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AFA acusa presidente da CBF de 'traição' por voto no Marrocos na Fifa

Vice-presidente da CBF, Fernando Sarney, pediu que decisões "individuais" não sejam consideradas na tentativa de abafar a crise aberta pelo coronel Nunes

14 jun 2018
07h19
atualizado às 08h22
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O presidente da Associação de Futebol Argentino (AFA), Claudio Tapia, lançou um duro ataque contra o presidente da CBF, Antonio Nunes, depois que o brasileiro rompeu um acordo da Conmebol e decidiu votar pela candidatura do Marrocos para receber a Copa de 2026. Para o argentino, seu ato foi de "traição". "Parece estar mais perto de traição que simpatia", disse Tapia.

Na tentaiva de acalmar a irritação da Conmebol, o vice-presidente da CBF, Fernando Sarney, usou um discurso para assegurar que a CBF "sempre irá cooperar com a Commenbol" e pediu que decisões "individuais" não sejam consideradas. Sarney não citou textualmente a crise aberta pelo coronel Nunes, mas sua mensagem foi interpretada como um distanciamento entre a instituição e o próprio Nunes. "A CBF está sempre alinhada com a Conmebol. Qualquer outra decisão diferente sempre será pessoal, e não uma posição da CBF", disse Sarney

Existia um acordo do bloco para que todos os dez votos das federações que compõem a Conmebol fossem para a candidatura dos Estados Unidos, México e Canadá na disputa para ser sede da Copa de 2026. Mas, para a surpresa de todos, o Coronel Nunes não informou a ninguém e não respeitou o acordo. A situação abriu uma crise dentro da entidade e abalou os planos da CBF de se apresentar à família Fifa como uma nova entidade.

Rogério Caboclo, presidente eleito da CBF, viajou até Moscou justamente para costurar uma nova relação com dirigentes, depois de anos de polêmicas e escândalos de corrupção. Mas o presidente da AFA deixou claro que o clima ruim com a CBF é ruim.

"Não me parece bem quando os homens se comprometem a algo, tem de cumprir. Pelo menos eu sou assim", afirmou Tapia. "Eu sempre que me comprometi, eu fiz. E não aconteceu isso. Temos de falar e pelo menos entender o que ocorreu e porque deu o voto dessa forma", disse. "Ele poderia ter dado voto para um ou outro. Mas, quando há um acordo, tem de ser respeitado", insistiu.

O argentino disse que não falou com Nunes depois da votação. "Um sempre atua com o sangue forte e não termina bem. Não compartilho sua posição", disse. "Não vejo como uma boa decisão", completou.

Ao Estado , Nunes havia garantido que iria à festa promovida pela Conmebol nesta quinta-feira para inaugurar uma espécie de casa da entidade em Moscou. Mas, por recomendação dos demais dirigentes da CBF, o coronel não apareceu e foi o único presidente sul-americano a não estar presente. A CBF foi representada por Caboclo e por Fernando Sarney, vice-presidente.

Diante da crise, a CBF tentou dar sinais para os EUA de que o voto não era uma posição institucional. "Conte conosco", disse o presidente eleito da CBF, Rogério Caboclo, ao presidente da US Soccer, Carlos Cordeiro.

O americano, porém, admitiu depois que nao Ainda estava convencido se a decisão havia sido de fato individual por parte de Nunes ou se era uma posição da CBF como instituição.

Estadão Conteúdo

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