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O Botafogo ainda tem jeito? O choro, agora, é em inglês também

Depois de levar virada impressionante do Palmeiras, o título ainda pode ficar com o time carioca apesar de tudo; Verdão está vivo

2 nov 2023 - 11h41
(atualizado às 11h53)
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John Textor, dono do Botafogo, durante partida contra o Palmeiras
John Textor, dono do Botafogo, durante partida contra o Palmeiras
Foto: THIAGO RIBEIRO/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA

A paranoia do torcedor botafoguense com a possibilidade de perder o título brasileiro se tornou um perigo real e imediato. A virada sensacional do Palmeiras deixa um gosto amargo para o Glorioso na reta final do campeonato. O inacreditável aconteceu, como, por exemplo, o artilheiro Tiquinho Soares perder pênalti quando o time carioca vencia por 3 a 1. Ali, o camisa 9 mataria a partida.

O zagueiro de seleção Adryelson foi expulso no segundo tempo. Esse cartão vermelho deixou o dono da SAF do Botafogo, John Textor, louco de raiva. Textor chamou a decisão do VAR de roubo, falou sobre corrupção e pediu a renúncia do presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues. Um chororô em inglês.

O grande erro de John, the boss, foi não ter contratado Cláudio Caçapa como substituto de Luís Castro. Caçapa conseguiu ótimo aproveitamento em apenas quatro jogos. Não era para o competente ex-interino do Botafogo virar treinador no belga RWD Molenbeek.

Para que Bruno Lage? O sujeito deu uma declaração pra lá de infeliz na coletiva de imprensa, e deixou o cargo à disposição depois de uma derrota ‘normal’ para o Flamengo? Por qual razão a derrota era normal? O jogo estava disputado. Muito. Em um lance, Bruno Henrique decidiu com um golaço. Na verdade, o Glorioso perdeu por causa de equívocos de Lage. Um deles, nesse clássico, foi ter escalado o inexperiente JP Galvão para marcar o super experiente Bruno Henrique. Tinha que dar errado.

Quando o técnico português cometeu a gafe de colocar o cargo à disposição, Textor deveria ter demitido Bruno Lage ali. Não deu o bilhete azul de demissionário no momento certo, então, os erros da comissão técnica continuaram.

O caldo entornou de vez para o ex-treinador do Alvinegro quando barrou o artilheiro e, até então, melhor jogador do Campeonato Brasileiro, Tiquinho Soares, no jogo contra o Goiás, no Estádio Nilton Santos. Bruno Lage viu que fez besteira e, na segunda etapa, o camisa 9 entrou. Fez gol com seis minutos em campo. Tiquinho voltou ao time no segundo tempo, mas o treinador bagunçou tudo.

Tchê Tchê, o pulmãozinho do Bota, entrou e continuou na posição errada: a famigerada lateral direita. Já o ofensivo meia Eduardo teve de recuar e ficou como segundo volante no tempo final. Não tem característica nenhuma para essa função. Aí, outra péssima escolha foi deixar o time com quatro atacantes, ou seja, dois pontas com uma dupla de centroavantes, Tiquinho e Diego Costa, porque não queria substituir o último. Era o chamado ‘toque pessoal’ de Lage. A cereja do bolo da derrota.

O Fogão não investiu em substitutos à altura dos principais jogadores. Quando Tiquinho Soares se lesionou contra o Cruzeiro no turno, Textor não mandou contratar um ótimo reserva. Diego Costa tem uma história gigantesca. Foi um grande centroavante. Foi. As últimas temporadas do centroavante são ruins. Diego teve boa atuação contra o Bahia. Só.

O meio-campo Eduardo caiu muito de produção. Algo assustador. O elenco não tem um bom substituto para o camisa 33. Na zaga, o Fogão passa por essa falta de bons suplentes também.

O Botafogo ainda tem o Campeonato Brasileiro nas mãos. Apesar da diferença se encontrar, agora, em apenas três pontos, o Fogão tem um jogo a menos, aquele contra o Fortaleza. A grande questão é se o time já se perdeu emocionalmente. Jogar fora aquela vantagem produzida com Castro e Caçapa no comando da equipe seria uma tragédia grega.

Fonte: PV Ferreira PV Ferreira é editor e jornalista esportivo com experiência em coberturas do futebol brasileiro, sul-americano e europeu, além das modalidades olímpicas e paralímpicas. As visões do colunista não representam a visão do Terra.
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