presença do público por causa dos insultos racistas e homofóbicos da torcida nos jogos em que a seleção jogou em Budapeste, contra Portugal e França. Os húngaros correm risco de disputar mais jogos com portões fechados.

Estadão
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