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vc repórter: apartamento é alagado pelo esgoto de vizinhos em SP

6 ago 2013 - 15h22
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Moradora de um condomínio inaugurado há cerca de dois anos em Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, a designer Renata Abrahams e sua família tiveram que lidar, nos últimos meses,com o medo de ter sua casa invadida pela água de esgoto de outros apartamentos.

Moradores de apartamento foram surpreendidos, por duas vezes, pela água de esgoto que invadiu imóvel
Moradores de apartamento foram surpreendidos, por duas vezes, pela água de esgoto que invadiu imóvel
Foto: Renata Abrahams/vc repórter

O temor tem explicação: o apartamento em que residem, no segundo pavimento de uma torre com 19 andares, foi tomado por duas vezes pela água do esgoto que subiu pelo vaso sanitário e ralos do banheiro. O problema teria sido causado em razão do "mau uso" de outros condôminos: na primeira ocasião entulho de obra e um registro de construção foram encontrados no encanamento; na segunda ocorrência o que se achou na estrutura foram papel higiênico, cerca de 1 quilo de feijão cru e uma pedra.

Na primeira vez em que ocorreu o problema, em dezembro de 2012, Renata acionou a construtora responsável pelo empreendimento ao se dar conta de que a água de esgoto havia inundado o apartamento.

Ao Terra, a empresa afirmou que a parte hidráulica do empreendimento tinha garantia de um ano a partir da emissão do Habite-se, concedido emmaio de 2011. Apesar disso, "a empresa deslocou um funcionário para o local para realizar inspeção, e contratou uma empresa para realizar a desobstrução completa das tubulações(...). Além dos reparos, a empresa também realizou manutenção no apartamento afetado, incluindo a desinfecção completa do imóvel. Neste período, instalou a família em um apartamento mobiliado e custeou todas as despesas".

No mês passado, o episódio se repetiu. A água com resíduos de fezes subiu pelos ralos do banheiro, e se espalhou pelo apartamento, alagando os três quartos, o banheiro e a sala. Novamente, a moradora acionou a administração do prédio e a construtora, e ficou constatadaa existência de uma pedra de concreto, papel higiênico e grande quantidade degrãos de feijão in natura.

Desta vez, a Tecnisa enviou um técnico, mas se negou a se responsabilizar pelos danos ocorridos na unidade. "Nas duas ocasiões ficou constatado que os entupimentos foram provocados por mau uso. Cerca de 1 quilode grãos de feijão crus, resíduos de argamassa despejados de algum andar acima, pedra e papel higiênico foram encontrados na instalação dedicada exclusivamente ao esgoto dos banheiros", argumenta a empresa.

A resposta da construtora não convenceu a moradora."Oque estou discutindoé que não pode ser normal o apartamento encher de esgoto quando alguém de outro andar faz mau uso. Não é possível que a cada sete meses eu tenha que brigar com todo mundo. Isso não é natural", queixa-se.

"Depois o síndico me mandou um e-mail afirmando que trariam uma empresapara fazer a manutenção. Mas eles afirmam que se alguém fizeruso indevido novamente, o problema vai se repetir. Por telefone, uma engenheira da Tecnisa me disse aindaque para resolverde vezo meu problema, teriamquemudar o projeto, e que isso não seria feitopois iria se criar um problema para o morador do andar de cima", relata.

"Minha família está sujeita a uma infecção porque o apartamento não foi esterilizado como deveria, e além disso tem a preocupação com o apodrecimento dos móveis, pois o apartamento ficou submerso, e é praticamente impossível fazer a limpeza e secagem das estruturas embutidas", diz.

Para Renata, o clima é de insegurança. "O apartamento deveria ser um lar onde encontramos sossego", lamenta. A família busca agora que a administração do condomínio e da construtora encontrem uma solução definitiva para o problema. "Estamos extremamente inseguros, sem saber se vamos chegar em casa e encontrá-la alagada com esgoto, imaginando se, porum momento de distração, vamos nos deparar com um de nossos filhos em meio àágua contaminada", diz.

O engenheiro civil Jefferson Nascimento de Oliveira, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), explica que situações como a vividas pela moradora podem acontecer quando se tem vários dutos ligados à rede de esgoto, como é o caso de uma torre de apartamentos. "Quando as pessoas fazem mau uso e jogam resíduos indevidos, esse material vai para o duto central, podendo diminuir a vazão e até bloquear o duto central. Nessa hora pode acontecer o refluxo", diz o engenheiro.

De acordo com ele, no entanto, é impossível fazer uma análise do caso sem visualizaro projeto do prédio em questão. "É precisoavaliar se a tubulação de queda é bem dimensionada, de modo que suporte o volume do esgoto despejado, e verificar se o tubo tem queda livre. Quando há angulação de 90 graus, por exemplo, cria-se um ponto de estrangulamento que pode dificultar o fluxo. Haveria que se avaliar também se houve erro no projeto ou na sua execução. De qualquer forma, é preciso ressaltar que não há como dar nenhum parecer sem ter acesso ao projeto", diz.

Apesar da solicitação do Terra, a Tecnisa se negou a oferecer o projeto do prédio, e não respondeu se pretende oferecer uma solução definitiva ao problema da moradora. Questionada se o problema teria ocorrido em decorrência de uma falha do projeto, a empresa também preferiu não se pronunciar.

"Há que se orientar os usuários a não despejar resíduos como os encontrados e eventuais restos de reformas. Estamos à disposição caso o condomínio queira fazer uma inspeção conjunta nas instalações que desobstruímos para que não reste dúvida com relação às adequadas condições das instalações executadas pela empresa. A Tecnisa ressalta que em 35 anos de mercado tornou-se referência em métodos construtivos eficientes, inovação e sustentabilidade. A empresa possui mais de 5 milhões de metros quadradoslançados em 26 cidades no País, e esse tipo de problema não é recorrente", afirmou a construtora em nota.

A internauta Renata Abrahams, de Guarulhos (SP), participou do vc repórter, canal de jornalismo participativo do Terra. Se você também quiser mandar fotos, textos ou vídeos, clique aqui.

Fonte: VC Repórter
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