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Petróleo venezuelano: por que as empresas americanas não têm o mesmo entusiasmo de Donald Trump?

Quase uma semana depois de ordenar o sequestro de Nicolás Maduro, Donald Trump se reuniu com os chefes das principais companhias petrolíferas americanas na sexta-feira (9), prevendo um investimento de € 100 bilhões neste setor na Venezuela. No entanto, após essa aguardada reunião, os empresários demonstraram estar bem menos entusiasmados com as perspectivas do que o presidente dos EUA.

11 jan 2026 - 10h09
(atualizado às 10h15)
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Em entrevista à RFI, Homayoun Falakshahi, chefe de análise de petróleo da consultoria internacional de inteligência Kpler, traz algumas respostas.

O presidente dos EUA, Donald Trump (ao centro), durante uma reunião com executivos do setor de petróleo e gás na Casa Branca, em 9 de janeiro de 2026, em Washington.
O presidente dos EUA, Donald Trump (ao centro), durante uma reunião com executivos do setor de petróleo e gás na Casa Branca, em 9 de janeiro de 2026, em Washington.
Foto: Getty Images via AFP - CHIP SOMODEVILLA / RFI

RFI: Após a reunião entre Donald Trump e os líderes da indústria petrolífera, o CEO da ExxonMobil, Darren Woods, disse que não pretendia ingressar imediatamente na corrida pelo petróleo venezuelano. Por que as empresas americanas hesitam?

Homayoun Falakshahi: Há dois motivos principais. Primeiro, o petróleo venezuelano é caro de extrair. Mesmo que a situação política esteja muito calma e estável, os projetos não são necessariamente lucrativos porque os preços do petróleo estão bastante baixos.

Em segundo lugar, nos últimos dez anos, as empresas americanas têm tendido a retornar aos Estados Unidos. A ExxonMobil, por exemplo, retirou-se de um país como o Iraque por razões políticas, mas também porque os projetos lá não eram muito lucrativos. Eles investiram muito dinheiro, certamente perderam pouco, mas também não lucraram muito.

Por que investir em petróleo venezuelano não seria necessariamente lucrativo?

Porque é um petróleo com características bastante específicas. Ele é muito viscoso, precisa ser misturado com outros tipos de produtos para ser transportado. Produtos químicos, ou mesmo derivados leves de petróleo como nafta, que é semelhante à gasolina, são utilizados. Isso torna os projetos muito caros.

Os custos operacionais da extração na Venezuela giram em torno de US$ 35 a US$ 40 por barril, particularmente na Bacia do Orinoco, onde se encontra a grande maioria das reservas. No entanto, o petróleo venezuelano, dada a sua qualidade inferior em comparação com outros tipos em todo o mundo, é vendido com um desconto de cerca de US$ 15 a US$ 20 em relação ao petróleo Brent — que atualmente está sendo negociado por cerca de US$ 62.

Portanto, os projetos venezuelanos atualmente são pouco rentáveis. Para que se tornem rentáveis, os preços do petróleo precisariam subir nos próximos anos, ou o governo dos Estados Unidos precisaria fornecer garantias. Acho que Donald Trump apresentou algumas dessas propostas, mas não sei até que ponto seu governo pode realmente subsidiar empresas americanas. Acho improvável que isso aconteça a longo prazo.

Você mencionou a volta dessas empresas petrolíferas para os Estados Unidos. Isso se deve à instabilidade global?

Sim, pode ter contribuído. Por exemplo, algumas dessas empresas tinham uma presença significativa no Oriente Médio, particularmente no Iraque, durante a década de 2010, a década da guerra contra o grupo Estado Islâmico. Embora isso não tenha causado problemas reais nos campos de petróleo, pode ter havido preocupações. Da mesma forma, na Rússia, a ExxonMobil tinha grandes projetos e teve que deixar o país.

Mas o principal motivo é sobretudo que, até recentemente, as grandes empresas petrolíferas tinham uma presença limitada nos Estados Unidos. Foram as pequenas empresas, às vezes familiares, que contribuíram para o boom do petróleo de xisto nos EUA. Então as grandes companhias pensaram: por que não comprar esses territórios das empresas menores e desenvolver esses campos?

Foi o caso, em particular, na Bacia Permiana, entre o Texas e o Novo México. Assim, desde o final da década de 2010, a Exxon e a Chevron se tornaram as maiores produtoras nessa região, mas historicamente tinham uma presença muito limitada ali.

Isso significa que as empresas americanas estão cada vez mais relutantes em explorar petróleo fora dos EUA?

Sim, é verdade. É  algo que precisa ser colocado em perspectiva, já que a maioria dos recursos está localizada fora do território americano. A Exxon e a Chevron também são as principais produtoras na Guiana, país que faz fronteira com a Venezuela, e cuja produção deve aumentar nos próximos cinco a dez anos.

Penso que o simples fato de essas empresas terem expressado algumas dúvidas na reunião de sexta-feira não significa que as coisas não irão acontecer. Nos próximos anos, é bem provável que nos encontremos numa situação em que, potencialmente, o preço do petróleo possa subir um pouco. E Irã e Venezuela continuam sendo os dois únicos países do mundo com enormes recursos inexplorados.

Você está dizendo que, sob certas condições, essas empresas poderiam decidir investir na Venezuela?

Sim, absolutamente. Acho que se a situação política se tornar um pouco mais estável, se o risco de não expropriação for, por exemplo, garantido, e se os contratos forem ajustados para que uma empresa estrangeira possa lucrar mais do que é atualmente permitido pela lei venezuelana, haverá um interesse renovado por parte dessas empresas. Isso continua bastante provável.

Significa que Donald Trump precisa provar às companhias petrolíferas que elas podem investir na Venezuela sem riscos?

Com certeza. Porém, cada empresa tem uma abordagem ligeiramente diferente em relação ao risco. Historicamente, as empresas europeias, por exemplo, têm se mostrado um pouco mais dispostas a aceitar riscos políticos do que as empresas americanas.

Por muito tempo, a Chevron manteve-se afastada do Oriente Médio: o único projeto em que havia começado a investir era em Israel. Embora a experiência na Venezuela tenha sido dolorosa para a Exxon e a ConocoPhillips, é provável que ambas hesitem em retornar. Por outro lado, para a Chevron, que teve uma experiência relativamente mais positiva no país, haverá menos hesitação.

Na sexta-feira, soube-se que a Chevron já está em negociações para estender sua atual isenção no país. Embora a isenção atual permita que ela opere, não lhe permite investir ou aumentar sua produção. Faz apenas uma semana desde a queda de Maduro: portanto, acredito que, se a situação mudar nos próximos meses, essas empresas reconsiderarão sua posição.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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