UBS BB assume que Petrobras elevará preços no 2º tri e reforça recomendação de compra
Analistas do UBS BB avaliam que a Petrobras ajustará os preços dos combustíveis no segundo trimestre para encerrar o ano dentro da faixa de paridade, conforme relatório enviado a clientes, elevando o preço-alvo das ações da petroleira estatal de R$40 para R$60 e reiterando a recomendação de compra.
Para a gasolina, Tasso Vasconcellos e equipe assumem um ajuste de 10% no segundo trimestre (para R$2,86/l, ante R$2,59/l) e nenhuma alteração adicional ao longo do ano.
No caso do diesel, consideram um ajuste no segundo trimestre, alcançando R$4,43/l, alta de 12% sobre R$3,97/l -- valor que inclui R$0,32/l de subsídio -- ou acréscimo de 21% quando essa ajuda governamental é excluída. Também consideram um novo ajuste, menor do que 5%, no terceiro trimestre.
Do ponto de vista de receita de caixa, eles ponderaram que não importa se esse valor vem dos consumidores ou do governo. O programa de subvenção ao diesel foi anunciado mais cedo neste mês para atenuar os efeitos da alta nos combustíveis comercializados no Brasil, mas que ainda não está operacional.
De acordo com os analistas, a manutenção da recomendação de compra para as ações é sustentada pela perspectiva de forte geração de caixa e dividend yield de 11%-12% nos próximos dois anos, "entre os mais elevados entre seus pares globais, mesmo após o rali recente".
Neste ano, as preferenciais da Petrobras já acumulam uma valorização de quase 57%, enquanto as ações ordinárias somam uma alta de cerca de 65%. Por volta de 14h30, as PNs subiam 1,75%, a R$48,33, e as ONs avançavam 2,93%, a R$53,77.
Vasconcellos e equipe ressaltam que, embora as previsões no mercado estejam alinhadas quanto à curva de produção, as premissas para as cotações do petróleo no curto prazo e para os preços dos combustíveis estão desatualizadas.
"Nós estamos incorporando um Brent de US$86/barril para 2026... com impacto marginal de uma taxa de exportação (estimada) de 12% por quatro meses, além de preços mais altos para gasolina e diesel, uma vez que esperamos ajustes no curto prazo", afirmaram no relatório com data de quarta-feira.
Em termos de sensibilidade, acrescentam, mesmo em um cenário sem aumento nos preços dos combustíveis, ainda estimamos que a Petrobras pague cerca de 10% de dividend yield neste ano, beneficiada por ser uma exportadora líquida de petróleo -- cerca de 40% de sua produção total.