Tarifa impactará menos do que previsto, mas torço por solução diplomática, diz Noronha, do Bradesco
A imposição de 50% sobre a maior parte dos produtos brasileiros exportados para os EUA tem até 'potencial de causar um efeito desinflacionário', na visão do presidente do banco
O presidente do Bradesco, Marcelo Noronha, disse nesta quinta-feira, 31, que, após as isenções dos Estados Unidos nas tarifas adicionais para vários produtos exportados pelo Brasil para a economia americana, o impacto no mercado doméstico é pequeno — comparado ao previsto. Ainda assim, ele disse torcer para que as duas partes consigam resolver a questão das tarifas diplomaticamente.
Para o banco especificamente, Noronha não vê impactos das tarifas, embora ele acredite que algumas empresas afetadas pela taxa de 50% vão buscar alternativas de negócios.
A taxação de 50% (10% de tarifa recíproca + 40% de tarifa adicional) sobre produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos tem até "potencial de causar um efeito desinflacionário", na visão do presidente do banco.
"Se você deixa de exportar determinados produtos que ficam aqui dentro e pressionam o preço para baixo, isso pode causar efeito desinflacionário. Mas isso é uma questão a se conferir. A gente tem de olhar a demanda, a elasticidade de demanda daqueles produtos que estão com a tarifa mais alta e se tem essa elasticidade de demanda nos mercados", afirmou Noronha em entrevista ao CNN Brasil Money.
Noronha disse que há uma "torcida grande" para que os países cheguem a um acordo diplomaticamente. "A expectativa é de que a diplomacia consiga, no curto ou no médio prazo, chegar a bons termos para as partes", ressaltou.
Noronha também comentou que o banco aguarda dois pareceres de escritórios de advocacia do exterior para entender a abrangência e extensão da Lei Magnitsky, que prevê sanções financeiras a pessoas ou empresas e da qual foi alvo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pelos Estados Unidos.
"A lei tem de ser cumprida, somos uma organização que tem negócios nos EUA", afirmou Noronha em conversa com jornalistas para apresentar os números do balanço do segundo trimestre.
Noronha disse que o Bradesco tem banco na Flórida, uma operação completa em Nova York e broker dealers nos Estados Unidos, com clientes latinos e europeus. "Se qualquer pessoa estiver na lista, temos de cumprir a lei, que é indiscutível", acrescentou. Ele disse ainda esperar que tudo se resolva diplomaticamente.