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Ancelotti renova com Real Madrid e futebol brasileiro anda sem moral

Sobra para a seleção pentacampeã mundial o dinizismo, estilo de jogo de alguns acertos e muitos erros

30 dez 2023 - 00h09
(atualizado às 00h23)
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Campeão quatro vezes da Champions League como técnico, o italiano Carlo Ancelotti não vai para a seleção brasileira
Campeão quatro vezes da Champions League como técnico, o italiano Carlo Ancelotti não vai para a seleção brasileira
Foto: Futebol BR

Mais uma derrota. A tão aguardada assinatura de contrato de Carlo Ancelotti como técnico da seleção brasileira não vai acontecer. Apesar de ainda parecer uma honra comandar a equipe de futebol do país mais vezes campeão do mundo, o italiano, que já não andava muito à vontade em ser o primeiro gringo treinador do escrete canarinho, preferiu se livrar da bomba. Sim. Atualmente, ser treinador da seleção pentacampeã (e que participou de todas as edições de Copa do Mundo) é perigoso para a reputação. Ancelotti tem muitos títulos. Ele é o maior conquistador de taças da Champions League em todos os tempos como técnico: quatro, sendo duas pelo Real Madrid.

O último título da Liga dos Campeões do Real Madrid comandado por Carlo foi na temporada 2021/22, mesmo com os Citizens tendo a melhor equipe do Velho Continente no papel, na teoria. Aliás, o grande time espanhol eliminou o Manchester City na fase semifinal da 'Champions' naquela oportunidade, na primeira metade de 2022. Ancelotti tem mais títulos da Liga dos Campeões do que o excepcional Pep Guardiola, que, por enquanto, tem três. Por enquanto. Pep vai ultrapassá-lo com o City, o segundo maior time da Europa na História, perdendo justamente para o Barcelona liderado fora de campo pelo mesmo Guardiola e, dentro de campo, por Lionel Messi na fase de ouro do argentino. 

Voltando a escrever sobre Carlo Ancelotti, sempre achei estranha essa história do italiano como técnico da seleção brasileira. Fontes da Confederação Brasileira de Futebol confirmavam que estava tudo apalavrado. No entanto, palavras ao vento não tem valor. Vale o escrito. Não tinha assinatura, né. Ednaldo Rodrigues foi expulso do cargo de presidente da instituição, pois o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro o tirou de lá (o destituiu no dia 7 de dezembro) por falta de legitimidade jurídica na eleição do próprio Ednaldo, a CBF virou terra de ninguém de forma explícita. Existe um interventor, o presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), José Perdiz, que convocou eleições. A Confederação está sem cabeça há quase um mês.

Como um profissional do peso de Carlo Ancelotti vai aceitar essa roubada? Aliás, não aceitou e renovou com o Real Madrid até 2026. Agora, pesquisem direitinho. Qual é o treinador de primeiro escalão que aceita trabalhar em seleção? Nenhum. Guardiola, Ancelotti, Klopp e até o quase decadente José Mourinho nunca colocaram no currículo seleção alguma. O negócio, pelo menos, dos três primeiros é Champions League. Copa do Mundo e Eurocopa são para o segundo grupo não tão brilhante assim. Considero ganhar uma Copa do Mundo a maior honra de todas e, bem atrás, a Eurocopa. Para o trio Pep-Klopp-Ancelotti, não é bem assim. Enfim, esse papo de Carlo no esquadrão canarinho acabou.

Campeão da Libertadores de 2023 com o Fluminense, o técnico Fernando Diniz é interino da seleção brasileira
Campeão da Libertadores de 2023 com o Fluminense, o técnico Fernando Diniz é interino da seleção brasileira
Foto: Divulgação/CBF / Jogada10

Dinizismo na seleção

Pelo jeito, o treinador do Fluminense, Fernando Diniz, deixará de ser interino para ser o técnico da seleção. Terá de escolher o campeão da Libertadores ou o escrete amarelinho. Escolha de Sofia? Embora seja referência mundial de renovação na modalidade, na equipe brasileira, Diniz não conseguiu implementar 10% do estilo de jogo que caracteriza o vice-campeão mundial de clubes.

Venceu as duas primeiras, empatou uma em casa com a ‘sem-tradição nenhuma’ Venezuela e perdeu três seguidas, sendo a última em pleno Maracanã para a Argentina. Pela primeira vez na História, o Brasil empatou com a Venezuela nas Eliminatórias e perdeu três vezes seguidas nessa mesma competição, sendo uma dessas derrotas, também inédita, em casa. 

É difícil encaixar as peças no dinizismo de uma hora para outra. É um esquema que depende muito de entrosamento (não é de fácil assimilação), de 11 titulares que saibam tocar a bola, inclusive na própria pequena área, de defesas difíceis do goleiro, pois os passes errados acontecerão, e de uma mudança de cultura dos atletas, acostumados com mobilidade sim mas dentro dos esquemas posicionais.

Diniz é da escola aposicional. Um jeito de atuar até bonito, mas que cobra muito quando se erra. Na final do Mundial, o Fluminense levou três gols do City por causa de falhas individuais. Será difícil melhorar o desempenho da seleção com dois treinos antes de cada jogo das Eliminatórias para a Copa do Mundo.

Que os deuses do futebol ajudem o Brasil.

Abraços boleiros e igualitários.

Fonte: PV Ferreira PV Ferreira é editor e jornalista esportivo com experiência em coberturas do futebol brasileiro, sul-americano e europeu, além das modalidades olímpicas e paralímpicas. As visões do colunista não representam a visão do Terra.
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