Nunca quis ser o Ayrton Senna, diz Rubens Barrichello
25 ago2010 - 08h19
(atualizado às 08h37)
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Em entrevista nesta terça-feira ao canal de TV por assinatura SporTV, Rubens Barrichello mostrou ainda ressentir a morte de Ayrton Senna no GP de San Marino de 1994. O piloto brasileiro da Williams - curiosamente, a última equipe de Senna - garantiu que nunca quis substituir o tricampeão, e nem escondeu sua gratidão pela ajuda recebida no início da carreira na Fórmula 1. Além disso, como torcedor, disse ser difícil se lembrar da batida de seu incentivador em Ímola sem se emocionar.
"Hoje eu digo muito corretamente que nunca quis ser o Ayrton; minha pretensão era ser o que eu quero ser, criando minha história. Mas o Ayrton me ajudou muito no meu início, mesmo aqui no kartódromo. Me ajudou a ir para o Mundial, ligando para a equipe. Eu tenho todos os recortes, mas não sei por que eu tenho, porque nunca vou olhar. É muito doloroso ver ele sorrindo", disse Barrichello, afirmando ter "gravado na memória" a morte de Ayrton, "como todos os brasileiros". "Acho que todos respiraram forte quando viram a cabeça dele mexendo, dizendo 'ele está bem', quando aquele na verdade foi o suspiro final", contou.
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Assim como o personagem Dick Vigarista, do desenho animado "Corrida Maluca", muitos personagens da Fórmula 1 lançam mão de artíficios contestáveis na briga por vitórias. Confira alguns dos mais recentes:
Foto: Getty Images
Jean-Marie Balestre, ex-presidente da FIA, ficou famoso ao desclassificar Ayrton Senna no GP do Japão de 1989. Na ocasião, brasileiro se chocou com Alain Prost, mas conseguiu retornar à pista com ajuda de fiscais; sem vitória, Senna perdeu título e acusou Balestre de favorecer seu compatriota, o francês Alain Prost, campeão em 1989
Foto: Getty Images
Curiosamente, o chefe de equipe da McLaren, Ron Dennis, ameaçou ir à Justiça comum para tentar recuperar a vitória de Senna em Suzuka; Balestre então exigiu uma retratação pública da McLaren e de Senna, ameaçando tirar a equipe da categoria
Foto: Getty Images
Michael Schumacher e Rubens Barrichello roubaram a cena no começo da década - primeiro em 2001, quando o brasileiro cedeu o segundo lugar no GP da Áustria para o alemão; não satisfeita, a Ferrari repetiu a estratégia em 2002, na mesma pista, dando a vitória ao heptacampeão
Foto: Getty Images
Fernando Alonso era segundo no GP da Alemanha de 2010, até que um comunicado de rádio chegou a seu companheiro Felipe Massa, então líder; o brasileiro então abriu espaço para o espanhol, que herdou o primeiro lugar na polêmica dobradinha da Ferrari em Hockenheim
Foto: Getty Images
E não foi o primeiro escândalo envolvendo Fernando Alonso e um companheiro brasileiro. Em 2008, Nelsinho Piquet foi instruído a rodar e bater intencionalmente no muro do circuito de Cingapura, de forma a forçar a entrada do safety car e contribuir para a vitória de Alonso; na época, o espanhol - que venceu a corrida - alegou não saber do que acontecia
Foto: Getty Images
Atualmente afastado da F1, Flavio Briatore tem um longo histórico de polêmicas na categoria; antes da que envolveu Nelsinho Piquet e Fernando Alonso em 2008, o italiano foi acusado de manipular uma série de dispositivos eletrônicos na Benetton em 1994; na mesma temporada, Michael Schumacher foi campeão ao jogar o carro em cima de Damon Hill
Foto: Getty Images
Ex-mecânico da Ferrari, Nigel Stepney foi protagonista de um escândalo de espionagem na temporada de 2007; na ocasião, foi acusado de fornecer a um colega da McLaren informações técnicas do carro da equipe italiana, o que causou sua demissão