MotoGP: Pierre Gasly passa a integrar grupo de investidores da Tech3
Pierre Gasly se torna o primeiro piloto da F1 em atividade a investir em uma equipe do Mundial de Motovelocidade
O piloto da Alpine na Fórmula 1, Pierre Gasly, foi anunciado como um dos novos investidores da Tech3, tradicional equipe do grid da MotoGP. De acordo com o site The Race, o francês se torna o primeiro piloto em atividade na F1 a apostar financeiramente em um time da principal categoria do motociclismo mundial, marcando um movimento inédito entre as duas modalidades.
Gasly já mantém relação próxima com o paddock da MotoGP desde 2019, quando visitou a categoria durante o Grande Prêmio da Tailândia. O francês também tem amizade com um dos principais nomes da modalidade, o compatriota Fabio Quartararo, campeão mundial em 2021.
Em comunicado divulgado pela equipe, a Tech3 destacou o caráter histórico do investimento, especialmente diante das frequentes especulações envolvendo outros grandes nomes da Fórmula 1, como Lewis Hamilton e Max Verstappen, em possíveis projetos futuros ligados à MotoGP.
“Tenho uma convicção muito forte na força da marca Tech3 e no crescimento de longo prazo da MotoGP”, afirmou Gasly. “A Tech3 tem um potencial significativo ainda a ser explorado, e estou animado para contribuir na elevação do perfil da equipe”, completou o piloto.
O investimento amplia o portfólio esportivo de Gasly, que já detém participação no FC Versailles, clube francês que disputa a terceira divisão do futebol nacional.
Nova estrutura de comando
A entrada de Gasly acontece em meio à divulgação da nova estrutura societária da Tech3, após a mudança de controle anunciada no ano passado. O novo grupo é liderado por Guenther Steiner, ex-chefe da Haas na Fórmula 1, e Richard Coleman, em parceria com a IKON Capital.
Segundo o The Race, o quadro de investidores também inclui a Bolt Ventures, comandada por David Blitzer — conhecido por sua atuação em franquias como o Philadelphia 76ers (NBA) e o New Jersey Devils (NHL) — e a Main Street Advisors, fundada por Paul Wachter, sócio do Fenway Sports Group, conglomerado que controla clubes como o Liverpool e o Boston Red Sox.
O fundador da Tech3, Hervé Poncharal, deixou oficialmente o comando da equipe no início deste ano, encerrando um ciclo iniciado ainda no começo dos anos 2000.
Transição e decisões para 2026
Equipe satélite histórica da MotoGP, a Tech3 construiu sua reputação ao longo de mais de uma década de parceria com a Yamaha, antes de migrar para a KTM em busca de uma relação mais próxima com a fabricante. Nos últimos anos, essa colaboração se intensificou, com a Tech3 sendo tratada como uma extensão da equipe de fábrica da KTM, compartilhando patrocinadores, identidade visual e pilotos sob contrato direto com a montadora.
Atualmente, a equipe conta com Maverick Viñales e Enea Bastianini, ambos com vínculos de fábrica. No entanto, o período de transição administrativa impõe decisões estratégicas importantes já no início de 2026.
O chefe de equipe, Nicolas Goyon, reconheceu que a mudança de gestão trouxe um inverno atípico para o time. Segundo ele, embora a transição tenha sido oficialmente concluída apenas no fim de dezembro, a manutenção de patrocinadores, pilotos e estrutura facilitou a adaptação.
Futuro com a KTM em aberto
A principal definição pendente envolve a continuidade da parceria com a KTM, cujo contrato se encerra ao fim da atual temporada. Apesar das incertezas geradas pela crise financeira enfrentada pela fabricante em 2025, o cenário mudou com a entrada da Bajaj Auto no controle do grupo, garantindo a continuidade do projeto na MotoGP.
A KTM já testa seu protótipo para o novo regulamento de motores 850cc, previsto para 2027. O diretor esportivo da marca, Pit Beirer, afirmou que a prioridade é manter a Tech3 como equipe satélite, destacando a importância de quatro motos no grid para um projeto competitivo e sustentável.
Ainda assim, qualquer definição sobre pilotos para 2027 dependerá diretamente da decisão sobre o futuro da parceria técnica. Caso permaneça com a KTM, a Tech3 pode não contar com Viñales ou Bastianini na próxima fase do projeto, mas o mercado oferece alternativas tanto entre pilotos experientes quanto entre talentos da Moto2.