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Após dois meses de alta, setor de serviços recua

Em novembro ante outubro foi registrada queda de 0,1%, segundo o IBGE, mas analistas dizem que ocorreu só 'movimento de acomodação'

14 jan 2020
11h40
atualizado às 22h22
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RIO - Após esboçar uma reação mais contundente por dois meses consecutivos, o volume de serviços prestados no País teve ligeira queda de 0,1% na passagem de outubro para novembro. Os dados são da Pesquisa Mensal de Serviços, divulgada nesta terça, 14, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Apesar da falta de vigor, por ora, não há nenhum tipo de reversão da trajetória ascendente do setor, "é apenas acomodação", afirmou Rodrigo Lobo, gerente da Pesquisa Mensal de Serviços no IBGE.

"Não foi uma queda significativa, e há uma volatilidade típica do indicador na saída da crise. A comparação interanual segue positiva (alta de 1,8%), e a recuperação em 12 meses continua acelerando (0,9%). O setor, portanto, continua a sinalizar uma melhora gradual da economia neste momento. Essa queda de novembro não me parece uma tendência", corroborou o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale.

Três das cinco atividades de serviços registraram perdas em novembro ante outubro. As quedas ocorreram em transportes (-0,7%), informação e comunicação (-0,4%) e serviços prestados às famílias (-1,5%). Por outro lado, houve avanços em serviços profissionais e administrativos (0,1%) e na atividade de outros serviços (1,7%). As perdas em novembro devolvem apenas parte de crescimentos anteriores.

"As três atividades que mostraram recuo em novembro vinham de taxas positivas", lembrou Lobo.

No caso dos Transportes, o mau desempenho em novembro foi puxado pelo transporte rodoviário de carga, em função da menor produção industrial no período, justificou Lobo. Em Informação e Comunicação, houve impacto dos subsetores de desenvolvimento e licenciamento de softwares e de exibição cinematográfica. Nos serviços prestados às famílias, as perdas ocorreram nos hotéis e serviços de buffet.

Merece destaque a perda nos Serviços de Alojamento e Alimentação e de Transporte Aéreo, cujo consumo depende de renda e não de financiamento, avaliou o economista-chefe da agência de classificação de risco Austin Rating, Alex Agostini.

"Esses setores devem voltar (a crescer) em dezembro, porque houve renda extra, mas não vão se recuperar efetivamente enquanto não tivermos uma melhora nos rendimentos da população", apontou Agostini.

Na série história livre de influências sazonais, o segmento de serviços ficou positivo em cinco dos onze meses de 2019. / COLABORARAM CÍCERO COTRIM e THAÍS BARCELLOS

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