Trump processa Receita Federal e Tesouro em US$ 10 bilhões por vazamento de informações fiscais
Ação cita prejuízos financeiros, danos à reputação e impacto político após o vazamento de dados confidenciais por um ex-contratado do IRS entre 2018 e 2020
O presidente Donald Trump está processando a Receita Federal (IRS) e o Departamento do Tesouro em US$ 10 bilhões, acusando as agências federais de não terem impedido o vazamento de informações fiscais do presidente para veículos de imprensa entre 2018 e 2020.
O processo, apresentado na quinta-feira, 29, em um tribunal federal da Flórida, inclui os filhos do presidente, Eric Trump e Donald Trump Jr., além da Organização Trump, como autores.
A ação alega que o vazamento dos registros fiscais confidenciais de Trump e da Organização Trump causou "danos financeiros e à reputação, constrangimento público, prejudicou injustamente a reputação de seus negócios, os retratou sob uma falsa luz e afetou negativamente o presidente Trump e a posição pública dos demais demandantes".
Em 2024, o ex-contratado do IRS, Charles Edward Littlejohn, de Washington, DC — que trabalhava para a Booz Allen Hamilton, uma empresa de tecnologia de defesa e segurança nacional — foi condenado a cinco anos de prisão após se declarar culpado de vazar informações fiscais sobre Trump e outras pessoas para veículos de imprensa.
Littlejohn, conhecido como Chaz, forneceu dados ao The New York Times e à ProPublica entre 2018 e 2020 em vazamentos que pareciam ser "sem paralelo na história da Receita Federal", disseram os promotores.
A divulgação violou o Código 6103 do IRS, uma das leis de confidencialidade mais rigorosas da legislação federal.
O jornal The Times noticiou em 2020 que Trump não pagou imposto de renda federal por muitos anos antes de 2020, e a ProPublica publicou em 2021 uma série de reportagens sobre discrepâncias nos registros de Trump. Seis anos de declarações de imposto de renda de Trump foram posteriormente divulgadas pelo Comitê de Orçamento e Finanças da Câmara dos Representantes, então controlado pelos democratas.
O processo de Trump afirma que as revelações de Littlejohn às organizações de notícias "causaram danos financeiros e à reputação dos demandantes e afetaram negativamente o apoio do presidente Trump entre os eleitores na eleição presidencial de 2020". Littlejohn roubou registros fiscais de outros megabilionários, incluindo Jeff Bezos e Elon Musk.
A ação movida pelo presidente surge após o Departamento do Tesouro dos EUA anunciar, no início desta semana, o cancelamento de seus contratos com a Booz Allen Hamilton, depois que Littlejohn, que trabalhava para a empresa, foi acusado e posteriormente preso por vazar informações fiscais para veículos de imprensa sobre milhares das pessoas mais ricas do país, incluindo o presidente.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou na época do anúncio que a empresa "falhou em implementar salvaguardas adequadas para proteger dados sensíveis, incluindo as informações confidenciais dos contribuintes às quais tinha acesso por meio de seus contratos com o Serviço de Receita Federal (IRS)".
Representantes da Casa Branca, do Tesouro e da Receita Federal não estavam imediatamente disponíveis para comentar. /AP