Fãs dos Steelers levam "terrible towels" até Tampa Bay
Há uma torcedora do Steelers em Pittsburgh que sente certa ambivalência quanto ao sucesso da equipe.
"Foi na verdade difícil para mim, a ida do Steelers ao Super Bowl", disse Elizabeth Cope, 38. "Porque tenho de ver as 'terrible towels' em toda parte. É ótimo. Mas machuca".
As toalhas terríveis servem para lembrá-la de seu pai, Myron Cope, por muito tempo locutor esportivo em Pittsburgh e creditado com a criação da primeira Terrible Towel, em 1975. Antes de ele morrer, em fevereiro de 2008, aos 79 anos, Elizabeth assistiu ao Super Bowl com o pai em seu quarto de hospital. Ela envolveu seu caixão para o sepultamento em uma colcha de retalhos das toalhas, feita por uma fã.
No entanto, o lado bom da história é o que essas toalhas fazem por pessoas como Danny Cope, filho de Myron e irmão mais velho de Elizabeth.
Myron Cope legou mais do que uma bandeira felpuda de batalha que representa uma cidade e seu time, porque em 1996 ele transferiu o controle da marca registrada Terrible Towel à Allegheny Valley School, que controla uma rede de escolas e lares para pessoas com sérios problemas intelectuais e de desenvolvimento, em toda a Pensilvânia. A escola recebe quase todos os lucros gerados pela venda das toalhas.
Danny Cope é uma das quase 900 pessoas a que a escola atende. Ele vive desde 1982, quando era adolescente, em uma das residências que ela administra. Aos dois anos idade, Danny recebeu um diagnóstico de retardamento mental severo, e hoje tem 41 anos.
"Ele jamais aprendeu a falar", diz Elizabeth. "O que tem algo de engraçado, porque meu pai era conhecido pela voz. É quase como se a Terrible Towel fosse a voz silenciosa de Danny".
Centenas de milhares de toalhas - vendidas com a marca "Terrible Towel Oficial de Myron Cope" - são comercializadas a cada ano, por cerca de US$ 7 a unidade. Por intermédio dos Steelers, que cuidam da comercialização, a escola recebe um cheque mensal, em geral da ordem de dezenas de milhares de dólares, pelas vendas.
Um Super Bowl muda tudo. A empresa que produz as toalhas, a McArthur Towel & Sports, de Baraboo, Wisconsin, fabricou 450 mil delas na semana passada, depois que o Steelers conquistou o título da conferência americana. A empresa espera dobrar o total esta semana antes da disputa do Super Bowl contra o Arizona Cardinals, disse seu presidente, Greg McArthur.
Uma vitória do Steelers provavelmente resultaria em 500 mil encomendas adicionais das duas versões Super Bowl da Terrible Towel, uma com o placar da vitória contra o Cardinals e a segunda comemorando o hexacampeonato do Steelers no Super Bowl.
Antes desta temporada, a Aleghenny Valley School já havia recebido mais de US$ 2,5 milhões com a venda das toalhas, a partir de 1996, de acordo com Regis Champ, o presidente da instituição. Cerca de US$ 1 milhão do total vieram durante e logo depois da temporada de 2005, quando o Steelers venceu o Super Bowl XL. As vendas desta temporada devem superar aquele total.
"É uma ajuda incrível para nós", disse Champ. "Somos uma organização sem fins lucrativos, e nossa fonte de verbas principal, é o programa federal Medicaid. Embora o Medicaid ajude muito as pessoas deficientes, sua cobertura tem limitações".
A idéia para as toalhas surgiu em uma reunião da qual Cope participou em 1975 na WTAE, a principal rádio do Steelers, na qual ele narrava os jogos da equipe. Os executivos queriam uma idéias de promoção que ajudasse a despertar o entusiasmo durante os playoffs.
Os torcedores de Pittsburgh, uma cidade operária, não eram do tipo que compraria um pompom como forma de animar o time. Mas toalhas seriam bem mais úteis, porque podiam ser usadas para enxugar os assentos ou como proteção extra contra o frio. Cope batizou as toalhas de Terrible Towels. Nas transmissões, encorajava os torcedores a trazerem toalhas pretas ou douradas para o primeiro jogo dos playoffs, contra o Indianapolis Colts. A idéia parecia forçada, até que metade da torcida começou a agitá-las no início do jogo. Os Steelers conquistaram seu segundo Super Bowl consecutivo, cercado por um mar de toalhas.
Em pouco tempo elas se tornaram marca registrada e começaram a ser produzidas em massa. Outros times as imitaram, mas em geral são distribuídas de graça aos torcedores e parecem nada originais e nada inspiradoras, na comparação. Nem mesmo a NFL conseguiu se conter, e colocou a venda uma "toalha troféu" branca aos torcedores das duas equipes.
"Quando vejo outras toalhas nos estádios, sei que elas provavelmente não têm uma história pessoal que as justifique", diz Elizabeth Cope, que afirma guardar "milhões" delas em casa e ter recentemente doado alguns originais emoldurados a um museu de Pittsburgh. Uma delas está exposta na galeria da fama do futebol americano profissional.
Myron Cope era idolatrado em Pittsburgh por seu entusiasmo, voz anasalada e exclamações bizarras como "yoi!" e "duplo yoi!", mas sabia que seria lembrado acima de tudo pela toalha, e garantiu que ela serviria a algo mais do que comemorar as vitórias do Steelers.
Quando Danny chegou à Allegheny Valley School, os médicos tinham dito que ele jamais poderia trabalhar, mas hoje ele vive com mais quatro pacientes em uma casa autônoma, faz compras, assiste a jogos e tem um emprego pago.
"Myron disse que estava grato pela vida que seu filho pôde ter", diz Champ.
No domingo, as toalhas terríveis acenadas no estádio também estarão sendo acenadas na casa de Danny, cujos amigos gostam de assistir a jogos. Danny compreende que as toalhas desfraldadas significam que algo de animador está acontecendo.
"Mas quanto ao legado de seu pai?", diz Champ. "Não, temo que Danny não compreenda isso".
Tradução: Paulo Migliacci.