F1: 7 de abril, a data que une os gênios Clark e Senna
Esta data une um dos maiores nomes do automobilismo. Um terminava sua carreira em uma corrida de F2 e outro marcava seu primeiro ponto na F1
7 de abril acaba por ter um significado pesado para os fãs de automobilismo e da F1. Neste dia, há um traço que une dois grandes gênios do automobilismo. Estamos falando de Jim Clark e Ayrton Senna.
Curiosamente, Senna tinha Clark como referencial. E os dois são considerados pelos especialistas como grandes talentos que estavam destinados a ter maiores marcas, mas foram cedo demais.
Em um 7 de abril de 1968, Jim Clark, duas vezes campeão da F1 (63 e 65) e vencedor da Indy 500, alinhava pela Lotus em uma simples prova de F2 em Hockenheim (Alemanha). Naquela época, Clark já era uma celebridade. Mesmo assim, a necessidade de complementar o faturamento era grande...
O escocês era um fiel “soldado” da Lotus. Tanto que sua carreira pela F1 foi feita inteiramente pelo time. E eventualmente Clark também participava de outras categorias sob o comando de Colin Chapman. Tanto que sua vitória em Indianápolis foi obtida com a Lotus.
Originalmente neste dia, Clark iria participar da BOAC 500 em Brands Hatch para dirigir um Ford Cortina (Clark também era apoiado pela Ford). Porém, para não ser alcançado pelo pesado fisco britânico, o escocês limitava suas idas à Grã-Bretanha. Por este motivo, Clark acabou indo para a Alemanha.
Naquele tempo, Hockenheim era uma pista de altíssima velocidade. Basicamente, eram duas grandes retas ligadas por uma curva e um pequeno trecho lento. Eram 7 km encravados dentro de um trecho da Floresta Negra.
Desde aquela época, a F2 era um ninho de pilotos arrojados. Embora fosse comum que pilotos da F1 tomassem parte da categoria e jovens talentos tomassem parte, sempre havia os “emocionados”. Até chamou a atenção que Clark, um piloto de um currículo tão grande, tomar parte em uma corrida daquelas. Porém, estava no contrato com a Lotus e lá foi ele.
Hockenheim, por sua característica de alta velocidade, era uma pista que o vácuo era importante. Então, na briga do pelotão, Clark subitamente perde o controle e se choca contra uma árvore, morrendo na hora.
Até se pensou que o acidente havia sido provocado por algum piloto afobado, mas a causa mais provável foi uma falha em um dos pneus, o fazendo perder o controle.
Clark era um daqueles que era rápido até com um patinete. Em um tempo de menos corridas na F1, o escocês ainda tem seu nome marcado na lista de recordes. Para se ter ideia, até hoje ele está no topo da lista dos pilotos que conseguiram o Grand Slam (pole, vitória de ponta a ponta e volta mais rápida).
Mas neste dia pesado para o fã, uma página se iniciava na F1. 16 anos depois, a categoria alinhava para a 2ª etapa do campeonato em Kyalami (África do Sul). Pode parecer soar estranho, mas naquela época mais pilotos estreavam na F1. Um deles era o brasileiro Ayrton Senna.
Domo de uma carreira meteórica na base e após testar por grandes times, Senna optou por começar na F1 por um time razoavelmente pequeno, a Toleman. Naquele momento, a equipe estava em crescimento, mas ainda lutava para se garantir no meio do pelotão. A opção naquele momento era entrar e não ter tanta pressão.
Para o início do ano, a Toleman trabalhava para terminar o TG184, o carro que faria aquela temporada. Enquanto isso, Senna e Cecotto (venezuelano e piloto do outro carro da equipe) usavam o TG183B que fez uma boa imagem em 1983. Porém, não era uma boa situação para 1984, especialmente com os pneus Pirelli e o turbo Hart, que era basicamente o motor que atendia aos times de baixo orçamento.
Naquele domingo, Senna alinhou sua Toleman 19 na 13ª posição. Já era um avanço em relação ao 17º lugar obtido duas semanas antes em Jacarepaguá. A esperança do brasileiro era que a corrida durasse mais do que as 9 voltas de antes. O objetivo era terminar.
O Toleman era um carro simples e os Pirelli não eram tão bons. Senna não largou bem e caiu para a 16ª posição, sendo até pressionado por Cecotto. A intenção era não parar nos boxes e por isso o ritmo não era tão forte. Naquele ano, o combustível estava limitado em 220 litros e muita gente tinha que segurar a onda para poder chegar...
As paradas foram acontecendo, bem como os abandonos. Tanto que na 52ª volta, o brasileiro se batida com Patrick Tambay (Renault) pela 6ª posição. Já não bastasse a batalha pelo pilotar o TG183B, Senna perdeu o bico do carro e decidiu não para repor. Caiu para a 10ª posição.
Mas os abandonos seguiram e Senna conseguiu chegar em 6º lugar, 3 voltas atras do vencedor Niki Lauda (McLaren). Era o seu primeiro ponto na F1. Só que a comemoração teve que esperar, pois dado o esforço feito para levar o carro até o fim, o brasileiro ficou mais de 2 horas no Centro Médico com dores musculares, quase imóvel.