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Sem público, 24h de Le Mans tem edição atípica e disputa imprevisível por vitória

Por um lado, as 24 Horas de Le Mans perdem parte do charme por conta da pandemia e dos portões fechados. Por outro, a briga pela vitória na LMP1 é mais aberta do que em anos anteriores e envolve até Bruno Senna. Mesmo em data inusitada, a prova de endurance mais famosa do mundo ainda tem muito o que oferecer

15 set 2020
04h16
atualizado às 05h37
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As 24 Horas de Le Mans de 2020 acontecem de um jeito diferente, mas com o charme de sempre
As 24 Horas de Le Mans de 2020 acontecem de um jeito diferente, mas com o charme de sempre
Foto: Reprodução / Grande Prêmio

2020 não será lembrado como um ano normal. Aconteceu um pouco de tudo, com a pandemia do coronavírus tomando manchetes de assalto e modificando planos ao redor do mundo. É verdade também para o Mundial de Endurance, que só vai realizar as icônicas 24 Horas de Le Mans em setembro. De quebra, com portões fechados e grid mais minguado. Ainda assim, nada que acabe com a magia: a prova de endurance mais famosa do planeta volta com o mesmo charme de sempre e com uma briga pela vitória que já promete.

A corrida em Le Mans acontece após um primeiro teste do WEC a respeito do esporte a motor em um mundo pandêmico. A categoria já realizou as 6 Horas de Spa-Francorchamps em agosto, encerrando período de paralisação que vinha desde fevereiro. Foi tudo bem com a corrida, exceto por um choque de realidade antes da largada: Gabriel Aubry, piloto da Jota Sports na LMP2, testou positivo para coronavírus dias antes e virou desfalque, forçando outras 23 pessoas a ficar em isolamento até confirmação de teste negativo.

Depois da sorte de ter apenas um caso isolado na Bélgica, faz sentido que a categoria seja rigorosa na França. Ao contrário de campeonatos que já permitem presença de público reduzido no autódromo, o Mundial de Endurance leva o conceito de portão fechado ao pé da letra. Pela primeira vez na história, não haverá uma única alma nas arquibancadas nas 24 Horas de Le Mans. A esperança de receber fãs seguiu viva até agosto, mas sucumbiu aos temores de uma ainda tímida segunda onda de infecções em solo europeu.

A Toyota vai forte para Le Mans, mas agora com concorrência real
A Toyota vai forte para Le Mans, mas agora com concorrência real
Foto: Toyota / Grande Prêmio

Os lamentos de uma corrida anestesiada pela falta de público são contrabalanceados pela expectativa de uma edição mais imprevisível das 24 Horas de Le Mans. Depois de dois anos em que a Toyota nadou de braçada, consequência da saída de Porsche e Audi da classe LMP1, 2020 promete briga mais aberta. O Mundial de Endurance finalmente encontrou uma forma de neutralizar parte da vantagem do carro japonês, abrindo chance de a Rebellion sonhar com a vitória.

O campeonato, entretanto, começou ainda da forma que nos acostumamos a ver em anos recentes. O Toyota #7 de Mike Conway, Kamui Kobayashi e José María López fez pole e venceu nas 6 Horas de Silverstone, realizadas mais de um ano atrás, em setembro de 2019. Os dois carros alvirrubros tiveram performance semelhante e deram um banho no resto, completando a prova com uma volta de vantagem sobre os terceiros colocados, com o #7 vencendo. O Toyota #8 de Sébastien Buemi, Brendon Hartley e Kazuki Nakajima perdeu uma chance que se provaria rara de brigar por vitória.

A redenção veio na prova seguinte, as 6 Horas de Fuji. Foi a vez do #8 fazer a pole, controlar ações e vencer com o carro #7 em segundo. Em terceiro, a Rebellion de Bruno Senna, Gustavo Menezes e Norman Nato conseguia o primeiro de muitos pódios no ano. Ainda no giro asiático, as 6 Horas de Xangai foram especiais: tirando proveito de uma Toyota ainda mais capada, o trio da Rebellion conseguiu vitória importante para colocar um tempero no campeonato.

O problema é que isso não tinha como durar para sempre. Ainda mais porque a força da Rebellion é muito mais uma questão de treino classificatório do que de corrida. No Bahrein, a nova pole de Senna/Menezes/Nato não impediu a segunda vitória no ano de Conway/Kobayashi/López. O campeonato estava equilibrado, mas com um começo ruim da Rebellion ainda deixando a Toyota favorita ao título.

Em Austin, a Toyota voltou a ficar muito atrás da Rebellion em volta rápida. Dessa vez, Senna/Menezes/Nato tinham tanta vantagem de performance que seria possível fazer a pole e vencer. E aí a pandemia do coronavírus virou realidade.

A Rebellion busca dar sequência à boa temporada 2020
A Rebellion busca dar sequência à boa temporada 2020
Foto: Rebellion / Grande Prêmio

Foi só em agosto que a briga pelo título pôde ser retomada. E seguindo tendência vista anteriormente: pole da Rebellion, mas vitória do Toyota #7. Na ida para Le Mans, é justamente esse trio que lidera, com 137 pontos e três vitórias. O Toyota #8, com uma série de segundos lugares, acumula 125. O trio da Rebellion, mesmo vencendo duas, paga pelo começo ruim e acumula 109. Dito isso, a ida à França reserva 24 horas de ação e risco maior de abandonos, fator que pode virar o campeonato de cabeça para baixo.

Caso a Rebellion consiga a vitória, seria um resultado particularmente especial para o Brasil. Nunca um piloto do país conseguiu triunfar em Le Mans na LMP1, e Senna vê a chance de mudar isso ao lado de Menezes e Nato. Bruno é o protagonista de um grupo até encorpado de brasileiros que embarcam para a França: são sete, distribuídos nas quatro classes.

Depois de Senna, André Negrão é outro grande destaque. O brasileiro vem de duas vitórias seguidas com a Alpine na LMP2 e tem a chance de fazer um hat-trick ao lado de Nicholas Lapierre e Thomas Laurent. Na GTE-Pro, outro piloto com currículo vitorioso é Daniel Serra, vencedor em 2017, que retorna à AF Corse para correr de Ferrari 488 ao lado de James Calado e Alessandro Pier Guidi.

A maioria dos brasileiros, entretanto, surge na GTE-Am. Felipe Fraga segue impulsionando a carreira internacional com a segunda aparição em Le Mans. Augusto Farfus vai para a quinta tentativa, mas com mudança séria: é a primeira vez sem representar a BMW, agora ao volante de uma Aston Martin. Marcos Gomes e Oswaldo Negri completam a lista, ambos de Ferrari.

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