Ex-técnico de Kaká revela que foi sequestrado a caminho de falsa negociação com time da Arábia Saudita
Adrian Heath trabalhou no Orlando City de 2011 a 2016
O ex-técnico Adrian Heath revelou ter sido sequestrado durante uma falsa negociação de emprego envolvendo um time fictício da Arábia Saudita, mas conseguiu escapar sem maiores danos; autoridades investigam o caso.
O treinador Adrian Heath viveu três dias de terror durante uma falsa negociação para assumir um time da Arábaia Saudita. O britânico de 65 anos revelou que foi vítima de um sequestro quando estava a caminho de uma entrevista de emprego no Marrocos, já na reta final das conversas.
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“Foram os três dias mais longos e mais rápidos da minha vida. Isso dá a todos a oportunidade de reavaliar suas vidas e o que realmente importa. E a única coisa importante é a sua família. Todo o resto é secundário”, disse em entrevista ao NY Times.
Ao longo de sua carreira como jogador de futebol, Heath passou por equipes como Everton, Espanyol, Aston Villa e Manchester City. Já como treinador, fez história no comando do Orlando City, dos Estados Unidos, onde conduziu a equipe com Kaká no elenco.
O interesse do time saudita - que não teve o nome revelado - seria sua oportunidade de voltar ao mercado após um ano de sua saída do Minnesota United. Com o contato feito por um intermediário, Heath se animou com a possibilidade e partiu para Marrocos, onde combinou de conhecer o sheik responsável pela equipe e, posteriormente, iria para a Arábia Saudita.
Durante as conversas, o treinador procurou até referências sobre o país com velhos amigos, incluindo Steven Gerrard, ídolo do Liverpool. O pesadelo, porém, começou pouco após desembarcar.
Após ser recebido por funcionários no aeroporto, Heath foi levado para um carro e iniciou a viagem que supostamente seria para o encontro com o sheik. No meio do caminho, ele percebeu as vias ficando mais estreitas e menos movimentadas.
“A princípio, pensei que fosse o caminho mais rápido para onde íamos. Supostamente, íamos nos encontrar com o xeique. 'Ele só quer te conhecer e dizer olá.' Ótimo, sem problemas. Mas, em 20 minutos, comecei a entrar em pânico porque as faixas estavam diminuindo e estava escurecendo. Acabamos entrando em uma pequena cidade portuária e demos de cara com um bairro meio suspeito. Eu deveria estar hospedado em um hotel na praia”, explicou.
Mesmo após descer do carro, o treinador continuou sem ouvir explicações do que estava acontecendo: “Durante a primeira hora, eles praticamente não falaram comigo. Eles estavam bebendo alguns drinques e me perguntavam se eu queria, e eu dizia que não”.
As ameaças, então, começaram e os sequestradores passaram a pedir uma quantia financeira pelo resgate, por meio de ligações à esposa e ao filho dele, que diziam não ter acesso a suas contas bancárias.
Alguns telefonemas depois, familiares do técnico perceberam que os sequestradores haviam esquecido de desligar a localização de Heath e conseguiram rastreá-lo. Uma captura de tela do local em que ele estava foi enviada a agentes policiais e aos próprios sequestrados.
Quando os criminosos perceberam o erro cometido, colocaram o treinador novamente no carro e o levaram até perto de um aeroporto, onde o jogaram para fora do carro. Com passaporte e mala em mãos, ele acabou perdendo apenas US$ 600 (R$ 3,1 mil).
Imediatamente após ser deixado pelos sequestradores, Heath correu para o aeroporto e comprou passagem para o primeiro voo para a Europa, com destino a Madrid, na Espanha. No portão de embarque, ele ligou para a esposa para avisá-la que tudo estava bem.
A decisão de revelar o caso foi tomada após ser informado de que outro treinador teria passado pela mesma situação. Agora, seu objetivo é alertar os companheiros de profissão para que não passem pelo mesmo.
Ao NY Times, um porta-voz da Agência Nacional de Combate ao Crime (NCA), do Reino Unido, informou que está investigando o caso: “Podemos confirmar que agentes da NCA estão investigando alegações ligadas a um falso consórcio de futebol que oferece emprego a jogadores profissionais, o que resultou em ameaças de violência e transferência de dinheiro sem que nenhum emprego ou contrato tenha sido efetivamente firmado. Como nossa investigação está em andamento, não podemos fornecer mais informações neste momento”.