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Guia F1 2023 – Sem Gasly, AlphaTauri precisa se redimir

Com “novato experiente” Nyck de Vries para a vaga de Pierre Gasly, AlphaTauri busca retomar o bom caminho perdido em 2022

27 fev 2023 - 13h04
(atualizado às 13h07)
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O carro com o qual a AlphaTauri espera melhorar em 2023
O carro com o qual a AlphaTauri espera melhorar em 2023
Foto: AlphaTauri / Twitter

Nome oficial: Scuderia AlphaTauri

Carro: AT04

Motor: Honda RBPTH001

Pilotos: #22 Yuki Tsunoda e #21 Nyck de Vries

Posição em 2021: 9º de 10

A equipe

A filial da Red Bull nunca teve – e, provavelmente, nunca terá – a pretensão de brigar por títulos na Fórmula 1. O objetivo número 1 da equipe é ser uma plataforma de marketing para as empresas do grupo Red Bull. A outra razão de ser do time é servir como uma incubadora de pilotos para a equipe principal do conglomerado.

Mas o fato de não ser uma postulante aos títulos não quer dizer que está tudo bem ir mal. Não, não está. Depois de uma sequência de boas temporadas, a AlphaTauri amargou um péssimo 2022, terminando apenas na 9ª colocação geral, pior desempenho desde 2018. O baque é ainda maior ao se notar a distância abissal entre equipes A e B da Red Bull na tabela geral.

Pierre Gasly, que vinha sendo o grande nome da AlphaTauri nas últimas temporadas, fez suas malas e rumou para a Alpine. Sem ele, a equipe precisou recalcular sua rota, e optou por abrir mão de uma de suas funções básicas, a de revelar pilotos do mundo Red Bull. Sem nenhum piloto na F2 que estivesse em destaque e pronto para chegar à categoria máxima, a equipe foi atrás de um nome ligado à Mercedes e deu a ele a tão sonhada vaga na Fórmula 1.

Nyck de Vries e Yuki Tsunoda na apresnetação do AT04, em Nova Iorque
Nyck de Vries e Yuki Tsunoda na apresnetação do AT04, em Nova Iorque
Foto: AlphaTauri / Twitter

A dupla de pilotos

#21 Nyck de Vries: o holandês já ronda o mundo da F1 há alguns anos – pelo menos desde quando foi campeão da F2, em 2019. Ligado à Mercedes, ele nunca teve uma chance como titular na equipe alemã ou em suas clientes. Acabou indo para a Fórmula E, onde também se sagrou campeão.

Em 2022, voltou a figurar no paddock da F1 no posto de piloto de testes e reserva da Mercedes. Fez uma peregrinação por diversas equipes. Andou em treinos livres não só na Mercedes, mas na Aston Martin e na Williams, além de um teste privado na Alpine e uma quase substituição de última hora na McLaren.

Seu grande momento foi no GP da Itália, quando precisou substituir Alex Albon às pressas. Superou as expectativas e terminou em 9º, coletando um dos poucos pontos da Williams no ano em sua única participação. A atuação chamou a atenção e, no fim ano, surgiu a proposta da AlphaTauri.

Aos 28 anos, de Vries fará uma estreia tardia para os padrões atuais. Apesar de oficialmente ser um novato na categoria, é um piloto bastante experiente, capacitado e já familiarizado com o ambiente da F1. Um ótimo nome para a importante ausência de Gasly.

 #22 Yuki Tsunoda: Aos trancos e barrancos, Tsunoda vai continuando na Fórmula 1. O pequenino japonês ruma para seu terceiro ano na AlphaTauri e na categoria. Ele já mostrou em diversas ocasiões ter velocidade, mas ainda faltam consistência e maturidade para liderar uma equipe.

Pela primeira vez, Yuki não terá Gasly ao seu lado na equipe. Ter um novato como colega – por mais experiente que seja de Vries – é uma oportunidade e uma pressão, em iguais medidas. Se sonha em se firmar na categoria, é importante se impor ante um parceiro estreante e conduzir a equipe na tabela de pontos. Mas se ele não conseguir se sobrepor e acabar superado por um recém-chegado, sua situação pode ficar difícil de sustentar.

De Vries testa o no AT04
De Vries testa o no AT04
Foto: AlphaTauri / Twitter

O carro

O AT04 tem a missão de superar o complicado AT03, o carro do ano anterior que sofria com saídas de frente, especialmente com os pneus mais duros. Algumas diferenças perceptíveis na aerodinâmica são a o bico ligeiramente mais largo e a carenagem do motor também mais corpulenta. Mas, como estamos acostumados a ver, os carros que vão aos testes iniciais tendem a passar por mudanças ao longo do ano, de modo que as escolhas que saltam aos olhos hoje não necessariamente serão mantidas no decorrer da temporada.

O que fica é a pintura e, essa sim, mudou bastante. O branco ganha mais destaque sobre o azul marinho, como no AT01, de 2020. Quase toda extensão do bico está no tom mais claro, com o preto da fibra de carbono exposta nas asas e na porção inferior do carro. O azul marinho da marca ganha destaque na parte de trás, nas laterais e na carenagem do motor. A maior novidade, no entanto, é o patrocínio da petrolífera polonesa Orlen, que sai da Alfa Romeo rumo à AlphaTauri. A empresa, dessa vez, não levou Robert Kubica consigo...

Graças ao novo parceiro, o carro da equipe italiana passa a receber pintura vermelha na asa traseira, no halo, em partes da lateral e nas rodas. Muita informação visual? Talvez. Mas uma importante entrada nos cofres da equipe.

Tsunoda em ação no AT04
Tsunoda em ação no AT04
Foto: AlphaTauri / Twitter

Expectativa para 2023

A AlphaTauri terminou os testes de pré-temporada como a equipe de maior quilometragem, completando 456 voltas nos três dias de atividade. Assim como no caso da Williams, isso é algo positivo. Significa que a equipe teve tempo de pista suficiente para testar peças, configurações e validar dados de simulador – ainda que essa correlação tenha sido apontada como uma das dificuldades do time no Barein.

A quantidade de voltas tem seu valor, mas não é nenhum indicativo, para bem ou para mal, do desempenho do carro. Nessa seara, o time terminou na 5ª colocação no geral, com uma volta boa de Tsunoda de pneus macios. Pode ser sinal da velocidade pura do carro, mas pode ser também uma volta com carro leve para testar algum acerto mais extremo.

No fim da contas, a AlphaTauri não apresentou um ritmo dos melhores e ainda sofre com a aderência – problema central do ano passado. Talvez ainda seja cedo para voltar ao 6º lugar entre os construtores, que é o patamar médio da equipe, mas o carro deu sinais de que a equipe pode ir além da modesta 9ª colocação de 2022.

Parabólica
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