Tarifas para carnes e café devem ser as próximas a cair, diz ministro após decisão sobre celulose
Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário) afirmou esperar que 'racionalidade econômica' volte após julgamento de Bolsonaro; EUA recuaram na tarifa de 10% sobre celulose
BRASÍLIA - O ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, ressaltou que a Casa Branca recuou na quarta-feira, 10, quanto à tarifa de 10% imposta à celulose brasileira, e disse acreditar que as taxas impostas pelos Estados Unidos para carnes, frutas e café serão as próximas a cair.
"Os americanos não aguentam pagar o preço que eles estão pagando. E eles só estão pagando um preço mais caro por conta de tarifas. Volto a dizer aqui, o Brasil fornece os melhores produtos com os preços mais baratos e o americano estava pagando um preço muito bom, mas o tarifaço encareceu esses produtos lá e eles continuam comprando", disse.
Um decreto da Casa Branca retirou a cobrança de tarifa de 10% sobre três especificações de celulose, as quais representam 90% do que o Brasil exportou para o país americano em 2024.
Na sexta-feira, 5, o presidente Donald Trump editou um decreto sobre a política tarifária dos Estados Unidos, redefinindo parâmetros para as negociações de "Acordos de Comércio e Segurança" (Modifying The Scope Of Reciprocal Tariffs And Establishing Procedures For Implementing Trade And Security Agreements).
O Anexo II desse documento atualiza a lista de produtos isentos da tarifa recíproca de 10%, que agora passa a incluir os produtos de celulose classificados no SH4 4703 sob os códigos4703.11.00, 4703.21.00 e 4703.29.00.
"Com isso, essas três descrições tarifárias de celulose — que representaram mais de 90% do volume exportado aos EUA em 2024 — passam a estar isentas da alíquota adicional de 10%, retornando à tarifa "pré-Trump" de 0%", diz um comunicado interno da associação da Indústria Brasileira de Árvores (Iba) ao qual o Estadão/Broadcast teve acesso.
O novo decreto presidencial não altera as tarifas adicionais aplicadas a papéis em geral e a painéis de madeira (MDF e MDP), que permanecem, respectivamente, em 50% e 40%. As mudanças estabelecidas pela Executive Order entraram em vigor na segunda-feira, 8.
'Racionalidade econômica'
Teixeira associou as tarifas impostas pelo governo norte-americano ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, e disse esperar que a "racionalidade econômica" retorne depois do fim das sessões na 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), previsto para ocorrer nesta sexta-feira, 12.
Teixeira também afirmou que o voto do ministro Luiz Fux proferido na quarta foi importante para mostrar que o julgamento é imparcial e justo. Fux votou pela absolvição de Bolsonaro, divergindo do relator, ministro Alexandre de Moraes, e do ministro Flávio Dino. Os votos de Cármen Lúcia e Cristiano Zanin devem ser registrados nesta quinta-feira, 11.
Teixeira participou de evento para a divulgação do 12º e último levantamento da Safra de Grãos 2024/2025 da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em Brasília. Além dele, estavam presentes o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, e o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin.
'Boa diplomacia'
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que torce pela "boa diplomacia" entre Brasil e Estados Unidos, mas frisou que o País é soberano e tem "capacidade de viver em qualquer adversidade".
Ele voltou a citar que, nos últimos anos, houve a abertura de 435 mercados para a agropecuária brasileira e disse que, se os Estados Unidos retaliarem uma eventual condenação de Bolsonaro, quem pagará a conta será o povo norte-americano.
"É pouco impacto no povo brasileiro e muito impacto no povo norte-americano", afirmou o ministro. Na sequência, porém, disse ter certeza que a racionalidade irá reinar neste assunto./Com Talita Nascimento