F1: Ferrari confirma problema de correlação na SF-26 apontado anteriormente por Hamilton
Vice-chefe da Ferrari admite diferenças entre as previsões do simulador e o desempenho real, reforçando críticas feitas por Lewis Hamilton
A Ferrari reconheceu oficialmente que ainda enfrenta problemas de correlação entre os dados obtidos no simulador e o comportamento real da SF-26 nas pistas da Fórmula 1. A confirmação veio após o Grande Prêmio de Mônaco, por meio de Jerome d’Ambrosio, vice-chefe da equipe de Maranello, que substituiu Fred Vasseur nas entrevistas do pós-corrida.
Segundo o dirigente, a escuderia identificou diferenças entre aquilo que as simulações indicavam e o que efetivamente aconteceu durante alguns fins de semana de corrida.
“Não existe 100% de correlação entre o que esperávamos em determinadas corridas e o que realmente aconteceu na pista”, afirmou d’Ambrosio.
A declaração reforça preocupações que já haviam sido levantadas anteriormente por Lewis Hamilton, que vinha questionando a confiabilidade das previsões obtidas pelo simulador da equipe. Após o GP de Miami, o britânico afirmou que o simulador da equipe não estava apresentando a correlação esperada com o comportamento da SF-26 na pista, chegando a dizer que a ferramenta o estava “levando na direção errada”.
Insatisfeito com a discrepância entre os dados virtuais e a realidade das corridas, o heptacampeão decidiu até mesmo abandonar o uso do simulador na preparação para o GP do Canadá, argumentando que os acertos desenvolvidos em Maranello não estavam se traduzindo em desempenho quando o carro chegava ao circuito.
Problema afeta preparação dos Grandes Prêmios
Na Fórmula 1 moderna, a qualidade das simulações é fundamental para definir acertos de suspensão, aerodinâmica, estratégias e gerenciamento de pneus antes mesmo de os carros entrarem na pista.
Embora a Ferrari possua um dos simuladores mais avançados do grid, a precisão dos resultados depende diretamente da qualidade dos dados inseridos no sistema. Isso inclui desde o modelo virtual do carro até a representação matemática de cada circuito.
Pequenas imprecisões na reprodução digital das pistas ou no comportamento previsto do carro podem gerar diferenças que, somadas, acabam comprometendo as previsões feitas pelos engenheiros.
Pneus seguem sendo o principal desafio
De acordo com a análise interna da equipe, o maior problema está relacionado ao comportamento dos pneus. Enquanto o departamento aerodinâmico tem fornecido respostas positivas, o gerenciamento dos compostos da Pirelli continua sendo uma fonte constante de preocupação.
Durante o GP de Mônaco, Hamilton relatou um superaquecimento excessivo dos pneus traseiros logo nas primeiras voltas da corrida, situação que pode ter sido provocada por falhas na modelagem matemática utilizada pela Ferrari para prever a evolução térmica dos compostos.
Os engenheiros cruzam seus próprios dados com as informações fornecidas pela fabricante italiana, mas prever com exatidão a temperatura dos pneus — tanto na superfície quanto na estrutura interna — continua sendo uma das tarefas mais complexas da categoria.
Mudanças mínimas nas condições do asfalto ou no estilo de pilotagem podem alterar significativamente o comportamento dos pneus, fazendo com que eles saiam rapidamente da faixa ideal de funcionamento e provoquem perda repentina de aderência.
Ferrari aposta em trabalho de engenharia reversa
Apesar das dificuldades, a Ferrari não considera que exista uma ausência total de correlação entre simulador e pista. O entendimento da equipe é que o problema está na combinação incorreta de diversas variáveis, o que acaba produzindo uma leitura distorcida do comportamento do carro.
Por isso, o período entre as corridas tornou-se essencial para o desenvolvimento da SF-26. Os pilotos fornecem relatos detalhados sobre o comportamento do carro em condições reais, enquanto os engenheiros trabalham para reproduzir matematicamente essas características no simulador.
Caso a SF-26 apresente, por exemplo, tendência ao subesterço em um determinado trecho do circuito e o simulador não consiga reproduzir esse comportamento, torna-se necessário revisar os modelos matemáticos utilizados pela equipe.
Esse processo de constante refinamento e engenharia reversa tem sido uma das prioridades da Ferrari nas últimas semanas. Segundo a equipe, existe confiança de que os problemas de correlação poderão ser solucionados antes da pausa de verão da Fórmula 1, o que pode representar um passo importante na busca por resultados mais consistentes ao longo da temporada.
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